Minicurso sobre Auta de Souza em destaque na mídia local

Abaixo cópia da matéria publicada no dia 02 de dezembro no caderno Domingo do Jornal De Fato sobre o minicurso acerca de Auta de Souza ministrado por Pedro Fernandes e que terá início amanhã as 8h

Os escritores potiguares que deixaram obras que hoje podem ser incluídas como literatura potiguar, sobretudo nos séculos XIX e XX, muitas vezes não são lembrados dentro do próprio Estado. Entre esses autores está a poetisa Auta de Sousa. Com o objetivo de divulgar mais sobre a vida e a obra dessa poetisa potiguar, os que se interessam pelo tema terão um espaço importante para isso, dentro da XIV Semana de Letras e Artes, a ser realizada no período de 3 a 7 deste mês, pelos departamentos de Letras Vernáculas, Letras Estrangeiras, de Artes e de Filosofia da Uern.

Dentro da programação está prevista oficina com o tema "Literatura Potiguar: Auta de Souza in verso e (re) verso", que será ministrada de 4 a 6 deste mês, das 8h às 10h, pelo estudante do sétimo período de Letras Pedro Fernandes de Oliveira Neto.

Segundo Pedro, a idéia da oficina é, inicialmente, motivar o corpo de alunos que não tem um projeto de pesquisa para o final de curso, dando-lhe elementos que possam ser úteis na temática da literatura potiguar. Mas, um dos aspectos mais importantes é mesmo falar em Auta de Souza. "A poesia de Auta de Souza é pouco estudada. Só existem duas teses sobre a obra dela, apesar de sua relevância como escritora da literatura potiguar. Durante a oficina vamos mostrar alguns elementos que a caracterizaram e como ela revelava sua condição de mulher, poeta, tuberculosa, num período simbolista, já que sua obra é de 1901", explica Pedro, ressaltando ainda que o livro Horto foi prefaciada por Olavo Bilac. Isso daria uma repercussão nacional da poesia de Auta.

"Olavo Bilac teve acesso ao trabalho de Auta por causa da família dela, que sempre foi influente. Henrique Castriciano, irmão de Auta, estava no Rio para publicar esse livro, e um amigo que tinha amizade com Olavo Bilac ficou de levar para que lesse. Assim fez, e Bilac gostou do que leu", ressalta Pedro.

Essas histórias, entre outras, serão repassadas nos três dias da oficina, num mergulho profundo na poesia de Auta de Souza, mostrando-a no contexto da literatura potiguar, que ainda não é bem conhecida nem pelos próprios potiguares.

A Semana de Letras reserva, além de oficinas e minicursos, palestras e apresentações culturais destinadas à comunidade acadêmica e à comunidade externa em geral.

A poetisa

Auta de Souza nasceu no município de Macaíba, em 12 de setembro de 1876. Filha de Eloy Castriciano de Souza e Henriqueta Leopoldina de Souza, irmã de dois políticos e intelectuais, Henrique Castriciano e Eloy de Souza.

Aos 14 anos apareceram os primeiros sinais da tuberculose, obrigando-a a abandonar os estudos e a iniciar uma longa viagem pelo interior em busca de cura.

Auta de Souza deve ser considerada a poetisa potiguar que mais ficou conhecida fora do Estado. Sua poesia, de um romantismo ultrapassado e com leves traços simbolistas, circulou nas rodas literárias do país, despertando sempre muita emoção e interesse, e foi fartamente incluída nas antologias e manuais de poesia das primeiras décadas.

Aos 24 anos, no dia 7 de fevereiro de 1901, Auta de Souza morria tuberculosa. No ano anterior, havia publicado seu único livro de poemas, sob o título de Horto, com prefácio de Olavo Bilac, que obteve significativa repercussão na crítica nacional.

Em 1910, saía a segunda edição, em Paris, na França, e, em 1936, a terceira, no Rio de Janeiro (RJ), com prefácio de Alceu de Amoroso Lima.

Antes de serem reunidos em Horto, parte de seus poemas foram publicados em jornais como A Gazetinha, de Recife (PE), O Paiz, do Rio de Janeiro, e A República, A Tribuna, o Oito de Setembro, de Natal, e nas revistas Oásis e Revista do Rio Grande do Norte. Os poucos poemas inéditos que deixou foram recolhidos e publicados nas edições seguintes de Horto.


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