Adultecimentos





Talvez das escusas de meu corpo
Pelas frinchas da alma
Ainda ingênua de amar
Deixei-te escapar
Fria e nua na calma da noite

Fomos, ela e eu, em dormidas
Cabeceira-pés, pés-cabeceira
Rodopiando por entre astros, os céus
Em brincadeiras ativas, curiosas
Que o corpo já adultescendo reclama
Tocando o que existe para ser tocado
Por entre os lençóis

Em mim ficaram inapagáveis lembranças
Daqui estou a vê-la deslizando nua
No espelho da memória
No corpo das palavras
Num mover-se erótico
Debaixo do lençol.

Daqui estou a ver
Encobertos pela noite, às escusas,
Uma exploração tátil dos nossos corpos
No corpo das palavras sussurrantes
Ou mesmo no silêncio da respiração ofegante
Uma vivacidade de almas palpitantes
Aceleradas na caixa do peito

E dormíamos como anjos
Em falso sono adultecíamos.


* Este poema foi publicado inicialmente em Jornal Trabuco, ano II, n. 3. jan. fev. março de 2009. Acesse o e-book Palavras de pedra e cal e leia outros poemas de Pedro Fernandes.

Comentários

Germano Xavier disse…
Belíssimo poema, Pedro.

Fiquei interessado na publicação.
Vou dar uma lida agora no regulamento.

Abraço forte.
Continuemos...

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