Estamos na merda

 

Pesquisas dessas que existem para comprovar o já comprovado, constatou que o brasileiro lê pouco. Lê tão pouco que foi mais fácil divulgar os números da catástrofe do que os números positivos: são 77 milhões de não leitores, dos quais 21 milhões são analfabetos; os leitores somam 95 milhões, e leem, em média, 1,3 livro por ano. Incluídas as obras didáticas e pedagógicas, o número sobe para 4,7. Os dados estão na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, feita com 5.012 pessoas em 311 municípios de todos os estados em 2007. Detalhes dos hábitos do brasileiro relacionados ao livro, revelados na pesquisa, atestam esta afirmação. O levantamento considera como não leitores aqueles que declararam não ter lido nenhum livro  nos últimos três meses, ainda que tenha lido ocasionalmente ou em outros meses do ano.

Tudo isso só vem explicar uma coisa: o nível de cultura do brasileiro beira ao barbarismo da Idade de Pedra e a capacidade de percepção da moléstia que corrói as entranhas desse País abaixo do grau zero da mentalidade comum.

Entretanto, devemos considerar: um grupo seleto de professores que amam detestar ler; o preço do livro pela hora da morte; o sucateamento das bibliotecas públicas - umas até chegam a ser confundidas com montúrios - e entre outros efeitos culturais já impregnados no ser social brasileiro. O que é que queríamos? Números belos? It's impossible. Se o governo que no ápice da crise teve gabarito para reduzir impostos de tudo e os dos livros nem uma vírgula de porcento e ainda sonha com o apogeu dos números em melhoria da educação que são cuidadosamente fabricados nos fornos das empresas de estatística. Onde ficamos com o avanço da educação nesse País? No lugar em que sempre esteve: na merda.

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