Os pecados da escrita

Por Pedro Fernandes



Dia desses enquanto relia um texto meu que já fora inclusive publicado nos anais de um congresso ano passado, dei de cara com alguns absurdos que eu escrevera e, por incrível que pareça, depois de tantas leituras e, depois já de publicado, é que venho tomar ciência do que disse. Em textos para este blog até uso mesmo da displicência. Escrevo e releio uma vez apenas e jogo na rede. Aqui é mesmo um espaço para isso. Exigir pingos nos is de um blogueiro é coisa complicada. Mas em textos para jornais ou textos acadêmicos a coisa é mais complicada. Ainda mais quando se tem um curso de graduação em Letras e se é aluno de um mestrado em Letras, formação sobre qual as pessoas acham termos na ponta da língua todos os trâmites gramaticais e, por isso mesmo, a ideia de que nunca devemos errar. Policiarmo-nos parece ser a solução. Mas, sabendo que nem isso resolve grande coisa: sempre ficará algo por corrigir. Em textos para jornais ou textos acadêmicos geralmente faço umas não-sei-quantas leituras. Tantas que, às vezes, fico com o bendito do texto martelando no juízo por um par de dias. Mas, parece que, enquanto escrevemos somos envoltos por uma película que nos cega ou somos enganados por algum diabinho que deixa passar os tais absurdos que põe a gente com cara nos pés depois. Por isso, a tão importante leitura do outro. Nessas horas parece que é o único olhar que nos protege, até certo ponto, de cometer determinados pecados. Quando a cegueira é para com concordância, acentuação ou mesmo ortografia da palavra até tudo bem, mas quando o erro é aquele que muda o curso do entendimento do texto ou até mesmo o curso da própria História, como foi o meu caso, aí a coisa é mesmo grave. O leitor que está na outra margem do que escrevi, certamente, haverá de ter caçoado de mim. Mas, esta post que resolvi hoje escrever é para além de reconhecer uma falta nossa de cada dia, também me desculpar com esse leitor. Por mais que ele não me leia por aqui, ao menos fica registrado que, erros acontecem. Cabe reconhecê-los, entretanto.


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