Um lugar ao sol, de George Stevens



O que seria apenas um melodrama tornou-se uma história de amor mesclada com tragédia social

Eis um caso de imagens que se tornaram míticas sem razões definidas, fazendo deste Um lugar ao sol um dos grandes filmes da história do cinema. Parte do encanto deriva da beleza do par central, Montgomery Clift e Elizabeth Taylor, glamourizados pela luz branca refletida em seus rostos, mas a direção de George Stevens construiu outras imagens fortíssimas.

Baseado em Um tragédia americana, romance de Theodore Dreiser publicado 1925, o conteúdo conservador desse clássico não atinge a crítica social proposta pelo texto original. Por outro lado, o que seria apenas melodrama resulta em um filme inesquecível, história de amor mesclada com tragédia social, cuja intensidade é ampliada pela trilha sonora do polonês Franz Waxman.

Na história, George Eastman (Montgomery Clift) é um operário que procura ascender socialmente, namora outra trabalhadora da fábrica, Alice Tripp (Shelley Winters), mas acaba se apaixonando pela rica Angela Vickers (Elizabeth Taylor). Ambos mantêm um caso às escondidas, e o rapaz decide largar a namorada, que, por azar, está grávida. Surge a idéia, então, de ele se livrar da namorada, um empecilho a sua escalada. O romance de Dreiser baseou-se num fato real ocorrido em 1906, quando Chester Gilette matou sua namorada grávida. Após ter sido julgado e condenado à morte, em 1908, surgiu a lenda de que o fantasma da vítima assombrava o apartamento onde ela morava, em Nova York.

No longa, Clift consegue compor um Eastman ambíguo, apaixonado e encantado com o fausto no qual Angela vive, enquanto o filme julga impiedosamente seu personagem. A intenção de Stevens é trazer à cena uma discussão sobre a desigualdade social em seu país, além de dar importância aos espaços por onde transitam os personagens, entre ambiente claros e escuros, imagens iluminadas e outras embaçadas.

Na entrega do Oscar de 1952, Um lugar ao sol foi indicado a nove categorias e premiado com seis estatuetas, entre elas as de Melhor Direção, Fotografia, Roteiro e Trilha Sonora.

*Revista Bravo!, 2007, p.94 

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