Noivo neurótico, Noiva nervosa, de Woody Allen




Comédia explora distúrbios de um casal e as razões dos fracassos dos relacionamentos

Noivo neurótico, noiva nervosa, dirigido e protagonizado por Woody Allen, narra a história do relacionamento entre um conhecido comediante, Alvy Singer (Allen), e uma cantora de casas noturnas, Annie Hall (Diane Keaton), contada desde pouco antes do primeiro encontro até pouco depois do rompimento. Como se pode supor tanto pelo título em português quanto pela experiência de quem já viu Allen atuando em algum de seus filmes, são as complicações psicológicas do homem que mimam a relação. No caso deste filme, as neuroses dele são completadas pela personalidade complicada também dela.

Inicialmente, Allen pretendia filmar um suspense em que o romance do casal fosse um dos subenredos, mas logo percebeu onde estavam as melhores cenas e acabou reduzindo a trama ao romance. Desde o primeiro momento, a insegurança  e as manias de ambos são tanto o motor das alegrias quanto os motivos que impedem que os prazeres perdurem. Depois de esgotarem as tentativas de reavivar o sentimento que um dia  havia produzido a união, eles se separam de fato.

Em uma passagem, Alvy olha para a câmera e diz como se sente em relação à vida: "cheio de solidão, sofrimento, infelicidade e tudo é rápido demais". Isso combina com o olhar de Alvy quando revela suas memórias: "as partes boas acabam disfarçadas pelo discurso que insiste nas partes ruins". O prazer sem razão e sem motivo fica perdido em sua reflexão obcecada pela racionalidade, mesmo quando afirma o absurdo. Alvy precisa de uma segurança que a falta de sentido da afetividade não lhe dá. No fim do filme, uma emocionante retrospectiva dos bons momentos do casal, que antes passam despercebidos, acompanha uma reflexão em forma de anedota que pode expressar o espírito da história toda. Um homem vai ao psiquiatra e diz a ele que seu irmão o acha uma galinha. O médico então pergunta o porquê de ele não dar logo um jeito nisso. O paciente responde que precisa dos ovos. Alvy, que faz psicanálise há 15 anos, conclui que os relacionamentos seriam assim, precisa-se dos ovos.

*Revista Bravo!, 2007, p.51. 

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