Pixote - a lei do mais fraco, de Hector Babenco



Duas décadas antes de Cidade de Deus, o cinema brasileiro ganhava uma radiografia impiedosa da violência nas ruas e de como ela condenou a juventude das classes miseráveis a buscar o crime como caminho para sobrevivência. Pixote - a lei do mais fraco conta a história de um garoto de dez anos que é recolhido das ruas de São Paulo para ser internado em um reformatório. Dois de seus amigos são assassinados e, com mais três colegas, ele foge para o Rio de Janeiro, onde entra para o mundo do tráfico de drogas, dos assaltos, assassinatos e da prostituição. Marília Pêra interpreta Sueli, prostituta que acolhe os jovens e os ajuda a cometer os crimes.

Em uma cena de forte carga simbólica, Sueli amamenta Pixote, órfão não só dos pais, mas do país que os abandonou. Dirigido pelo argentino naturalizado brasileiro Hector Babenco (de Carandiru, de 2003 e O beijo da mulher aranha, de 1985), Pixote é baseado no livro-reportagem de Jozé Louzeiro, A infância dos mortos. Segundo Babenco, trata-se de um "momento de realidade do cotidiano". A produção atingiu grande sucesso no exterior: foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro e venceu o prêmio Leopardo de Prata no festival de Locarno. A crítica internacional comparou a obra a Os esquecidos (1950), de Luis Buñuel, e ressaltou a atuação do protagonista, Fernando Ramos da Silva, um antigo menino de rua que não conseguiu abandonar a marginalidade e acabou morto em 1987, após um tiroteio com a polícia.

* Revista Bravo!, 2007, p.103

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