O império dos sentidos, de Nagisa Oshima



Oshima já era um veterano quando realizou em 1976, este polêmico drama de alta carga erótica. O diretor, que estreou em 1959 no conjunto de jovens cineastas talentosos que constituiu o que se tornou conhecido como Nouvelle Vague japonesa, acumula 46 títulos em sua filmografia. Mas foi a repercussão de O império dos sentidos que tornou seu nome mais conhecido nos países ocidentais. Na esteira de O último tango em Paris, feito por Bertolucci em 1972, Oshima narra os encontros sexuais de um casal, que evolui do prazer a jogos de poder e dominação que culminam em tragédia.

Amor e destruição caminham acoplados até um ápice em que a comunhão entre os dois e o sentimento que os aproxima não se distingue da necessidade de um ser destruído pelo outro. Sexo e morte, desejo e aniquilamento atravessam cada cena, numa espécie de ritual sobre os mecanismos de perversão em que a questão moral é abolida para que o espectador seja exposto a forças que não constam em seus hábitos visuais. 

A exposição crua de cenas explícitas de sexo levou o filme a ser considerado obsceno em vários países, mas também atraiu um público que correu aos cinemas para ver situações eróticas até então limitadas ao mercado da pornografia. A entrega ao sexo como única forma de prazer também pode ser lida como o símbolo do final de uma época, os anos 1960, em que os ideais utópicos estavam sendo ultrapassados e já não restavam muitas crenças na política e na sociedade. Oshima fez um filme não só polêmico, mas premonitório.

* Revista Bravo!, 2007, p.106.

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