... E o vento levou, de Victor Fleming



O exemplo mais bem acabado do sistema clássico de produção dominado pelos estúdios de Hollywood

Catorze indicações ao Oscar, dez prêmios conquistados, a maior bilheteria de todos os tempos em termos relativos (se atualizarmos os valores) e exibições anuais na televisão. Hoje ninguém duvida da importância e da dimensão de ... E o vento levou, mas nem sempre foi assim. A mistura de épico e melodrama recheada com amor, tapas e beijos entre Scarlett O'harra (Vivien Leigh) e Rhett Butler (Clark Gable) é mérito do megalomaníaco produtor David O. Selznick. O chefão da Metro-Goldwin-Mayer (MGM) comprou os direitos do romance homônimo de Margaret Mitchell antes mesmo de ser lançado. E o sucesso do filme ajudou a transformar o livro num fenômeno editorial: durante muito tempo, foi a obra mais vendida do mundo depois da Bíblia. 

Devido à grandiosidade da produção, ninguém, a não ser Selznick, acreditava no potencial mercadológico do projeto. Gary Cooper, ao se recusar a viver Rhett, deu graças por ser Gable, e não ele, quem estrelaria a "bomba". A disputa pelo papel de Scarlett foi feroz, porém falsa. Leigh já havia sido escolhida meses antes do anúncio, mas o estúdio não divulgou a informação e 1,4 mil atrizes (Katharine Hepbrun, Bette Davis e Joan Crawford entre elas) fizeram testes - uma tática para aumentar o burburinho em torno da produção. A rotatividade de roteiristas e diretores foi um problema. Entre as dezenas de autores que trabalharam no scripit, e não foram creditados, está o escritor F. Scott Fitzgerald. Pela direção, passaram George Cukor e Sam Wood, até Victor Fleming assumir o posto.

As turbulências, em vez de comprometer, potencializaram o resultado final do filme, que narra as reviravoltas do relacionamento entre a mima O'Hara e o galante Butle durante os anos da Guerra Civil Americana. Acompanhamos o amadurecimento da mocinha por meio dos casamentos, da perda da filha, mortos da guerra e a destruição da casa da família. Por seu posicionamento altivo, costuma-se identificar Scarlett como heroína pré-feminista. Outro tópico polêmico abordado é o racismo, na figura da governanta de Scarlett, Mammy - papel que deu a Hattie McDaniel o primeiro Oscar a uma atriz negra.

* Revista Bravo!, 2007, p.67.

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