A felicidade não se compra, de Frank Capra




O longa traz elementos sacralizados pelo imaginário da cultura americana para fazer um inesquecível conto de natal

Clássico dos clássicos de Natal, esse filme até hoje [2007] é reprisado no fim de ano na televisão americana e continua levando os telespectadores às lágrimas da mesma forma que 60 anos atrás. A felicidade não se compra conta a história de George Bailey, um homem terno, idealista e sonhador que, deprimido pela falência financeira e revoltado com a exploração de um milionário sobre a pequena cidade onde vive, resolve cometer suicídio e é salvo por um anjo. Bailey (James Stewart) representa o homem comum, com as alegrias e fraquezas de todo mundo. Após a tentativa, o personagem descobre como teria sido diferente (e pior) a vida da sua cidade e da sua família, caso ele nunca tivesse existido.

Poucos cineastas assumiram em sua obra a tarefa de difundir os valores essenciais da sociedade norte-americana quanto Frank Capra. Para muitos críticos ele é considerado populista, por recorrer a emoções fáceis e a severos julgamentos morais transparentes em seus desfechos, tidos como edificantes. Alguns dados biográficos explicam: Capra, nascido na Itália e desde pequeno cidadão dos Estados Unidos, era um patriota que se alistou no exército durante a juventude e se realistou na Segunda Guerra, quando dirigiu diversos trabalhos de propaganda para o governo. A felicidade não se compra, seu primeiro filme pós-guerra, é a celebração do espírito de um povo que saiu vitorioso da batalha e que agora representava o modo de vida a ser imitado pelo resto do planeta, e Hollywood foi uma fábrica de sonhos que ajudou muito na divulgação dos novos padrões. O cineasta não era tolo, sabia do sofrimento que os americanos tinham passado durante a Depressão nos anos 1930, e agora queria celebrar a prosperidade. Pode parecer edificante, mas é inegável o impacto emocional que esse filme provoca até no mais cético coração.

Era considerado, não só pelo público, mas também por Capra e Stewart, o ponto máximo de suas carreiras. Não foi um sucesso imediato, visto que o longa não levou sequer uma das cinco estatuetas a foi indicado no Oscar. O reconhecimento só veio décadas depois, quando passou a ser exibido na televisão. Em junho de 2006, foi eleito o filme americano mais inspirados dos últimos 100 anos pelo American Film Institute.

* Revista Bravo!, 2007, p.66

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