Adaptações para o Facebook

O português João Tordo. Vencedor do Prêmio José Saramago em 2009, tem, agora, sua obra, O bom inverno adaptada para o Facebook. Tudo ideia dos publicitários Erick Rosa e Thiago Carvalho

A novidade foi anunciada pelos publicitários brasileiros Erick Rosa e Thiago Carvalho; eles trabalham na agência Leo Burnett de Portugal e tiveram a ideia de adaptar um livro para o Facebook, em pequenos capítulos atualizados diariamente.

O bom inverno, do português João Tordo, vencedor do Prêmio José Saramago em 2009, será o primeiro que irá paras as redes sociais. A obra foi lançada em setembro de 2010, com 8000 cópias, sem publicação no Brasil. O romance discorre sobre um assassinato na Itália, ocorrido na casa do cineasta Don Metzger.

Rosa, diretor de criação, diz que "é como ver a adaptação de um livro para o cinema", mas a diferença é que a dupla trouxe isso para uma rede social. "Nesse caso, transpusemos para o Facebook. A ideia está sendo testada enquanto acontece”, completa.

O livro foi cortado pela metade, relata o redator Carvalho. Isso porque os textos originais, que contabilizam 250 páginas, ficariam muito grandes para os 420 caracteres do Facebook. "Suprimi alguns capítulos e divagações, tudo com a aprovação do autor", justifica.

A agência de fotografia Corbis foi procurada para ajudar na busca de fotografias relacionadas à descrição dos personagens. Andrés Bosco virou um homem gordo e de cavanhaque; os seus 17 companheiros ganharam expressões jovens.

Desde o dia 6, quando a história começou a ser contada no Facebook, Carvalho dedica uma hora do dia para atualização.

Para ler o livro, basta curtir a página das personagens. Além disso, posta links relacionados. Se a personagem escuta uma música, coloco um link com o vídeo dela no YouTube. Se vai para a Itália e cita o [ditador Benito] Mussolini, complemento com um link sobre ele da Wikipedia", contou.

O escritor João Tordo disse estar satisfeito com a iniciativa e acredita que a ação não prejudica a versão impressa. "O livro saiu há seis meses, está na quinta edição. O grosso das vendas foi feito. E as pessoas que não costumam ler podem eventualmente se interessar."

* Via Folha de São Paulo

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