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Mostrando postagens de Agosto, 2011

Lançamento de "50 poemas escolhidos pelo autor", de José Inácio Vieira de Melo

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José Inácio Vieira de Melo. Poeta da nova safra dos brasileiros que tem hoje carreira ascendente. Foto: Alice Santos. Há nomes que topamos por aí e damos a seguir. Quanto aos artistas conhecíamos eles de ouvir falar ou de dá de cara com suas obras – no caso dos escritores, com seus livros. Hoje, as relações ainda permanecem quase que nesse ponto, mas podem tomar uma direção oposta: conhecermos o autor e só depois conhecermos a sua obra. Pois bem, tenho um rol de nomes que se fixam nesse itinerário contrário. Alguns, consigo até seguir com leituras e comentários. Outros vão ficando pelo caminho. Nesse mover-se de nomes descobri, ao acaso das redes sociais (que é esse o espaço ideal para a inversão da ordem comum dos conhecimentos) o nome de José Inácio Vieira de Melo. Inicialmente chamou-me atenção o nome. Esse Vieira de Melo condiz ipsis literis com o sobrenome de minha mãe, que não herdei por pura idolatria paterna pelo nome do seu pai. José Inácio Vieira de Melo, ao q

127 horas, de Danny Boyle

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Por Pedro Fernandes James Franco em atuação como Aron Está aí um dos filmes - que já assisti a certo tempo e fiquei de comentar por aqui - que me impressionou muitíssimo; devo ter ficado uns tantos dias tontos com seu enredo. E por motivos muito óbvios. Primeiro porque esse filme vem dialogar in diretamente com um pensamento que já certa vez escrevi neste blogue: sobre nossa incapacidade (por vários momentos) de ter aquilo que chamamos de controle sobre o rumo da nossa própria vida. Não que eu acredite em destino. Se um dia acreditar em destino, então terei de acreditar nas previsões feitas por "descobridores" do futuro de toda sorte - ciganas, cartomantes, astrólogos, sensitivos etc.  Segundo porque reforça aquela ideia que, antes das baratas, devemos ser uma das últimas espécies a ser extinta na Terra. E aqui tem um porém de previsão misturado com conhecimento parco de ciência. A proximidade com a morte experienciada pela personagem central do filme nos co

Glauber pela boca da mãe

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Glauber Rocha. Foto: Blog da Cosac Naify. Aos 90 anos a mãe do cineasta maior, numa conversa feita em 2008 com Rafael Munduruca, fala sobre o filho e as dificuldades para a carreira do diretor de Terra em transe. Todo pequeno entendedor de cinema sabe da importância que representa o nome Glauber Rocha para o cinema nacional e por que não para o cinema mundial. Glauber não foi apenas grande cineasta e diretor de uma obra genial e importante para o cinema. Deixou também uma produção escrita vasta com reflexões acerca do cenário no Brasil, sobre o movimento por ele preconizado – o Cinema Novo – e, sobre as perspectivas para o seu presente e futuro do cinema no mundo. Essa produção foi reunida em três amplos volumes pela editora Cosac Naify e representa uma produção importante para entender a magistratura do cineasta bem como sua produção cinematográfica. Autor de obras clássicas como Terra em transe e A idade da terra o autor é rememorado numa conversa inédita apresentada

Miacontear - O peixe e o homem

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Por Pedro Fernandes Este conto reitera a linha do fantástico notada em "O homem cadente". Retomando uma passagem do famoso sermão do Padre António Vieira - "O sermão de Santo António aos peixes" - colocada como epígrafe do conto, Mia Couto, no tom de uma anedota daquelas de pescador, dá corda a um narrador que se põe a contar da mania do estranho Jossinaldo. Jossinaldo é um vizinho que tem a também estranha mania de passear de trela com um peixe. Fato que por si o coloca na galeria daqueles sujeitos deslocados do espaço comum - "Jossinaldo era, nos gerais, tido por enjeitado: a cabeça do coitado, diziam, cabia toda num chapéu. E acresce-se que o temiam, sem outro fundamento que essa estranheza do seu fazer."  O fato é que Jossinaldo não se sentindo bem de saúde vem ter com o narrador para que ele, de agora em diante, passe a tomar conta do peixe de estimação. Isso desencadeará uma troca de lugar capaz de ressignificar sua própria existência.

Vincere, de Marco Bellochio

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Por Pedro Fernandes Benito Mussolini (Filippo Timi) e Ida (Vittoria Mezzogiorno), estão arrebatadores em Vincere . O filme foi posto na lista dos dez melhores filmes da década publicada pela especializada revista Cahiers du cinèma . Fez sucesso em Cannes, mas não chegou a convencer o júri do Oscar daquele ano: 2009. E o filme não chegou à lista final. Não é novidade nenhuma. A Academia de Cinema já rejeitou, não uma, mas muitas vezes, vários grandes filmes. E quando chego a dizer grande filme já estou antecipando meu julgamento à película de Marco Bellochio, que tive oportunidade de ver (atrasadamente) numa sessão cinecult. A trama, que apesar de dar contas de um perfil biográfico, não segue uma ordem cronológica usa de um artifício não-inovador mas bastante do comum da narrativa contemporânea. Seu elaborador tem em mãos uma série de materiais e faz uso deles num processo de montagem que à primeira vista parece desorganizado, mas o resultado final é um todo harmônico. C

Notas sobre a aula magna de Ariano Suassuna

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Revirando o baú das postagens do Letras in.verso e re.verso surpreendi-me com uma coincidência de datas. Há exatos dois anos, isto é, em agosto de 2009, eu havia escrito “Ariano Suassuna, os encontros que não tive” ( aqui ). À época o escritor de O auto da compadecida estava em Mossoró para a edição da Feira do Livro. Naquele ano eu estava cursando no meio de um turbilhão de coisas o meu mestrado em Letras e não pude vê-lo, mesmo sendo a Feira do Livro de Mossoró um evento do qual sempre participei assiduamente desde sua primeira edição. O fato é que agora, nesse ano, o encontro aconteceu. À distância de alguns metros, mas eu estava lá para ouvi-lo. Eu que tenho a impressão de que somente eu ainda não tinha assistido uma das suas famosas aulas magna. Primeiro devo contar da minha vizinha de plateia. Que não mediu elogios para dizer que o Agosto da Alegria – evento maior no qual se situa a abertura do seminário feita hoje por Ariano – estava muito organizado. Disse i

Carlos Drummond de Andrade

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É verdade que relutei, não uma vez somente, a publicar uma nota ou uma linha sequer acerca do material biobliográfico do poeta Carlos Drummond de Andrade. Quando adquiri um número da extinta revista Entrelivros que trazia um dossiê sobre o poeta, pensei (na época este blogue ainda respirava muito os ares dos dossiês e das cópias de leituras minhas), pensei em digitar os textos, pelo menos um, da edição em questão. Afinal os nomes de Guimarães Rosa e João Cabral de Melo Neto já haviam sido apresentados por aqui nesse formato. Pois bem, concluía eu um curso sobre a constituição do moderno texto poético na Universidade Federal do Rio Grande do Norte e o dossiê para este blogue acabou sendo descartado. Fui dedicar a escrever o ensaio de conclusão desse curso que, adivinhem, se debruçava sobre a obra poética de Drummond. O ensaio foi escrito e continua ainda meio que inédito ou à espera de publicação. Isto porque os anais do evento em que foi apresentado até hoje não foi publicado de

Quatro dias para Veríssimo de Melo

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Veríssimo de Melo. Imagem: Tribuna do Norte Quem foi Veríssimo de Melo pouco gente sabe. Eu pelo menos só conhecia o nome como prefaciador de alguns textos de outros escritores potiguares que já li. Está aí o déficit da parte de todos e, sobretudo dos estudantes de letras, em relação a determinados nomes e figuras da literatura do estado. Não fosse a reportagem publicada hoje, 20 de agosto, no caderno Viver , do jornal Tribuna do Norte o nome ainda continuaria a figurar apenas como alguém que prefaciou livros como a reedição de O livro de poemas de Jorge Fernandes . Aos desavisados como eu terão agora a oportunidade de saber mais sobre a figura do escritor. Pela passagem dos seus 90 anos que completaria agora em 2011 caso fosse vivo - o escritor morreu em 1996 - está sendo organizado numa parceria entre prefeitura e Capitania das Artes um evento com vasta programação, diga-se, em torno do nome de Veríssimo de Melo. Trata-se da primeira edição do Encontro de Folclore

Super 8, de J. J. Abrams

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Por Pedro Fernandes Fui ao cinema embalado por algumas opiniões sobre esse filme que tem o diretor do seriado Lost - o qual acompanhei por algumas temporadas - e o já famoso nome de Spielberg. E as opiniões se confirmaram. Super 8 é sim uma agradável surpresa aos olhos do telespectador. Apesar de está na produção do filme, assistida metade da trama ou até menos que isso, o telespectador irá perceber que está diante de um discípulo do diretor de E.T. ou mesmo diante de uma homenagem mais que justa àquele que trouxe para as telas, com uma produção diversa, uma forma nova de produção cinematográfica cujo tema seja extraterrestres; sabemos que depois de E.T. Spielberg compôs também do gênero Contatos imediatos do terceiro grau , outra obra que, se não alcança o ápice do seu sucesso primeiro, permanece como uma das suas mais importantes produções. Isso ocorre porque Super 8 aparece empapado das referências de Steven Spielberg. Enredo, fotografia, trilha sonora, enfim, quas