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Mostrando postagens de Setembro, 2017

Boletim Letras 360º #238

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Na postagem 469 do Instagram do Letras oferecemos aos nossos leitores a opção de escolher dois títulos para integrar parte da próxima promoção a ser realizada pelo blog. Esperamos sua opinião. E em breve apresentamos a novidade no âmbito dos nossos 10 anos. Fique atento!



Segunda-feira, 25/09
>>> Brasil: Reedição de Vulgo Grace, de Margaret Atwood
Embalada pelo estrondoso sucesso de O conto da aia (adaptado recentemente como um seriado), a Editora Rocco, amplia o gosto dos leitores que redescobrem a obra de Margaret Atwood com a reedição de Vulgo Grace. A obra também ganhará adaptação como série para TV. O romance foi escrito partir de um caso real ocorrido no Canadá na década de 1840 e conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão, Thomas Kinnear, e a governanta da casa, Nancy Montgomery. A história contada por Margaret Atwood tem início em 1859, quando a protagonista Grace já está presa. James McDermott, també…

O conto da aia, o pesadelo de ser mulher numa teocracia

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Por Emilio de Gorgot


Alguma vez teremos imaginado como seria viver sob o jugo de uma teocracia ensandecida? Pois se não sabe ao certo qual série ver a seguir eis The Handmaid’s Tale (O conto da aia); é a adaptação realizada por Hulu e MGM Televison* de uma obra publicada nos anos oitenta pela respeitadíssima escritora Margaret Atwood (ganhadora, entre outros vários prêmios, do Príncipe de Astúrias de Letras). Para vê-la, melhor escolher um dia bonito e quando estiver com as defesas altas, porque a história que conta, embora fictícia, é temerosa.
A narrativa descreve um futuro distópico em que os Estados Unidos, depois de sofrer uma série de calamidades ambientais, caiu numa ditadura que arrastou toda a sociedade ao terrífico estado de autoritarismo puritano, em que cada âmbito da vida é regido por uma interpretação insana da Bíblia. Uma epidemia de infertilidade tornou poucas mulheres capazes de conceber bebês em “aias”, uma classe social especificamente adestrada para servir nas resi…

Múltipla escolha, de Alejandro Zambra

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Por Pedro Fernandes


Ao falar sobre avaliação que dava acesso à universidade no Chile, o narrador de um dos textos que compõem Múltipla escolha diz que esta era produto de sistema educacional falido; bastava ao estudante “entrar no jogo e adivinhar a pegadinha”. Esta observação recupera a natureza do livro de Alejandro Zambra, uma dentre as experiências literárias mais radicais das criações deste início de século. Este livro é uma encenação da falibilidade da literatura numa era quando à forma e à estrutura não escapam outras alternativas de reinvenção. Marcado pelo discurso fatalista da impossibilidade da narrativa, discurso aliás do qual seguramente o escritor trata de zombar, é uma obra construída como provocação à ordem. Uma ode ao caos e a variabilidade das formas e estruturas estéticas e sociais.
O escritor chileno se apropria de uma estrutura não-literária, um certame objetivo muito em voga no seu país até meados do início deste século – no Brasil, esta avaliação em muito se ass…

Rodin, de Jacques Doillon

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Por Pedro Fernandes


Rodin é uma das figuras mais importantes da arte moderna. De formação clássica e contra esta não ensaiou quaisquer movimentos de rebeldia político-estética, como foi comum a muitos artistas modernistas de seu tempo, preferiu demonstrar a virulência do gênero através da construção de uma obra se tornou revolucionária. Que o escultor francês seja uma referência, uma das mais importantes figuras das artes no entre-séculos XIX e XX, gênio marcado pela sensibilidade inscrita num trabalho que é a um só tempo uma ousada releitura dos temas tradicionais das artes clássicas e uma alegoria celebrativa do corpo ou da genialidade dos homens de seu tempo, ninguém duvidará. Agora, que sua biografia seja dotada dos grandes eventos dramáticos, comuns a quase todos os gênios criadores, é algo a se verificar e, uma das possibilidades, encontra-se no filme de Jacques Doillon.
E a questão é, fora as implicações pelo reconhecimento, os arroubos temperamentais e os embates amorosos, ca…

Sierguéi Iessiênin, o último poeta da aldeia

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Por Jorge Teillier


Uma tarde antes do Natal de 1925 um soturno viajante pedia alojamento no Hotel Angleterre de Leningrado. Durante três dias tranca-se no quarto e cai num estado de embriaguez. Finda por se afogar, não sem deixar escrito com seu próprio sangue um poema que termina dizendo: “Adeus amigo, sem mãos nem palavras / Não faças um sobrolho pensativo. / Se morrer, nesta vida, não é novo, / Tampouco há novidade em estar vivo!”*. Quem se mata aos trinta anos de idade deixando como testamento estas linhas é Sierguéi Iessiênin, considerado juntamente com Maiakóvski e Boris Pasternak o mais importante poeta russo-soviético, sendo os três considerados como destaca Sophie Laffitte “figuras mitológicas contra o fundo apocalíptico da Revolução”.
A vida de Iessiênin começa como uma espécie de conto de fadas. Nasceu no centro da Rússia, na aldeia de Konstantinovo, próximo de Riazán. Filho de camponeses, seus pais o haviam destinado a ser professor primário, mas se recusou a continuar os …

Cinco livros para conhecer a obra de William Faulkner

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O escritor estadunidense William Faulkner (1897-1962) é um dos autores principais da literatura do século XX. Foi muito mais valorizado como romancista na França que em seu próprio país, fascinação europeia que lhe facilitou a obtenção do Prêmio Nobel de Literatura em 1949. Tentou combater sem sucesso na Primeira Guerra Mundial e buscou se estabelecer como poeta (seu primeiro livro, O fauno de mármore, é de poemas), mas logo se veria absorvido por uma febril atividade como romancista. 
Nativo do Mississipi, a monumental obra de Faulkner é sempre caracterizada como regionalista, embora se trate de um regionalismo marcado pela técnica moderna de escrever a James Joyce. Escritor do sul, sua literatura está marcada pelo trânsito dessa sociedade arcaica para uma sociedade moderna e por temas como os embates de classe e raça, o mundo rural, o atraso econômico e a violência. Para dar forma ao seu mundo literário inventou um condado imaginário, Yoknapatawpha. As obras desse ciclo são exemplo…

Boletim Letras 360º #237

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Estamos online com uma nova edição do Boletim Letras 360º, ocasião para revermos quais foram as novidades compartilhadas durante a semana em nossa página no Facebook. 


Segunda-feira, 18/09
>>> Brasil: Vem aí a obra de Liudmila Petruchevskaia
A partir de 2018, os leitores brasileiros poderão ter acesso à literatura de Petruchevskaia em português. A Companhia das Letras, informa a Folha, comprou os direitos de Era uma vez uma mulher que matou o filho da vizinha (título provisório). Uma mulher dá por si a tapar um buraco a meio da noite numa floresta; uma família tranca-se no quarto de forma a combater uma estranha epidemia; um feiticeiro castiga duas belas bailarinas transformando-as numa grotesca performer circense; um coronel é avisado para que não levante o véu da face da sua falecida esposa; e um perturbado pai consegue ressuscitar a filha devorando corações humanos nos seus sonhos. São contos de humor negro, repletos de vinganças, mortes perturbantes e melancolia que estão…