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Mostrando postagens de 2018

O fruto de teu ventre: maternidade e literatura

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Por Grace Morales


É verdadeiramente significativa a quantidade de romances e ensaios recentes sobre mulheres que renegam sua condição de mãe ideal e que questionam os papéis clássicos. Tudo isso, além do carrossel dos produtos infantis... Não saberia dizer se esta polêmica é consequência de um problema real ou um interesse criado pela mídia e por empresas para explorar necessidades pré-fabricadas. O fato é que no passado era muito difícil encontrar um romance centrado na gravidez e no parto; as escritoras têm buscado incluir estes temas ao longo de todo o século XX e na maior parte das situações a partir de posições críticas. Antes, qualquer experiência vital tem se tornado protagonista de uma variedade de livros, mas o ato de ser mãe não foi o centro de nenhuma grande história, exceto enquanto referências secundárias. Em alguns casos dos romances que trazem essa questão, ele aparece ligado à condição de adolescências problemáticas e abordam a gravidez no mesmo nível do alcoolismo ent…

Boletim Letras 360º #271

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Está aberto até a primeira semana de junho o período de inscrições para participar da nova promoção do Letras; o sorteio de Na outra margem, o leviatã – livro de contos de Cristhiano Aguiar acontece em nossa conta no Instagram. A seguir as notícias divulgadas esta semana em nossa página no Facebook


Segunda-feira, 14/05
>>> Brasil: 4321, de Paul Auster
Em meados de 2017 noticiamos que o livro considerado o projeto mais ambicioso do escritor estadunidense estava em tradução por Rubens Figueiredo. O projeto em breve chega às livrarias: em junho – avisa a Companhia das Letras. O que norteia 4321 são questões como o que define uma vida, quais escolhas formam um indivíduo e o que constrói uma identidade. No romance finalista do Man Booker Prize 2017, Archie Ferguson é filho de Stanley e Rose, nascido no dia 3 março de 1947. Este é o único dado indiscutível de sua biografia, já que neste romance se constrói não uma trajetória, mas quatro diferentes percursos de vida trilhados por …

Como nasce e renasce um leitor

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Por Rafael Kafka



Comecei a ler nessa semana Servidão humana, de Somerset Maugham, e escolher a opção de leitura de um livro por vez – tomada após um infeliz acidente com meus óculos causado por uma mente acelerada, cansada e desatenta – me levou a perceber detalhes do gesto de ler muitas vezes ignorados por nós quando nos propomos, com nossa mente academicista e utilitarista demais em tempos pós-modernos, a nós ocuparmos com diversas leituras.
Muitas vezes o tempo de leitura mais focado garante que uma cena, por si só, garanta a nós um profundo prazer estético e intelectual por conta de sua dimensão existencial e reveladora. Na leitura multifocal acabamos perdendo muito disso, pois com a pressa ou não sentimos plenamente a poesia desta ou daquela cena ou frase ou não nos permitimos refletir e sentir tal dimensão, produzindo nós mesmos nossos pensamentos e textos que merecem ser compartilhados com outros leitores ávidos de debates de ideias e impressões.
Nesse sentido, considero a cen…

Tirza, de Arnon Grunberg

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Por Pedro Fernandes


A vida que se esconde no subsolo. Esta é uma definição acertada para Tirza, deArnon Grunberg. Este é um romance que volta a algumas das obsessões do escritor, sobretudo aquela que poderíamos designar como o impasse entre culturas num estágio da civilização ocidental em que essa se vangloria de que as relações globais é sua maior conquista depois de instaurada as fronteiras de nação e de identidade nacional. Mas, nele, o holandês se debruça a investigar o complexo das relações de posse imposto por um modelo familiar segundo o qual os pais têm sobre os filhos uma responsabilidade desmesurada de prepará-los para mundo e em parte alimentados pelo desejo de não perecerem, no futuro, do abandono e do esquecimento.
Nesse ínterim, a personagem Jörgen Hofmeester é um retrato ideal através do qual se pode avaliar agudamente a condição em que a posse é tornada obsessão individual ao ponto de toda uma existência ser canalizada para o que, aos olhos do mandatário, é um mero ex…

Vinte e uma obras recentes do romance francês

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Jean Marie-Gustave Le Clézio ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2008; seis anos depois, um compatriota seu, Patrick Modiano, recebia também o galardão mais importante das letras. A França foi a terra de Stendhal, Balzac, Flaubert e na atualidade continua tendo uma diversidade de romancistas de primeiro nível. Embora nem sempre sejam nossos conhecidos, pela maneira tímida como suas obras circulam por aqui, a lista a seguir chama atenção para o que podemos dizer "estes são nomes do primeiro quartel do século XXI para se ter em conta".
É impossível ficar só num romance de Modiano, mas muitas de suas obsessões estão nas páginas que circulam no Brasil, que, muito recente recebeu duas trilogias do escritor: Para você não se perder no bairro (Ronda da noiteUma rua de Roma, vencedor do prestigioso prêmio Goncourt em 1978, e Dora Bruder) e Essencial (Flores da ruína, Remissão da pena e Primavera de cão).
Algo semelhante acontece com Le Clézio, que nesta lista é apresentado co…