Boletim Letras 360º #254

O ano para nós já tem data para começar: 29 de janeiro. E começará com novidades. Em meados do 2017, fizemos uma chamada nas redes sociais, apesar das portas desta casa estarem sempre abertas para novos colaboradores, para selecionar colunistas para o Letras. Recebemos e-mail de 65 pessoas interessadas; destas, 19 responderam ao nosso retorno; e 3 chegaram ao final da seleção. A partir deste ano contaremos com Luiz Mendes, Guilherme Mazzafera e Wagner Silva Gomes. Mas, se você é um interessado em fazer parte do clube, recomendamos ler nossa proposta editorial aqui. Vamos que vamos!

Poesia completa de Sophia de Mello Breyner Andresen é publicada pela primeira vez no Brasil. Mais detalhes ao longo deste Boletim.

Segunda-feira, 15/01

>>> Brasil: Livro do pai do epigrama ganha nova tradução e edição

O epigrama é uma forma poética breve, marcada pelo estilo satírico e engenhoso; Epigramas compila 219 poemas de Marco Valério Marcial. O tema principal dos Epigramas é Roma, a cidade onde vivia o poeta, mas a antologia agora apresentada reúne uma variedade de poemas: sobre amor e amizade, sobre a boemia, reflexões sobre a escravidão, sobreviver o presente, além de epitáfios tocantes e epigramas metapoéticos, em que o poeta reflete sobre sua própria condição de autor. As traduções foram feitas diretamente do latim por Rodrigo Garcia Lopes: "Se há alguma musa na poesia de Marcial, ela se chama Roma: é da cidade que ele tira sua matéria-prima. Como um dublê de poeta-humorista-colunista-cronista social — munido de uma câmera portátil e verbal, o epigrama — ele nos convida a espiar os espaços públicos e privados de Roma no século I em todas as suas contradições", afirma o tradutor. Com projeto gráfico de Gustavo Piqueira, o livro é publicado pela Ateliê Editorial.

>>> Brasil: A poesia completa de Sophia de Mello Breyner Andresen chega às livrarias brasileiras

É a primeira vez que uma das maiores poetas portuguesas terá sua obra poética completa publicada no Brasil. Até então só alguns dos livros para criança foram publicados pela extinta Cosac Naify. A Tinta-da-china Brasil há muito fechou um acordo com os herdeiros da autora para a empreitada, mas precisava de um aval da Companhia das Letras que comprou os direitos no país para publicar uma antologia da poeta. Acordo feito, a obra de Sophia começa a circular a partir deste ano e a edição da Companhia, que é organizada por Eucanaã Ferraz, sai em março.

>>> Estados Unidos: Todas as 66 páginas de um herbário composto pela poeta estadunidense Emily Dickinson podem ser vistas online

A Biblioteca da Universidade de Harvard é a responsável pela digitalização do material. A coleção científica reúne mais de 400 espécies secas em um álbum de capa dura, catalogadas à mão pela poeta ora com o nome comum, ora com o nome científico. As plantas foram coletadas por Dickinson de seus 9 aos 16 anos, entre 1839 e 1846. A idade com que ela deu início ao herbário coincide com o começo de seus estudos de botânica. Até a digitalização, o herbário de Dickinson estava praticamente indisponível para o grande público. O exemplar original se encontra na sala dedicada à autora da Biblioteca Houghton de Livros Raros da Universidade de Harvard, mas suas condições são tão frágeis que mesmo estudantes têm sido proibidos de examiná-lo. Uma edição facsímile lançada em 2006 também está esgotada, cotada atualmente entre mil e dois mil dólares na Amazon. Disponível aqui.

Terça-feira, 16/01

>>> Brasil: Mais títulos na reedição da obra de Albert Camus

O trabalho que se iniciou em 2013 com a apresentação de uma edição em capa dura de O estrangeiro ficou pelo caminho e só foi retomado em 2017; agora, já noutro formato. Na ocasião saíram os títulos mais conhecidos do escritor A queda, A peste, O estrangeiro e O homem revoltado. Agora, no início de 2018, uma leva de outros títulos já está em circulação nas livrarias brasileiras; são eles O mito de Sísifo, O avesso e o direito, O exílio e o reino e Diário de uma viagem. Destes, os três últimos são os que há muito estavam fora de catálogo; não eram reeditados desde a década de 1990. Todos pelo Grupo Editorial Record.

>>> Holanda: Apresentado desenho inédito de Van Gogh

Intitulado "A colina de Montmartre com uma pedreira" e datado de 1886, da época quando o artista estudou em Amberes, descreve a apresentação. Embora não seja um trabalho preparatório de um quadro, o desenho recorda uma tela de mesmo título pintada no mesmo ano. Axel Rüger, diretor do museu Van Gogh, sublinha a confirmação dos especialistas. A apresentação foi no Museu Singer, de Laren (centro do país). O pintorrealizou mais de 900 desenhos e restam cinco cadernos de esboços datados a partir de 1970. Este é o nono desenho descoberto fora desse catálogo juntamente com outras sete pinturas. O desenho apresentado estava desde 2013 com os estudiosos. O museu de la capital holandesa assegura que a peça fez parte da coleção de Theo van Gogh, irmão do artista. A viúva de Theo, Johanna, vendeu o desenho exibido pela primeira vez agora em 1917 e desde então havia desaparecido. Um levantamento sobre a história de "A colina..." atesta que foi repassado no mesmo ano da venda para John Fentener van Vlissingen, um dos empresários mais importantes da Holanda de então.

Quarta-feira, 17/01

>>> Brasil: Mais o melhor do erotismo. Uma antologia do conto erótico brasileiro

A ideia é da professora e crítica literária Eliane Robert Moraes. A seleção vai do século XIX até por volta de 1930. Entre os autores mais lembrados da nossa literatura selecionados já estão Álvares de Azevedo, Machado de Assis, Bernardo Guimarães; dos menos lembrados, Afonso Arinos e Coelho Neto. Destes, a organizadora destaca dois textos como achados, "A esteirinha" e "Os velhos". A antologia é publicada pelo selo editorial do Suplemento Pernambuco. Eliane Robert Moraes foi quem organizou a conceituada Antologia da poesia erótica brasileira, publicada no Brasil pela Ateliê Editorial.

>>> Brasil: Herman Hesse ensaísta

Com a maturidade fica-se mais jovem reúne alguns dos últimos textos de Hermann Hesse. O escritor se dedica com lirismo ao último desafio de sua longa vida: aceitar graciosamente a velhice e a proximidade da morte. Os textos reunidos nesta antologia são histórias cheias de referências a experiências pessoais, autoanálise e confissões literárias. A influência de Nietzsche, o conhecimento da psicanálise, a austeridade religiosa e o ceticismo subsequente estão representados em impressões sobre a efemeridade e a transitoriedade do mundo. A tradução de Roberto Rodrigues sai pela Grupo Editorial Record.

Quinta-feira, 18/01

>>> Brasil: O livro de Ana Teresa Pereira

Quando noticiamos sobre a ganhadora do Prêmio Oceanos em 2017, dissemos que Karen, a obra que deu à escritora portuguesa esse galardão, sairia em 2018 pela Todavia Editora. Aí está. Trata-se de uma engenhosa trama sobre personalidade, memória e casamento. Uma mulher prestes a fazer 25 anos acorda numa cama que não reconhece, numa casa que não lhe parece íntima, entre pessoas que a "conhecem" mas afirmam entender sua confusão momentânea. Chama-se – ou pelo menos é como a chamam – Karen. Ela é casada com um escritor de família arruinada, está com alguns ferimentos porque, assim lhe dizem, arriscou-se para o outro lado escorregadio e pedregoso de uma cascata. Seu presente, assim com o próprio passado, dão à narrativa, pela imprecisão, o tom de uma alucinação.

>>> Brasil: Sobre isto, de Maiakóvski ganhará edição

Letícia Mei, a tradutora do texto, é autora de uma dissertação onde apresenta pela primeira vez a tradução do poema do poeta russo no Brasil. Na descrição e apresentação do texto de Maiakóvski, Mei diz que trata-se de um poema que "foi escrito entre dezembro de 1922 e fevereiro de 1923, possui 1.813 versos e foi publicado pela primeira vez na edição de estreia da revista LEF, criada e dirigida por Maiakóvski. A despeito da animosidade da crítica, muitos o consideraram a obra mais bem trabalhada do poeta, inclusive ele mesmo. O poema defende um novo amor condizente com a revolução e a nova sociedade, critica o individualismo da família tradicional e o filistinismo pequeno burguês. A revolução reflete-se nas imagens e formas empregadas na composição que tornam Sobre isto a súmula da poética de Maiakóvski". A obra sairá pela Editora 34.

Sexta-feira, 19/01

>>> Brasil; As metáforas usadas para descrever os leitores, passando por 4 mil anos de história

A obra saiu nos últimos minutos de 2017. O leitor como metáfora, é mais um ensaio do argentino Alberto Manguel que trata sobre as potencialidades do livro e as relação assumidas com esse objeto pelos leitores. Tanto quanto se pode dizer, os seres humanos são a única espécie para a qual o mundo parece composto de histórias, escreve Alberto Manguel. Lemos o livro do mundo de muitas formas: podemos ser viajantes, avançando através de suas páginas como peregrinos que se dirigem para a iluminação. Podemos ser reclusos, retirando-nos através da nossa leitura em nossas próprias torres de marfim. Ou podemos devorar nossos livros como traças, não para nos beneficiarmos da sabedoria que eles contêm, mas apenas para nos enchermos de inúmeras palavras. A tradução de José Geraldo Couto é editada pela Sesc Editora.

>>> Brasil: Uma antologia com poemas de Yehuda Amichai

Mesmo sendo considerado um dos grandes autores israelenses, a obra do poeta que morreu em 2000 é praticamente inédita no Brasil; Millôr Fernandes chegou a verter vários poemas de Amichai (leia alguns aqui), mas os herdeiros responsáveis por sua obra, sempre exigiram a tradução direta do hebraico. Este ano, a Editora Bazar do Tempo anunciou que publicará uma antologia seguindo esse desejo. Quem vai traduzir é Moacir Amâncio, professor do Departamento de Letras Orientais da Universidade de São Paulo.

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