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Mostrando postagens de Fevereiro, 2018

Boletim Letras 360º #259

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Este boletim é o ponto final de mais uma semana do Letras. E, aproveitamos esta ocasião quando recuperamos todas as notícias que foram divulgadas em nossa página no Facebook para adiantar que na próxima semana neste blog a segunda estreia de novo colunista. Esperem e não se arrependerão —é só o que temos para dizer.



Segunda-feira, 19/02
>>> Brasil: Kyra Kyralina, de Panaït Istrati ganha edição por aqui
Há muito que a obra do escritor romeno não circula no Brasil; títulos como Mediterrâneo: nascer do sol e Eis vida datam dos anos 1930 e 1940, respectivamente, estão, desde então fora de catálogo. Kyra Kyralina foi publicado pela primeira vez em 1923, dois anos depois da tentativa frustrada de Istrati de se suicidar e nunca chegou por aqui. Este é o primeiro livro do ciclo Adrien Zograffi. Este livro o levou a ser aclamado como o Górki dos Balcãs. O protagonista da narrativa é Stavro, o primeiro gay proletário da história literária, na pesquisa itinerante de sua irmã Kyra Kyrali…

Magnólia

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Por Rafael Kafka


Acordo pela manhã aliviado por voltar ao trabalho. Três semanas em casa, preso pela chuva, pela folga e pelo trânsito ruim me fizeram entender perfeitamente que por mais que ame o sossego eu gosto mesmo de me sentir em movimento. Em certos momentos, penso que gostaria de ter um dia dobrado em duração ou não ter de dormir tanto para me sentir descansado na manhã seguinte.
Coloco os livros na mochila e sigo para a escola em um dia ideal qualquer. Passo horas falando e discutindo com alunos sobre diversos temas, usando a língua portuguesa e a interpretação de texto como pretextos para convite ao pensamento crítico da realidade. Cada fala deles me faz pensar em algum pensador ou escritor já lido por mim. Hoje mesmo, um aluno falou em níveis de homofobia e me fez pensar no conceito de violência simbólica, o qual me remete demais a Pierre Bourdieu. Outra aluna, começa a falar das “mulheres de malandro” e de como as julgamos sem entender que elas, quase sempre, não tem como sa…

Laços, de Domenico Starnone

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Por Pedro Fernandes


A que ponto somos determinados pelo outro? Qual a força dos laços que casualmente se formam entre nós e os outros? Ao que nos submetemos para manutenção de uma ordem de dominação cujas linhas são apenas aparentemente inofensivas aos rumos de nossas vidas? Como seria nossas vidas se as relações que agora mantemos não fossem essas mas outras? Estas são perguntas que se formam ao longo da leitura de Laços, um romance que se filia a uma tradição em formação na prosa romanesca contemporânea, que poderíamos designar como literatura sobre os afetos.
Numa época quando a condição do amor foi institucionalizada pela mecânica da jurisprudência e seus desenlaces explicados de maneira diversa pela psicanálise este sentimento de natureza romântica que dominou vigorosamente a cena literária desde há muito, parece desvanecer. Claro que é o amor o elemento mobilizador dos imbróglios entre pessoas dentro e fora da ficção, mas este ganha agora outros tons que o distanciam da nobreza…

Lady Bird, de Greta Gerwig

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Por Pedro Fernandes


Há dois filmes encantadores que o expectador pode lembrar o nome da diretora de Lady Bird: Frances Ha, de Noah Baumbach e Para Roma com amor, de Woody Allen. Sua escola, portanto, não é para malnascidos e aí está a resposta para a pergunta por que este filme, o primeiro dela como diretora, nos encanta tanto. Com uma matemática simples, que somam esses dois títulos nos quais Greta Gerwig foi atriz, chega-se à síntese de Lady Bird.
O filme também acrescenta e muito na filmografia sobre o tema da transição entre a adolescência e a vida adulta num território, como é recorrente em outros, onde a predominância dessa narrativa é com personagens masculinas. Quer dizer, durante muito tempo foi comum tratar sobre os medos, os anseios, as relações familiares, as incertezas da vida sexual, de garotos. Há uma extensa lista que inclui do drama à comédia e reflete sobre, portanto, por ângulos diversos. Muitas gerações de não-homens, logo, cresceram sem a alternativa de se verem …

As primeiras detetives da literatura

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Por Carmen Morán

Não acreditem que mulheres detetives ou investigadoras são coisas da literatura policial de nossos dias. De maneira alguma. Tampouco foi esgotado seu modelo com Agatha Christie. O diário de Anne Rodway, publicado por Wilkie Collins em 1856 não só figura como a primeira história protagonizada por uma mulher detetive como a impulsionadora a que escritoras se incorporassem a este gênero um quarto de século depois de iniciar os famosos crimes da Rua Morgue, de Edgar Allan Poe, em 1841. Muitas delas incluíram investigadoras em seus relatos. Foram as primeiras detetivas, vale a pena o uso do termo, num mundo em transformação onde também começa a existir tais figuras de carne e osso.
Aquelas personagens (as mulheres detetives) romperam os princípios engessados da época vitoriana, driblando as convenções e os papéis estabelecidos. Algumas porque eram pobres e necessitavam de dinheiro para levar para casa, outras porque eram ricas e faziam o que lhe davam na telha e todas merg…

Ensaio sobre a obra "Plantar rosas na barbárie" Luís Serguilha

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Por Ana Maria Oliveira




Luís Serguilha, poeta argonauta, expande-se como explorador de enigmas espaciais avançando no seu registo como prospetor de subterrâneos linguísticos, submergindo no abismo oceânico. A sua escrita explora fissuras e avalanches sendo fruto de um permanente olhar vigilante, precursor de terrenos insondados, denunciadores da mutação existencial.
O poeta desprovido de ego, mente espontânea e aberta, transformante invasor de amplitudes, acede à distensão do acontecer. Metamorfoseia-se com o mundo, distanciando-se do humano. Torna-se viajante e arqueólogo, mantendo sobre os espaços e tempos, um enxergar multidimensional, onde o surgimento de reentrâncias de ligação, provoca a interdependência entre o poeta e geografias díspares. 
A palavra para Serguilha tatua-se como veículo instigador de saltos quânticos, onde simbologias primitivas acenam, como hélices originadas por sinapses em conexões atemporais. Labirintos transformam-se num alastramento de fractais onde porvent…

Boletim Letras 360º #258

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Amigos, que acompanham o divulgam o trabalho do Letras in.verso e re.verso, somos só agradecimentos; nossa página no Facebook alcançou esta semana os 70 mil amigos. Será que chegamos aos 100 no fim de 2018? Será? Ansiosos. Bom, a seguir estão as notícias que esta semana circularam por lá; vejamos.


Segunda-feira, 12/02
>>> Estados Unidos: Um software de caçar plágios de estudantes encontra uma possível fonte para peças de William Shakespeare
Os pesquisadores estadunidenses Denis McCarthy e June Schlueter publicam um estudo que aponta um manuscrito nunca publicado de finais do século XVI como fonte para Ricardo III, Henrique V, Macbeth e outras oito peças de Shakespeare. Para chegar a estas conclusões utilizaram um programa muito popular entre pesquisadores universitários para buscar plágios: o software WCopufind. A fonte é A Brief Discourse of the Rebellion and Rebels, de George North. O professor emérito da Universidade de Chicago e editor da obra de Shakespeare, David Bebing…