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Mostrando postagens de Março 13, 2018

Que fazemos com “Lolita”?

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Por Laura Freixas


Medo e hostilidade: é a reação de muitos ante o movimento #Metoo, isto é, ante o feminismo aplicado à cultura. Criadores, intelectuais se mobilizam pela liberdade de criação; tem que a ideologia se imponha sobre a qualidade como critério máximo; e afirmam o direito da arte de representar o mal.
Este último argumento me parece o mais interessante e é nele em que vou me concentrar. Não podemos exigir, nos dizem quem assim pensa, romances, filmes, óperas que pintem um mundo mascarado, politicamente correto, com personagens positivistas e ações moralmente não reprováveis. A arte que assim se porta seria falsa. Tomemos, por exemplo (é de fato seu exemplo favorito) Lolita: a história de um homem de meia-idade, Humbert Humbert, que gosta de meninas. O mundo, nos dizem, está cheio de Humberts. Que ganharíamos censurando seu reflexo literário?
Aceito de imediato: tomemos Lolita. E o que primeiro vejo é uma história de violência exercida por um homem contra uma mulher. O curio…