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Mostrando postagens de Janeiro, 2019

Com armas sonolentas, de Carola Saavedra

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Por Fernanda Fatureto


Carola Saavedra, escritora brasileira nascida no Chile, afirmou em um artigo seu para a revista Claudia de setembro do ano passado que é urgente tomar posse do próprio corpo, da nossa alma e da nossa história: “Quem somos? É urgente começar a contar a própria história”, afirma. É justamente o que a escritora busca em seu mais recente livro – Com armas sonolentas, publicado pela Companhia das Letras em 2018.
O título remete ao verso “com armas sonolentas” do poema “Primeiro sueño” de Sor Juana Inés de la Cruz, poeta mística nascida no México do século 17. No livro de Carola Saavedra há esse diálogo com o insondável e o onírico numa trama que narra a vida de três mulheres ligadas pela maternidade. Dividido em duas partes, conhecemos as histórias independentes de Anna Marianni, Maike e a Avó.
Anna – uma atriz sem fama em busca de reconhecimento que mora no Rio de Janeiro e tem a chance de conhecer um prestigiado cineasta alemão, com quem se casa e muda para a Aleman…

Walt Whitman. Vida e aventuras de Jack Engle

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Por Rafael Narbona


Poeta de uma nação ou poeta dos que estavam à margem? Foi dito que Walt Whitman (Nova York, 1819 – Nova Jersey, 1892) era um “vagabundo semidivino” (Borges), “um magnífico preguiçoso”, um jornalista marcado pelo fracasso, um copista negligente, um professor sem vocação, um bêbado de bom coração, um libertino. Nada disso o impediu de se tornar um poeta da democracia estadunidense, a voz profunda da América livre e inconformista. Folhas de relva (Leaves of Grass) é a Ilíada do Novo Mundo, a Divina comédia do jovem e insolente continente, o Dom Quixote de um país que ainda sonha com a última fronteira. Para Whitman, a democracia é a religião do povo estadunidense. Não se trata de uma fé pagã, mas de um misticismo libertador que combate o fanatismo e a tirania. Deus, a Natureza e o Homem compõem um todo indissociável que merece ser cantado e celebrado.
Sacerdote do otimismo, Whitman nunca experimentou as dúvidas de Hamlet ante a caveira de Yorick. O célebre poema “Canç…

Os muitos Eliot

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Por José Luis Rey


T. S. Eliot (1888-1965) nasceu em St. Louis, no Estado de Missouri. Ingressou em Harvard em 1906 e foi discípulo de Irving Babbitt. Aí também recebeu a influência do antirromantismo então em voga em Havard, da filosofia de Santayana e se uniu ao entusiasmo de certos círculos da universidade pela poesia isabelina, o Renascimento italiano e a filosofia mística indiana. Escreveu um longo trabalho de conclusão de curso sobre o filósofo F. H. Bradley, cuja ênfase na natureza privada da experiência individual teve peso considerável no imaginário criativo eliotano.
Mais tarde, o poeta estudou literatura e filosofia na França e na Alemanha, antes de ir parar na Inglaterra no início da Primeira Guerra Mundial. Estou filosofia grega em Oxford, ensinou numa escola de Londres e obteve o posto no Banco Lloyd’s. Em 1915 se casou com a escritora inglesa Vivienne Haigh-Wood, casamento condenado ao fracasso que se refletiria, por exemplo, em A terra devastada, seu célebre livro de 1…

J. D. Salinger, o escritor ausente

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Por Marta Ailouti

Contra os desejos do próprio J. D. Salinger (Nova York, 1919 – New Hampshire, 2010), seu nome continua gerando ruído até hoje. Zelosamente obcecado por sua vida privada, a forte recusa à exposição pública marcou a vida deste escritor que, apesar de propiciar muitas querelas e erguer muros, pôde viver isolado seus últimos quarenta anos num sítio de Cornish. “Se eu fosse um pianista, ou ator, ou coisa que o valha, e todos aqueles bobalhões me achassem fabuloso, ia ter raiva de viver. Não ia querer nem que me aplaudissem. As pessoas sempre batem palmas pelas coisas erradas. Se eu fosse pianista, ia tocar dentro de um armário” – escreveu em O apanhador no campo de centeio, quase como uma profecia.
J. D. Salinger gostava, dizia ele, de escrever. E nada mais. Nascido em 1 de janeiro de 1919 numa família bem-colocada socialmente que se dedicava à importação de carnes e queijos europeus, publicou seu primeiro conto, “The Young Folks”, em 1940 na revista literária Story. Cons…

Boletim Letras 360º #307

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Depois de enviarmos os brindes referentes à nossa última promoção: sorteamos entre os leitores que participaram de uma enquete de fim de ano que pedia para responderem sobre o melhor livro que leram em 2018: já preparamos o próximo sorteio que será uma edição do esperado Grande sertão: veredas (no trabalho da Companhia das Letras). Na segunda-feira, 28, voltamos com as publicações diárias aqui no blog. E, não deixamos de lembrar que recebemos inscrições de interessados em participar do Letras como colunista – todos os detalhes sobre estão neste link. Bom, a seguir as notícias que copiamos esta semana em nossa página no Facebook.


Segunda-feira, 21/01
>>> Estados Unidos: Encontrado Thomas Pynchon. Mas ele estava desaparecido?
O tabloide sensacionalista National Enquirer publicou a primeira foto de Pynchon em 20 anos e agora uma para o arquivo das quatro que circularam em mais de meio século de carreira. Vangloriaram-se do feito com o relato do fotógrafo: “Foi alucinante! Quase …

Da ternura

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Por Guilherme Mazzafera



Perdura a ternura? Ou esvai-se, oblíqua, no meneio do relâmpago?
Há pessoas que a perdem pelo caminho, sobrando, quem sabe, esmigalhado resíduo, como no rufião de Drummond. Seria ela, ternura, disposição anímica?
Terno: aquele que inspira afetos ou que porta, no corpo, uma tristeza esgarça, desvanecida?
Terno: vestimenta rígida, compulsória em casamentos e velórios, nos quais se vela a disposição pública de sentimentos. Rigor mortis aeternus.
Em verdade vos digo, sem ternos não haveria carpideiras. Suit up, diz obsessivamente um personagem de How I met your mother. Suit, verbo, traz em si o fole da adequação – juntas de bois em uníssono? –, mas, em outro, o clamor por justiça. É querela, contenda com o eternizado desencanto do mundo.
Ternura – Tenrura: simples inversão de sons, mas que enrola a língua, dizendo em volteios do que é fresco, viçoso, mas também delicado. A ternura, quando emerge, é tenra. Mas há algo de ter-ror em ten-ro, na maciez da carne jove…

Boletim Letras 360º #306

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Iniciamos na sexta-feira, 18 jan. '19, uma chamada para novos colaboradores para o blog. Se você gosta de escrever sobre os livros que lê, ou é amigo de alguém que tem esse interesse, basta conhecer nossa proposta editorial e pode participar. Todas as informações necessárias estão disponíveis neste endereço. Esperamos ansiosos sua inscrição. A seguir, as notícias que copiamos esta semana em nossa página no Facebook. 


Segunda-feira, 14/01
>>> Itália: Encontrada uma cópia de A última ceia, obra-prima de Leonardo da Vinci
Está no convento dos capuchinhos de Saracena, comuna da região da Calábria, província de Cosenza, na Itália. A imitação da obra que Leonardo da Vinci realizou no convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão, de acordo com o jornal Corriere della Sera, estava no refeitório do monastério e ainda se desconhece o autor e a época em que foi realizada. O recinto data de 1588 e só possível chegar até ele a pé. O lugar teve certa importância entre os séculos XVII…