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Mostrando postagens de Fevereiro, 2019

Nadando de volta para casa, de Deborah Levy

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Por Fernanda Fatureto


O passado, em alguns casos, carrega uma carga pesada demais. Superar os fatos e seguir em frente é uma decisão individual. Encontrar as respostas do que se viveu na poesia pode ser uma saída plausível para suportar a dor, mas nem todos conseguem sublimá-la. É o que acontece em Nadando de volta para casa – novela da escritora britânica Deborah Levy publicada no Brasil em 2014 pela Editora Rocco.
O enredo conta a história do poeta inglês Joe Jacobs, de sua mulher Isabel Jacobs e de sua filha Nina ao passarem as férias numa casa alugada da Riviera Francesa. Em um dia de sol na piscina, encontram uma intrusa nadando: Kitty Finch, uma jovem botânica aspirante à poeta chega sem avisar enquanto a mulher de Joe a convida para ficar. Mas Kitty estava à procura do famoso poeta. Ela veio lhe mostrar seu poema – Nadando de volta para casa. Kitty Finch nascera em Londres e passou alguns meses internada por uma crise de ansiedade. O passado de Kitty era pesado demais para Joe…

John Steinbeck muito além da ira e do Éden

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Por Roberto Breña
Para Ale, razão porque Steinbeck é significativo; A René, por sua amizade


“Sempre me pareceu muito estranho. As coisas que admiramos nos homens, bondade e generosidade, franqueza, honestidade, compreensão e sentimento são os elementos do fracasso em nosso sistema. E as características que detestamos, astúcia, ganância, cobiça, mesquinharia e egoísmo, são os fatores do sucesso. Enquanto os homens admiram as qualidades que citei, adoram o resultado das outras características.” John Steinbeck, A rua das ilusões perdidas

Exceto As vinhas da ira e Ao leste do Éden, os dois grandes romances de John Steinbeck (1902-1968), e duas de suas narrativas mais longas, Ratos e homens e A pérola, praticamente todo o resto da extensa obra desse autor é pouco conhecida e diria pouco lida. “Pouco lida” é uma expressão necessariamente subjetiva, inverificável e que, além disso, é quase anódina num mundo em que os “grandes escritores” são cada vez menos lidos. Em todo caso, meu propósito …

Antonio Machado, poesia e filosofia

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Por Juan Malpartida


Antonio Machado foi o poeta de língua espanhola mais próximo à filosofia e que, por outro lado, mais profundamente viveu a lírica como problema. Embora não a partir de sua poesia e sim de sua prosa. O poeta, no sentido profundo, além de alguma observação em verso, ou algum poema tardio de caráter metafísico, parece ignorar o prosador, que é em quem – e nisto concordo com alguns enquanto discordo de outros – está sua verdadeira modernidade. A originalidade reflexiva de Machado, acredito, radica no que desperta a partir de seu interesse por Kant, especialmente pelo deslocamento que levou a cabo a uma maior subjetividade, depois de Descartes situar o pensar como fundamento do eu. A liberdade, a coisa em si, é algo no qual podemos pensar mas não é compreensível, só acessamos intelectualmente o mundo fenomenológico. Além disso, Kant afirmou o elemento interpretativo da mente humana, que projeta fora o que leva no seu interior. Num texto autobiográfico de 1913, Machado n…

Uma tentativa de descobrir as leis da literatura

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Por Joshua Rothman


A crítica literária deve ser uma arte ou uma ciência? Um tanto considerável depende da resposta a essa pergunta. Se você é um graduando em Língua Inglesa, o que você deve estudar: um idiossincrático grupo de escritores que por acaso te interessam (arte) ou história e teoria literárias (ciência)? Se você é um professor de Literatura Inglesa, como deveria aproveitar seu tempo: produzindo “leituras” de obras literárias que lhe são importantes (arte) ou buscando padrões que moldam formas e padrões literários inteiros (ciência)? Diante dessa questão, a maioria das pessoas tenta dividir a diferença: se você se conecta à crítica como uma arte, tome algumas aulas teóricas; se você se conecta a ela como ciência, encare bravamente algumas leituras cerradas (O artigo de Louis Menand sobre Paul de Man, na New Yorker dessa semana, cita o crítico Peter Brooks, que lembra como de Man podia “sentar em frente a um texto e arrancar coisas mágicas dele”). Quase ninguém, enquanto isso,…

Boletim Letras 360º #311

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No dia 25 de fevereiro sortearemos um leitor do Letras para levar um exemplar da nova edição do Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa. Interessados em participar podem visitar nossa página no Facebook. Já na quinta-feira disponibilizaremos um novo sorteio e será,  para aguçar a curiosidade outro lançamento da obra da reedição da obra de Tolkien. Além de brindes legais, não deixe de acompanhar o Letras por outro motivo, este mais nobre: saberes e sabores do literário. Aqui e em todas as nossas redes. Abaixo uma pequena amostra sobre as informações que circulam em nossa página no Facebook. 


Segunda-feira, 18/02
>>> Brasil: O nervo do poema, uma antologia para Orides Fontela
A antologia organizada por Patrícia Lavelle e Paulo Henriques Britto reúne releituras contemporâneas da poesia de Orides Fontela e poemas que, como os dela, exploram as inervações reflexivas das imagens poéticas, criando "logopeias". Esboça-se, assim, um panorama das retomadas e releituras da p…