Boletim Letras 360º #312

Guimarães Rosa. Segundo título da reedição da obra do escritor nas livrarias a partir da segunda quinzena de março. 


Na segunda-feira, 25 fev. ’19, realizamos nova promoção na página do Letras no Facebook: um leitor de Minas Gerais levou um exemplar da nova edição de Grande sertão: veredas, esta que foi disponibilizada no mesmo dia pela Companhia das Letras. E já preparamos mais dois novos sorteios. O leitor fique atento. Neste Boletim, além de copiarmos as novidades que circularam em nossa página no Facebook, encontrará algumas novidades: selecionamos postagens de destaque do blog (entrada que chamamos por lá e, agora aqui, de Baú de Letras); três recomendações de leitura; e materiais de destaque apresentados noutros canais do blog nas redes sociais. Tudo para deixá-lo ainda mais próximo de nós.

NO FACEBOOK

Segunda-feira, 25 fev.

Em 2020 se publica uma fotobiografia do poeta João Cabral de Melo Neto

No próximo ano, passam-se 100 anos do nascimento de João Cabral; para assinalar a data, a Verso Brasil Editora, que já publicou duas joias do poeta, Aniki Bobó e Joan Miró, apresentará uma fotobiografia para o autor de Morte e vida severina. O livro reúne fotografias inéditas de viagens a lugares como o norte da África e registros poucos vistos como uma foto com Murilo Mendes, em Cuenca, na Espanha. O trabalho é organizado pelo poeta Eucanaã Ferraz. E chega às livrarias no segundo semestre de 2020.

As leituras de José Ortega y Gasset do Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, deram nessas meditações

Ortega y Gasset foi um distinto filósofo e escritor espanhol, um dos mais prolíficos de todo o século XX. Ao longo de sua carreira, também exerceu as atividades de ensaísta, crítico cultural, teórico social, educador, político e editor do influente jornal espanhol Revista de Occidente. Autor de uma escrita brilhante e envolvente, tratou de uma vasta gama de assuntos e problemas, sempre com uma extraordinária agudeza de espírito. Meditações do Dom Quixote anuncia, como diz o autor, "ensaios de vária lição e não muitas conseqüências". Versam sobre diversos temas e são para o autor modos diversos de exercitar uma mesma atividade, de dar vazão a um mesmo afeto: "O afeto que me move é o mais vivo que encontro em meu coração. Ressuscitando o lindo nome que usou Espinosa, eu o chamaria amor intellectualis. Trata-se, pois, leitor, de uns ensaios de amor intelectual". Neles o autor adota o seguinte procedimento: dado um fato — um homem, um livro, um quadro, uma paisagem, um erro, uma dor —, trata de levá-lo pelo caminho mais curto à plenitude do seu significado. Nesta que é talvez uma de suas obras mais famosas — e a primeira que publicou —, Ortega y Gasset propõe aos leitores mais jovens que expulsem de seus ânimos todo hábito de odiosidade e aspirem fortemente à volta do amor em administrar o universo. Para fazê-lo, não faz senão apresentar-lhes sinceramente o espetáculo de um homem agitado pelo vivo afã de compreender. A tradução de Ronald Robson sai pela Vide Editorial.

Nova edição de Os irmãos Karamázov

A tradução de Paulo Bezerra para o último romance de Fiódor Dostoiévski ganha reedição pela Editora 34, agora, em volume único. Os irmãos Karamázov representa uma síntese magistral dos vários temas que perseguiram o autor ao longo de sua vida e o ponto culminante de toda a sua obra. Reconhecido como um dos grandes feitos literários de todos os tempos, o livro influenciou pensadores do porte de Nietzsche e Freud — que o considerava "o maior romance já escrito" — e sucessivas gerações de escritores.

Terça-feira, 26 fev.

Nova edição do clássico de João Ubaldo Ribeiro que marcou época e relata as aventuras sexuais de uma ex-prostituta baiana

A casa dos budas ditosos, lançado originalmente em 1999, foi o quarto volume de uma série chamada Plenos Pecados, em que cada título era dedicado a um pecado capital. Poderoso e original, o romance de Ubaldo sobre a luxúria conquistou um número imenso de leitores e, de quebra, cutucou os moralistas de plantão. Em 2004, seguindo o que se tornou uma tradição de seus romances, A casa dos budas ditosos foi adaptado para o teatro por Domingos Oliveira, num monólogo estrelado por Fernanda Torres, que assina a apresentação desta edição. O espetáculo permaneceu por mais de uma década em cartaz, levando as memórias de orgias, voyeurismo e sadismo dessa impagável libertina para mais de 700 mil pessoas em todo o Brasil. Este é um clássico da literatura erótica. Como afirma o próprio autor, "esse depoimento não é um romance, mas é olhar pelo buraco da fechadura". E não há nada mais irresistível. O livro sai pela Editora Alfaguara.

Um romance de 1922 que contém passagens de críticas veementes contra a submissão e os limites à liberdade reservados às mulheres é o lançamento deste mês da editora Carambaia

Além de ser uma divertida crônica sobre as classes abastadas do Rio de Janeiro na República Velha. Resgatado pela pesquisadora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Beatriz Resende — que assina o posfácio da edição —, Enervadas foi um sucesso em 1922, quando lançado, mas, como toda a literatura art noveau carioca, foi ofuscado pelo movimento modernista, radical quanto à necessidade de uma afirmação de "brasileirismo" nas artes. Sua autora, Chrysanthème (1870-1948), pseudônimo de Cecília Bandeira de Melo Vasconcelos, é um dos nomes da escrita de mulheres no início do século XX, e pioneira das causas feministas; publicou mais de vinte livros, e ao que se sabe nenhum deles foi reeditado. Com espírito rebelde, o romance narra o desenvolvimento psicológico da personagem Lúcia, quem recebe o diagnóstico médico de que é uma "enervada", categoria em que a ciência da época reunia uma ampla gama de mulheres insatisfeitas. O plural do título se refere também às amigas de Lúcia, que considera suas semelhantes. A protagonista, no entanto, questiona o diagnóstico: ser "enervada" significaria apenas ter desejo de beijar esse médico, a quem confessa seus "gostos, sonhos e temperamentos"? "Certamente que não", diz ela. “Isso é ser-se humano e mais nada." O projeto gráfico da edição, de Luciana Facchini e Pedro Alencar, é todo permeado por flores, que, na narrativa, agem como um elemento de intensificação (ao ponto de "catalepsia") das assim chamadas "enervações" da personagem.

Quarta-feira, 27 fev.

O quarto título de poesia de Bruno Brum

Tudo pronto para o fim do mundo sai pela Editora 34 e não poderia estar mais em sintonia com os dias atuais. É de um desencanto profundo com as formas assumidas pela vida contemporânea que nascem estes poemas, ainda que perpassados de humor e, por vezes, de uma réstia de lirismo ou ternura. Iconoclasta, perspicaz, cínica e melancólica, a poesia de Bruno Brum se move como o personagem de seu "Porcossauro" — um dos poemas-síntese do livro —, misto de porco e dinossauro que vagueia, cabisbaixo e pensativo, por um mundo em vias de extinção: “Não há para onde ir, conclui, atravessando a rua”.

Uma nova edição comentada e ilustrada para um clássico da literatura estadunidense

Este é considerado o romance fundador da literatura moderna nos Estados Unidos e, logo, a obra-prima de Mark Twain e uma das joias da ficção mundial de todos os tempos. Por trás das aventuras extraordinárias de Huckleberry Finn e o escravo fugitivo Jim, a história atravessa questões sérias e profundas, como o racismo e a escravidão que dominam o Sul dos Estados Unidos, a brutalidade das relações humanas no "mundo adulto" e o puritanismo religioso e cultural. A nova edição brasileira de Aventuras de Huckleberry Finn traz minuciosa tradução de José Roberto O’Shea que reproduz de modo admirável os tons e nuances da linguagem do original. O livro chega às livrarias em abril pela Editora Zahar.

Quinta-feira, 28 fev.

Segundo volume reúne mais três das principais obras de Jane Austen

Poucos romancistas conseguiram transmitir as sutilezas e nuances de seu próprio meio social com a inteligência e a perspicácia de Jane Austen. Uma das principais romancistas da literatura mundial, consagrou-se pela ironia presente em seus romances, repletos de diálogos afiados. Em 2017, a Editora Nova Fronteira reuniu as traduções de Lucio Cardoso e Ivo Barroso para Orgulho e preconceito, Razão e sentimento e Emma. Agora, reúne mais três títulos da autora: Mansfield Park, o considerado romance mais ambicioso e profundo de Jane Austen; Abadia de Northanger, uma paródia ao romance gótico, muito em voga na Inglaterra na segunda metade do século XVIII; e Persuasão, uma sátira da sociedade provinciana inglesa do início do século XIX, é considerado o mais maduro e bem-realizado romance da memorável carreira da escritora.

Nova edição de O caminho de Los Angeles, de John Fante

Este livro é parte do Quarteto Bandini, que narra episódios da história de Arturo Bandini, alter ego do autor. Após a morte do pai, Arturo, aos 18 anos, é obrigado a começar a trabalhar para ajudar a sustentar a casa. Com uma vida deprimente e rotineira, Arturo encontra seu único “alívio” na leitura de revistas pornográficas, atividade censurada pela mãe e pela irmã, ambas de educação cristã. Arturo Bandini reaparece em Espere a primavera, Bandini (1938), Pergunte ao pó (1939) – ambos lançados pela mesma editora de O caminho, a José Olympio – e Sonhos de Bunker Hill (1982). O manuscrito, de 1936, foi descoberto entre os papéis de Fante depois de sua morte, por sua viúva, Joyce, e pode agora ser incluído naquela lista curta e destacada dos romances de estreia mais importantes de autores americanos.

João Guimarães Rosa na Global Editora

A nova edição de Sagarana dá início à publicação de títulos do escritor por esta casa editorial. Este livro, apresentado pela primeira vez em 1946, marcou a estreia do autor na literatura brasileira. As narrativas concebidas por João Guimarães Rosa no livro trazem cenários e personagens típicos do interior do país, mais especificamente do sertão de Minas Gerais. Morros, riachos, jagunços, vaqueiros, bois e cavalos povoam as páginas das estórias magistralmente construídas por Guimarães Rosa, cuja habilidade para criar enredos e protagonistas diversos e repletos de detalhes encanta leitores até hoje e permanece influenciando gerações e gerações de escritores. A linguagem inventiva de Sagarana é outro aspecto que distinguiria para sempre o autor no campo da literatura brasileira. Ao mesmo tempo em que incorpora fragmentos essenciais da oralidade sertaneja, pescando regionalismos e recuperando antigas expressões de linguagem do sertão, Rosa inova com a criação de neologismos cuidadosamente lapidados. Dentre os nove contos que fazem parte do livro, destacam-se os célebres "A hora e vez de Augusto Matraga", "Conversa de bois" e "O burrinho pedrês". Em que pese as narrativas terem como espaço o ambiente sertanejo, o leitor perceberá que os dilemas apresentados por suas personagens ultrapassam naturalmente a dimensão local, refletindo dramas e vivências que se mostram universais. Para esta nova edição, considerou-se como norte para o estabelecimento de texto a 10ª edição do livro, publicada em 1968 pela Livraria José Olympio Editora, edição considerada definitiva. Ela também traz um texto de apresentação de autoria de Walnice Nogueira Galvão, professor emérita de Teoria Literária e Literatura Comparada da Universidade de São Paulo (USP) e grande especialista na obra rosiana. A capa foi concebida pelos designers gráficos Victor Burton e Anderson Junqueira e traz uma foto de autoria de Araquém Alcântara, um dos maiores fotógrafos de natureza do Brasil, tirada em 2012 no município de Jaíba, Minas Gerais.

Sexta-feira, 1º mar

Reedição da obra de Mário Palmério pela Autêntica Editora

1. Obra-prima do regionalismo, Chapadão do bugre é um livro inspirado na chacina política, ocorrida no início do século XIX, numa pequena cidade do interior de Minas Gerais, e descreve uma paisagem marcada pela violência de disputas, vinganças e paixões. Trata-se de um clássico testemunho da vasta experiência que o autor acumulou em suas andanças pelo Brasil afora, quando conviveu com coronéis e jagunços, tão vivamente retratados em suas narrativas. Publicado em 1965, o romance, sempre aclamado pela crítica – "uma força estranha e impiedosa" – é reconhecido como um dos grandes momentos da literatura brasileira de todos os tempos. 

2. Para o ensaísta Wilson Martins, "são raríssimos os livros dos quais um crítico consciente possa dizer, sem hesitação e sem reservas: é uma obra-prima, autêntica e indiscutível". É esse o caso de Vila dos Confins, romance de estreia de Mário Palmério. Escrito em 1956, a ficção guarda uma atualidade impressionante no desenho que fez dos processos eleitorais da República Velha (1889-1930), abordando questões como a compra de votos, fraudes e a eterna violência nas relações sociais do país. Personagens saborosos contam a história dentro da história – do mascate frágil ao padre alemão caçador de onças pretas, tudo narrado numa linguagem excepcional, resultando do ouvido apurado do autor pelas andanças no interior do Brasil. Para Rachel de Queiroz, "a primeira qualidade que me impressionou no escritor foi este cheiro de terra, tão verdadeiro". Segundo a historiadora Mary Del Priore, a obra "nos faz ver o som dos duelos, a espessura do medo e a cegueira política, romance absolutamente clássico, do melhor que já se fez em nossa literatura". 

Leituras sobre arte

O que acontece quando observamos uma pintura? Como funcionam os processos da percepção, da memória e do pensamento diante de uma obra de arte? E como traduzir para si mesmo essa experiência que se passa, frequentemente, na fronteira entre o que é evidente e o que é invisível? Em Nada se vê: seis ensaios sobre pintura, Daniel Arasse, por muitos anos diretor da École des Hautes Études en Sciences Sociales, da França, e mestre brilhante de toda uma geração de críticos e historiadores da arte, provoca um verdadeiro curto-circuito em nossos hábitos mentais, e ilumina de forma radicalmente nova obras-primas como Marte e Vênus surpreendidos por Vulcano, de Tintoretto, a Adoração dos Magos, de Bruegel, a Vênus de Urbino, de Ticiano, ou As meninas, de Velázquez. Traduzido com fina sintonia, ilustrado por imagens a cores e acrescido de notas, Nada se vê é um livro raro, dotado de uma clareza extraordinária, que aborda de modo fascinante as múltiplas dimensões da experiência estética e é capaz de surpreender tanto o leitor especialista como o iniciante na matéria. A edição é da Editora 34.

VÍDEOS, VERSOS E OUTRAS PROSAS

1. Encontrados dez segundos de filme em que Federico Garcia Lorca passeia sorridente com vários integrantes do grupo teatral La Barca na cidade de Vigo e montam um cenário na Praça A Quintana, em Compostela. Era agosto de 1932 e a companhia fazia uma turnê pelo noroeste da Espanha. As imagens filmadas na capital galega correspondem ao dia 24 de agosto. A descoberta é do foto-historiador Carlos Castelao e do editora Henrique Alvarellos. A gravação foi realizada por Ramón Menéndez Pidal, membro do grupo. Veja aqui pouco mais de 2s de filme, o suficiente para rever duas das aparições do poeta granadino. 

2. Esta semana foi aniversário de Paulo Mendes Campos. O escritor nasceu em 28 de fevereiro de 1922. Neste vídeo ele recita trecho do seu poema "Neste soneto".



DICAS DE LEITURA

1. Antologia do humor russo (1832-2014). Organizada por Arlete Cavaliere, a antologia é uma edição da Editora 34 exclusividade Livraria da Vila. O livro que foi apresentado entre os destaques editoriais de 2018 segundo o Letras in.verso e re.verso reúne 37 autores e 57 textos, em sua maioria inéditos no Brasil, e destaca um aspecto da cultura e da literatura russas pouco explorado entre nós: sua tendência ao irônico, ao satírico e ao paródico. Esse não é um aspecto secundário; numa cultura literária tão marcada pela discussão de ideias políticas e sociais, e, ao mesmo tempo, pela censura, o humor sempre foi uma das ferramentas mais sérias à disposição desses autores que também faziam as vezes de comentaristas sociais, de polemistas e de visionários. É difícil encontrar um escritor russo em cuja obra não esteja presente algum matiz do cômico. Dos clássicos do século XIX, como Gógol, Dostoiévski, Tolstói e Tchekhov, concentrando-se no período soviético e chegando até os dias de hoje, com nomes como Viktor Peliévin, Dmitri Býkov e Liudmila Ulítskaia, entre muitos outros. São textos que abrangem diversos gêneros de prosa, como o conto, a crônica, a anedota, a carta, trechos de romances e de prosa memorialística e breves peças de teatro, e que dialogam com a tradição literária russa sempre de um ponto de vista original e inusitado.

2. A honra perdida de Katharina Blum. Breve e extraordinariamente contundente, este romance trata dos mecanismos de difamação e violência psicológica a que estão submetidos cidadãos comuns mesmo em democracias estabelecidas como a Alemanha Ocidental dos anos 1970. Escrito nessa época (1974), é um relato seco que, se nunca perdeu fôlego, ganha novas dimensões com o atual domínio dos meios de comunicação digitais, em particular o fenômeno das fake news. Sua atualidade e precisão são um desdobramento coerente da obra do autor, Heinrich Böll (1917-1985), prêmio Nobel de Literatura de 1972 e dono de uma percepção crítica e impiedosa de seu tempo. A trama tem relação direta com um episódio da vida do autor, que havia sustentado uma polêmica com o jornal sensacionalista Bild, o mais lido do país. O escritor, que pautou sua vida pela defesa dos direitos humanos e por uma análise quase clínica do passado da Alemanha, havia se engajado por um julgamento justo – isto é, que obedecesse às garantias fundamentais do estado de direito – dos líderes da organização terrorista Fração do Exército Vermelho (conhecida como Grupo Baader- Meinhof) diante de acusações sem provas publicadas na imprensa. Uma campanha difamatória foi lançada pelo Bild contra Böll, qualificado de defensor de terroristas – e seguiu-se uma revolta de leitores que incluiu ameaças de morte. Publicado originalmente pela revista Der Spiegel, a mais conceituada da Alemanha, não sem algum desentendimento com o autor. No ano seguinte, foi lançada a versão cinematográfica do livro, dirigida por Margarethe von Trotta e Volker Schlöndorff, que mais tarde realizaria a versão de O tambor, de Günter Grass. A edição da Carambaia está no selo Ilimitada, tem tradução de Sibele Paulino e posfácio de Paulo Soethe, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

3. Os fantasmas inquilinos. Daniel Jonas possui uma carreira incomum, grandiosa mesmo numa terra tão fértil em poetas como Portugal. Esta seleção, feita pelo poeta e músico Mariano Marovatto, cobre sua carreira, apresentando poemas publicados desde 2005, e serve como a melhor introdução à sua poesia. Lírica, meditativa e intensa na apreciação dos afetos, da vida nas cidades e da própria atividade poética, a obra tem um quê de clássico – embora contemporânea na visão de mundo aguda e algo desencantada. Se, por um lado, parece continuar com voz bastante distinta a poesia de Fernando Pessoa e outros grandes líricos, por outro traz uma nova tonalidade à poesia de língua portuguesa. Esta é a primeira edição no Brasil a trazer uma amostra significativa da obra de um dos maiores poetas portugueses de hoje. Nascido no Porto em 1973, Daniel Jonas é um dos mais premiados poetas portugueses de hoje. Publicou nove livros de poemas que bastante cedo lhe conferiram prêmios importantes no seu país e na Europa. Também é tradutor de clássicos e contemporâneos da língua inglesa. A edição é da Todavia. Leia alguns poemas do livro na edição 17 da revista 7faces.

BAÚ DE LETRAS

1. "Um escritor se forma em seu interior, no coração e na cabeça: graças a uma inata (sublinhemos, inata) predisposição a abster-se, a viver de forma emotiva as menores coisas, a espantar-se inclusive ante aquilo que para os demais parece normal". Releia sobre os conselhos de Wislawa Szymborska aos aspirantes a escritores.

.........................
Sigam o Letras no FacebookTwitterTumblrGoogle+InstagramFlipboard

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desta terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela, de Ignácio de Loyola Brandão

Poesia e metalinguagem em A palavra algo, de Luci Collin

Sagarana: meandros de uma estreia

Boletim Letras 360º #328

Os mistérios de "Impressão, nascer do sol", de Claude Monet

Boletim Letras 360º #329

Sete escritoras italianas além de Elena Ferrante que você precisa conhecer