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Anotações sobre Sinais de fogo, de Jorge de Sena

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Por Pedro Fernandes



Uma visita à produção criativa de Jorge de Sena é o suficiente para compreender que o designativo múltiplo costumeiramente empregado sobre ele não é gratuito. Sua obra alcança, no âmbito da literatura portuguesa do século XX, os melhores lugares nos três gêneros literários que praticou: é o exímio poeta de quase três dezenas de títulos de poesia; é o autor de quatro peças de teatro; e o exímio prosador de quatro vezes mais obras que as da poesia, divididas essas entre contos, novelas, crítica cultural ou literária e um romance, nascido só aparentemente, falhado.
Sinais de fogo é um romance só aparentemente falhado porque, ao que conta Mécia de Sena na longa e esclarecedora introdução escrita entre 1983 e 1984 e acrescentada à terceira edição da obra, era o segundo dos quatro títulos planejados para formar o ciclo ficcional Monte Cativo. Durante a concepção, o escritor relatou aos amigos muito de perto o processo de geração até chegar a um consenso de que o romance s…