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Ossos do ofício: Borges e a poética da conjectura

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Por Guilherme Mazzafera O meu Borges não é o ficcionista nem o poeta, a quem admiro cum grano salis pianíssimo, embora a mescla de verso e prosa entretecida em O fazedor seja uma de suas mais belas realizações. Tendo conhecido o nome Borges em liame íntimo com sua esmerada apreciação de Beowulf , fui atrás de seu livro mais famoso, Ficções (1944), no meu último ano do colegial. Li-o em duas sentadas. A primeira, no quintal ensolarado em um mês de julho quando havia inverno, pôs-me em companhia de um planeta não catalogado, uma biblioteca inexcedível e um famoso escritor francês desconhecido que palimpsestava a obra-prima de Cervantes e que mais tarde se tornaria uma espécie de São Jerônimo pós-moderno. A segunda sentada, naquela noite fria, apresentou-me um duelo impressionante, uma relva bifurcada e alguém incapaz de esquecer. Apresentou-me, também, o vocábulo “memorioso”, cintilantemente borgiano, que mais adiante inventaria uma bela estória sobre um homem que herda a