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Mostrando postagens de Junho 15, 2020

A unhada da vida. Uma leitura de Machado de Assis

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Por Felipe de Moraes



“(...) je vis um pauvre saltimbanque, voûté, caduc, décrépit, une ruine d’homme, adossé contre un des poteaux de sa cahute; une cahute plus misérable que celle du sauvage le plus abruti, e dont deux bouts de chandelles, collants et fumants, éclairaient trop bien encore la détresse.” “Le vieux saltimbanque”, Charles Baudelaire

“Outros leram da vida o capítulo, tu leste o livro todo.” “A um bruxo, com amor”, Carlos Drummond de Andrade




I “O DESOLADO CRONISTA DO ABSURDO”1


Lúcia Miguel-Pereira, em seu Prosa de Ficção (de 1870 a 1930), escreve acerca de Machado:
“Por isso é que a Machado de Assis se pode chamar de realista. Sem preocupação de escola literária desde que se libertou do romantismo, ele observou, como ninguém entre nós, as criaturas em toda a sua realidade, dando a cada aspecto o justo valor, isto é, apreciando a todos com um critério relativo. Foi assim que esse tímido realizou uma audaciosa revolução na nossa literatura ficcionista, até ele subordinada a…