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Mostrando postagens de Julho 6, 2020

Poeta, grava tua palavra e lança-te

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Por Edgardo Dobry


Dura há séculos a discussão sobre se as longas e curtas sílabas do grego e do latim têm equivalência com as tônicas e as átonas das línguas modernas. Rubén Darío fazia parte da seleta série de poetas que tentou reproduzir o hexâmetro clássico, no seu caso em um hino, Saudação do otimista: “Ínclitas razas ubérrimas, sangre de Hispania fecunda…”. Alguns anos depois, as vanguardas consumaram o divórcio definitivo da poesia e da música: como se lê um caligrama ou a decomposição da palavra em partículas literalmente insignificantes com as quais se conclui Altazor, de Huidobro? Paradoxos da tecnologia: eles foram os primeiros a registrar suas vozes. De fato, podemos ouvir Apollinaire lendo Le Pont Mirabeau: ele restaura firmemente a escansão que parecia ter desprezado ao remover as vírgulas e os pontos. Os sinais também foram eliminados por André Breton, um discípulo renegado de Apollinaire e um poeta muito inferior a ele, cuja gravação de A união livre consiste numa ladai…