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Mostrando postagens de Agosto 10, 2020

Um passeio pela obra de Anton Tchekhov

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Por Joaquim Serra


Não só no século XX veríamos o esfacelamento do entendimento através da linguagem. Se em Beckett a sintaxe é subversiva para representar a incomunicabilidade dos seres no mundo pós-guerra, em Tchekhov, mesmo com o pleno exercício das frases acabadas, as personagens nem sempre se entendem através da comunicação, porque são vazias de sentido, ou não encontram uma continuidade do diálogo no interlocutor. O tragicômico Ivan Tolkatchov, o pai de família na peça Trágico à força, depois de seu monólogo no qual mostra seu mundo atarefado, de obrigações e abusos, não obtém do amigo interlocutor uma palavra que o acalme.
Tolkatchov entra em cena com um globo de luz, um velocípede de criança, três caixas de chapéus femininos, uma grande trouxa de roupas, um cesto com cerveja e uma infinidade de pacotes pequenos. Pede um revólver emprestado ao amigo e não demora a se lamentar: “sou um mártir, sou um trapo.” Tolkatchov sente o incômodo do casamento. Através de seu monólogo, mesmo q…