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Mostrando postagens de Outubro 13, 2020

Tema ou técnica? III – Graciliano Ramos e a matéria romanceável

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Por Guilherme Mazzafera



“Com certeza nossos autores dirão que não desejam ser fotógrafos, não têm o intuito de reproduzir com fidelidade o que se passa na vida. Mas então por que põem nomes de gente nas suas ideias, por que as vestem, fazem com que elas andem e falem, tenham alegrias e dores?”  Graciliano Ramos, “O fator econômico no romance brasileiro” Em “Decadência do romance brasileiro” (1941), um de seus textos críticos mais certeiros, Graciliano Ramos principia por confrontar duas ideias então em voga: a falta de “material romanceável” no Brasil, que explicaria a baixa qualidade da prosa de ficção vigente à época (ideia veiculada por Prudente de Morais Neto por volta de 1930), e, em resposta a esta, a existência de ótimos romances, mas não de romancistas. Para o autor, a revolução de outubro e o modernismo atuaram como fatores essenciais na mudança de um estado de estagnação artística, e, se por si mesmos não produziram matéria romanceável, permitiram um olhar mais livre e atento, …