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Mostrando postagens de 2021

Boletim Letras 360º #410

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  DO EDITOR   1. Saudações, leitores! Nesta semana o Letras abriu chamada para novos colunistas. Se já conhece o blog (ou passou a conhecer agora) e tem interesse em compor nossa equipe, então, envie sua inscrição. 2. É simples. O interessado deve enviar pelo correio eletrônico blogletras@yahoo.com.br até o dia 1º de fev. de 2021 o seguinte: um resumo biográfico que contenha seu nome, fale sobre experiência de leitura e com a escrita (se já publicou, onde, quando, como ― essas coisas) e sobre o interesse em compor a equipe de colunistas do Letras (qual sua relação com o blog, desde quando o conhece, como conheceu etc.); e três textos (exceto conto, crônica e poema) observando as normas de publicação do Letras. Elas estão disponíveis aqui .   3. Os resultados devem sair até o final de fevereiro.   4. Obrigado pela atenção. E vamos às notícias da semana publicadas em nossa página no Facebook? Boas leituras! Ida Vitale. Foto: Samuel Sánchez. Obra de um dos nomes mais importantes da poes

O empoderamento no exercício existencial da escrita em A cor púrpura, de Alice Walker

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Por Wagner Silva Gomes   Em A cor púrpura , de Alice Walker, tem-se em Celie e Nettie duas irmãs negras lutando contra a desumanização imposta pelo patriarcado que considera a mulher negra objeto, instrumento de trabalho, como um animal. E até mesmo para o sexo, como abusa de Celie o seu padrasto, sem se importar com o laço familiar e a idade da garota. As irmãs se valem do empoderamento antissexista, mudando as consciências individuais, criando estratégias no cotidiano para a reinvindicação do direito à humanidade, como coloca a Djamila Ribeiro em seu livro Quem tem medo do feminismo negro? Isso desde quando ludicamente as irmãs criam um espaço de convívio e fortalecimento com brincadeiras e conversas de que uma sempre terá a outra, e como pilar de humanização, pelo que o contexto mostra. Celie é obrigada a casar com Sinhô, um homem que procurava uma mulher para cuidar de seus filhos e de sua casa. Ele queria Nettie, por achá-la bonita, mas como o pai não lhe entregou esta, por val

Existo para o amor de inexistências

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Por Tiago D. Oliveira Trágico é pensar em uma vida sem o coração por vezes na boca. A fé é um instrumento de razão de nossa existência, mesmo quando envolvida pelo avesso de sua força ou empenhada em joelhos dobrados sobre pedras alheias às que sobram na pavimentação comum da sociedade. A fé é um ponto cadente na vida de qualquer indivíduo, seja ela qual for. Humana. Está marcada pela finitude da carne, mas prometida para além dos muros dos jardins. Somos todos partes de uma marca herdada que afere a nossa condição de retorno em um ciclo de reconhecimentos, No princípio era a ferida./ Em sete dias Deus/ criou a cicatriz . O reconhecimento de nossa condição é o que exatamente possibilita a projeção de um lugar de conforto, cura ou simplesmente continuação.  Em O mosteiro não é Deus , Imaculada Teixeira de Souza eleva a peregrinação de um monge a um lugar de construção no leitor, que vai recolhendo das incertezas de seu caminhante um aprendizado sobre a desconstrução de uma fé idealizada

Boletim Letras 360º #409

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DO EDITOR   1. Saudações, leitores! A previsão de retorno com as publicações diárias por aqui é dia 25 de janeiro. Até lá, passa-se o de sempre: sai uma e outra post. 2. Já as atividades nas redes sociais continuam e esperam sua visita. Neste Boletim, p.ex., estão reunidas as notícias divulgadas durante a semana na página no Facebook. 3. Obrigado a cada um dos leitores pela companhia! Friedrich Dürrenmatt. Foto: Andrej Reiser. No ano do centenário do escritor, três livros seus estão no prelo.   LANÇAMENTO   Publica-se a biografia de Alberto da Veiga Guignard, a história de seus afetos, seus amores, seu trabalho, suas amizades, sua boemia, suas andanças e também de seus tropeços .   Nosso personagem nasceu em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1896, e faleceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, aos 66 anos. Ele que era, a um só tempo, príncipe e patinho feio, enteado de um barão europeu que nunca lhe deu crédito. Criou-se artista em Munique, na Alemanha, e viveu a boemia na Paris da Ge

Compartilhar é paz, curtir é escravidão, comentar é força!

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Por Pablo Augusto-Silva Ilustração: Abbey Lossing   Se você nasceu antes ou por volta de 1990, traga à memória os inícios de sua vida na internet. É provável que deva ter tido uma sensação estranha quando começara a receber suas primeiras notificações, digamos, duma foto do churrasco da vizinha ou do tênis que o primo acabara de comprar; de vídeos curtos do chefe a exibir o volante do veículo ou do colega de academia a malhar o bíceps... Tal estranhamento tem a ver com nossa repulsa ao tosco, ao que não foi lapidado nem polido, porque não há nada mais tosco do que receber uma foto dum prato de comida, do tênis novo ou dum vídeo com a legenda "Ufa, treino hoje tá pago!"... Ao longo desse tempo, você até encerrara algumas contas das inúmeras redes sociais por não ver muito sentido em compartilhar tanta tosquice. Tal estranhamento, porém, entre a vergonha alheia e aquela vontade de rir quando lemos sobre hábitos muito exóticos de povos distantes no tempo ou no espaço, vem deixa

Friedrich Dürrenmatt: a atualidade de um esquecido

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Por José Ramón Martín Largo Friedrich Dürrenmatt, 1980. Foto: Ullstein Bild “Não tem a nossa era de paz, que milhões de pessoas se esforçam por preservar fazendo manifestações, carregando faixas, cantando música pop e rezando, não há muito assumiu a forma do que, em outros tempos, chamávamos de guerra, toda vez que, para nos apaziguar, incorporamos as catástrofes à nossa paz?”   A pergunta é pertinente em nosso tempo, pois levanta outras duas questões que nos preocupam muito: a primeira, se o que chamamos de ordem mundial não é na verdade o caos; e a segunda, se os habitantes do mundo, especialmente o mundo rico e desenvolvido, apesar de nossa má consciência, não são cúmplices desta ordem, que em princípio gostaríamos de mudar enquanto hipocritamente nos beneficiamos dela. De maneira explícita, a indagação a que nos referimos refere-se à própria razão de ser do pensamento crítico, pensamento incômodo que para muitos é preferível evitar, pois nos apresenta como cúmplices, e cúmplices in