Postagens

Mostrando postagens de Janeiro 19, 2021

A grande mentira de Patricia Highsmith

Imagem
Por Guillermo Altares   Patricia Highsmith, 1980. Foto: Maurice Rougemont.  No centésimo aniversário de seu nascimento, a obra da escritora estadunidense Patricia Highsmith ( Fort Worth, EEUU, 19 de janeiro de 1921 ― Locarno, Suíça, 4 de fevereiro de 1995 ) ganha nova relevância. Se há um tema que une seus melhores livros ― a série de Tom Ripley, O tremor da suspeita , alguns de seus contos ― é a ideia da mentira como forma de vida. Na era das notícias falsas e dos fatos alternativos de Donald Trump, a possibilidade de uma vida inteira ser construída sobre uma mentira e vivida assim, tranquilamente, é especialmente poderosa. Nesse sentido, Highsmith antecipou o tema central de romances que tiveram enorme repercussão nos últimos anos, como O adversário , de Emmanuel Carrère, ou O impostor , de Javier Cercas.   O outro argumento sobre o qual a literatura de Highsmith, uma texana que vive na Suíça, que amava os gatos (e os caracóis que ela criava como animais de estimação) gira em torn

A cena do crime

Imagem
Por Patricia Highsmith Positano. Foto: Umberto D'Aniello   Em meu primeiro livro sobre Tom Ripley, este é um homem de 25 anos, inquieto e desempregado em Nova York, morando temporariamente no apartamento de um amigo. Havia ficado órfão numa idade jovem e foi criado em Boston por uma tia bastante mesquinha. Tem um certo talento para a matemática e a mímica, e essas duas habilidades permitem que ele continue, por carta e por telefone, um pequeno jogo de intimidação aos contribuintes estadunidenses: ele pede um novo pagamento a uma repartição da Receita Federal cuja filial, diz, se encontra num certo endereço: o do amigo em cuja casa ele mora, e Ripley recolhe as cartas quando elas chegam, embora não haja nada que ele possa fazer com os cheques recebidos, exceto rir com estranha satisfação.   Quando Ripley percebe uma noite que está sendo seguido nas ruas de Manhattan por um homem de meia-idade, seu primeiro pensamento é que o homem é, ou poderia ser, um policial enviado para prendê-