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Três obras fundamentais para conhecer a literatura de Herman Melville, o escritor que imaginou Moby Dick e anteviu Franz Kafka

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Em vida, seu esquecimento foi maior que sua glória. Moby Dick, o romance mais importante e celebrado de sua carreira, foi um absoluto fracasso quando foi publicado em 1851 e Billy Budd, uma fina alegoria política que toma o mar como território humano, foi publicado só postumamente. Herman Melville nasceu a 1º de agosto de 1819 e morreu em 1891 sem ver reconhecimento nem escutar grandes aplausos.
Os últimos vinte anos de sua vida passou trabalhando como agente de alfândega nas docas em Nova York e tentando se recuperar da morte de seus três filhos: Malcolm, que cometeu suicídio; Lucy, que não chegou aos trinta anos e Stanwix, que morreu aos 35 anos.
Há algo de trágico em Melville e ao mesmo tempo luminoso: ignorado e colocado à margem das fronteiras do universo literário de seu tempo, escreveu uma obra que tem em tudo o trágico shakespeariano, o épico e a literatura de viagem. Mas não apenas isso. Seu Bartleby prefigura Gregor Samsa de Kafka e Billy Budd inspirou uma das melhores óper…

Sete escritoras italianas além de Elena Ferrante que você precisa conhecer

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Desde a publicação do longo romance dividido em quatro tomos que conta a história de duas amigas, da infância à maturidade, passando por momentos singulares em comum e à distância, revisitando instantes conturbados da história italiana e das transformações de Nápoles, a obra de Elena Ferrante nunca mais foi a mesma: deixou o sucesso no seu país natal para se tornar Best-Seller que agrega leitores de todos os tipos e camadas. A chamada febre Ferrante serviu para que no Brasil se traduzisse e se publicasse em tempo recorde toda sua obra, incluindo as incursões da escritora pelo universo infantil. Como se isso não fosse suficiente, abriu os sentidos para um campo entre nós vasto, mas pouco percorrido, o da ficção publicada contemporaneamente na Itália e, na onda dos novos feminismos, o reencontro com obras de escritora desse país um pouco esquecidas, algumas, aliás, referidas pela própria autora da tetralogia napolitana. 
O rápido interesse pela reedição da obra de Natalia Ginzburg tão …

Numa catástrofe, quais livros salvaríamos de nossas bibliotecas pessoais?

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Eterno é o fogo. Esteve adormecido desde as imemoriais eras até ser descoberto e controlado. O controle fica por conta daquelas ilusões que construímos ao longo da vida para garantir nossa própria existência. Na prática quase tudo é sempre o contrário. E esse é um desses casos. É o fogo que nos controla. Mesmo inconsciente. Alguma vez, o leitor poderá ter imaginado não conseguir acordar porque a casa ou o apartamento perece sob as chamas enquanto dormia. Ou que, na ausência de quem o controle, de um sorrateiro curto-circuito, coisinha qualquer, um fogo pode nascer e devorar tudo e deixar só as cinzas... Nossa condição de controlados pelo fogo é tamanha que fomos levado a pensar que se não respeitamos as leis divinas iremos perecer no inferno, descrito por extensa parte da cultura humana como um imenso caldeirão ardente.
E foi, tomado pelo horror de algo que nos encanta que fomos levados a um desafio para este Dia do Livro. Numa tragédia como a do Museu Nacional e a de Notre Dame em no…

Gabriel García Márquez e o cinema: um amor não correspondido

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Por Alejandra Rodríguez


Geralmente se aceita a ideia de que não há filme que iguale, e muito menos supere, o livro que lhe antecede. A História da Literatura está cheia de autores descontentes sobre como suas histórias foram tratadas na grande tela.
Gabriel García Márquez não podia ser uma exceção; com dois agravantes. Por um lado, Gabo é um dos escritores que mais interesse tem despertado entre os cineastas. E, conta com um grande número de filmes entre adaptados a partir de seus romances e contos.
Por outro lado, o colombiano manifestou um claro interesse pela sétima arte. “No início quis ser diretor e a única coisa que realmente estudei foi o cinema [em 1955 se matriculou no Centro Experimental de Cinematografia de Roma]. Agora nem sequer vou mais ao cinema porque chego à sala e termino dando autógrafos. Só vejo sessões privadas. Na televisão não gosto”, dizia numa das muitas entrevistas que concedeu.
Gabriel García Márquez também escreveu sobre cinema (foi um dos colunistas mais r…

Cinco livros para conhecer a obra de Iris Murdoch

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Quando publicamos a tradução do texto de Antonio J. Rodríguez sobre Iris Murdoch (veja o final desta post), alguns leitores do Letras, chamaram atenção para o silêncio quase total sobre o nome da escritora no Brasil, principalmente no ano quando se comemora o seu centenário: aliás, 2019 assinala também os vinte anos da sua morte. Mas, uma visita às livrarias e aos sebos responde que, mesmo não colocada entre os interesses principais das editoras, ao menos até agora, não é motivo para dizer de um desconhecimento da literatura da escritora irlandesa no nosso país. Se algumas de suas obras principais ainda não foram traduzidas por aqui, é possível encontrar traduções em Portugal*, onde, ao que parece, Iris tem uma melhor recepção.
Enquanto visitávamos livrarias e sebos, encontramos com uma homenagem proposta pelo caderno Babelia, do jornal El País. O periódico espanhol sublinhava, no âmbito do centenário de Iris Murdoch, o legado da obra da autora de O mar, o mar; em língua espanhola, …

Treze obras da literatura que têm gatos como protagonistas

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“Mais do que a coruja, o gato é símbolo e guardião da vida intelectual” Carlos Drummond de Andrade, “Perde o gato”, de Cadeira de balanço
É possível, tantos anos depois das primeiras narrativas que trouxeram o gato como protagonista, estabelecer a compreensão de um modelo de prosa, à maneira como se determina outros segmentos na literatura. Parece que o registro mais antigo dos bichanos na narrativa literária remonta ao período grego; nas fábulas de Esopo, o gato é retratado como um animal astuto, capaz de tudo para alcançar seus interesses. O fabulista grego sublinha, assim, a inteligência, a astúcia e a esperteza; se à primeira vista o gato consegue se dar bem, não deixa de cair nas graças daqueles a que persegue, como em “O gato e os ratos” e “O gato médico e as galinhas”. Isto é, tem lugar desde esse período a condição ambivalente que assumirá ao longo das representações literárias.
O papel de malvado que se apresenta nas fábulas de Esopo é um dos lados da ambivalência. Que o dig…