Das misérias humanas

Por Pedro Fernandes


Quero relatar um episódio que não sei onde o colocaria na estante dos episódios, desses que frequentemente acontecem conosco, mas creio que fica bem no setor daqueles episódios que por baixo se escreve "Das misérias humanas". Também não sei o misto de sentimentos que me passou ponta a ponta pela cabeça no momento em que ocorreu o dito fato - se pena, se tristeza, se... O fato é que na saída de um sebo, certo dia, dia daqueles escolhidos para peregrinação em sebos, pedi a uma camelô, um copo de água, que ainda, apesar dos altos e baixos da economia, se é vendido a cinquenta centavos. Revirei minha mochila e catei os centavos que tinha. Quarenta e cinco no total. Não tomei cara emprestado e joguei com a vendedora: - Aceita os quarenta e cinco ou quer tirar de dez? Ela devolveu-me as moedas: - É melhor tirar de dez. É... E dizem por aí os economistas que o dinheiro anda curto. Não para aquela vendedora. Dei os dez, recebi o trocado e saí matutando, modo de filosofar nordestino: - Preciso de registrar isso.

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