Boletim Letras 360º #672

DO EDITOR

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Thomas Mann. Foto: ETH Library, Zurique.



LANÇAMENTOS 

Uma nova edição e tradução de A morte em Veneza coloca o leitor em contato com a adaptação desta obra de Thomas Mann para a ópera. 

Em A morte em Veneza, Thomas Mann conduz o leitor a um território inquietante, onde arte, beleza e decadência se entrelaçam. Neste clássico da literatura moderna, acompanhamos Gustav von Aschenbach, um escritor consagrado, símbolo da disciplina e do esforço intelectual. Exaurido pela rotina de trabalho, Aschenbach decide viajar para Veneza, onde encontra Tadzio, um jovem cuja beleza idealizada desperta no escritor uma admiração que rapidamente se transforma em obsessão silenciosa. Com sua prosa precisa e erudita, Thomas Mann constrói uma intensa narrativa que explora as tensões entre o apolíneo e o dionisíaco, entre a razão e o desejo. Esta edição também apresenta, pela primeira vez em uma publicação de A morte em Veneza, o libreto da ópera Death in Venice, do compositor britânico Benjamin Britten. Como adaptação da novela, a ópera aproxima literatura e música em toda sua potência, abrindo novos mundos e expandindo as possibilidades interpretativas de um texto já consagrado. Em dois posfácios inéditos que completam a edição, João Silvério Trevisan e Dieter Borchmeyer, um dos maiores especialistas na obra de Thomas Mann, exploram as implicações humanas, sociais e estéticas de A morte em Veneza, escolhendo caminhos distintos mas que se completam: como diáspora do desejo, para o primeiro, e como novela que nasce do espírito ― Geist ― da música, para o segundo. Publicada pela editora Zain com traduções de Julia Bussius e Júlio Castañon Guimarães, a obra sai no âmbito da coleção Libro & Libreto em duas versões: numa caixa com tiragem limitada inclui-se um folheto com artes de Carla Caffé; e uma edição comum. Você pode comprar o livro aqui.

Coletânea de minicontos de Andréa del Fuego em nova edição revista e ampliada.

Publicado pela primeira vez em 2005, numa edição artesanal, numerada e restrita a amigos, Nego tudo era, sem ninguém saber, a gênese do que viria a ser a obra de Andréa del Fuego duas décadas depois. Desejo, traição, malícia e acidez permeiam estas páginas explosivas, com textos de linhas ágeis que provocam, incomodam e fazem rir ― tal qual em A pediatra, cuja protagonista é o suprassumo desse aspecto mordaz da produção da escritora. Nego tudo é tanto um deleite estético como um exercício sofisticado de literatura por uma autora experiente, que brinca com a forma em contos brevíssimos e desafia o senso-comum, questionando quaisquer maniqueísmos. Um livro sui generis, que em seu aniversário de vinte anos ganha esta nova versão, revista e retrabalhada em detalhe por Del Fuego: alguns contos foram substituídos do original, outros reescritos e novos adicionados, mas a essência contestadora se mantém. O livro é publicado pela Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

O teatro de Aimé Césaire ganha nova presença entre os leitores brasileiros com a publicação integral da sua obra no gênero. 

Escrita entre 1941 e 1956, a peça E os cães se calaram é o primeiro texto dramatúrgico de Aimé Césaire, mas o último a ser traduzido no Brasil, completando a disponibilização de sua obra dramatúrgica em edições brasileiras. O livro inclui uma nota sobre a tradução e um texto de Fernanda Murad Machado sobre a gênese da peça, que teve quatro versões diferentes antes da publicação como tragédia em 1956, pela Présence Africaine, texto base desta tradução. O arranjo teatral publicado em 1956, inicialmente foi concebido como um drama histórico baseado na Revolução Haitiana. No entanto, a versão final adquire um caráter menos localizado, abordando a revolta contra a opressão colonial de forma abstrata. A ação se desenrola em uma prisão claustrofóbica, onde o protagonista, o Rebelde, personifica a luta pela emancipação dos escravizados, confrontando memórias de violência, angústias e hesitações. Em diálogos poéticos com figuras arquetípicas como a Amante e a Mãe, que representam o amor e a conciliação, o Rebelde expressa sua recusa em aceitar a injustiça, e, mesmo sendo violentado, reafirma sua força e a necessidade de construir um mundo de liberdade. Tradução de Maria da Glória Magalhães dos Reis, Juliana Estanislau de Ataíde Mantovani e João Vicente e prefácio de Fernanda Murad Machado; publicado pela editora Temporal, o livro reúne ainda aquarelas de Yhuri Cruz. Você pode comprar o livro aqui.

Uma nova tradução para uma das peças que ocupa posição centra na dramaturgia de William Shakespeare.

Trata-se de um clássico que segue atraindo leitores pelas inúmeras camadas interpretativas das facetas obscuras da humanidade. Um trio de bruxas encontra dois generais, Macbeth e Banquo, e em uma profecia, afirmam que o primeiro se tornará rei, ao contrário do outro. Esta visão de futuro desencadeia uma série de acontecimentos imprevistos, em uma violenta disputa pelo poder. Este é o início de Macbeth, uma das obras-primas da literatura mundial. Em uma nova e fluente tradução de Lawrence Flores Pereira, e amparado por uma introdução contextualizadora de Carol Rutter e um posfácio de Régis Augustus Bars Closel que discute a autoria da obra, Macbeth segue impactante séculos depois, em parte porque traz uma das personagens mais complexas da literatura mundial: Lady Macbeth. Publicação da Penguin/ Companhia das Letras. Você pode comprar o livro aqui.

Uma história literária e social da cena cultural do Brasil com enfoque em Manuel Bandeira e seus afetos.

A trinca do Curvelo é um desses prodígios da articulação entre crítica literária; crônica afetiva e jornalismo cultural que com muita sorte aparecem a cada uma ou duas gerações. Premiado em 1995 pelo Pen Club como melhor ensaio e reeditado agora com dois novos ensaios que versam sobre a presença de duas mulheres na vida e na obra de Manuel Bandeira, o livro toma como ponto de partida uma crônica do poeta de Carnaval sobre uma turma de garotos peraltas de Santa Teresa, no Rio, para expandir seus limites e retraçar uma narrativa de deliciosas coincidências entre um trio que marcou a cultura brasileira. Pois foi ali, naquele bairro encravado entre ruas íngremes, vielas e panoramas deslumbrantes da Baía de Guanabara que três grandes personalidades iriam se reunir na primeira metade do século XX. Manuel Bandeira ocupava a casa de nº 51 na Rua do Curvelo, Nise da Silveira morava em frente ao poeta na mesma rua, e Ribeiro Couto tinha seu quarto ali mesmo também na pensão de Dona Sara. O Rio então era a Capital Federal, a cidade que se modernizava a passos largos, mas que também ainda preservava paragens bucólicas e quase interioranas, onde Bandeira, Nise e Ribeiro Couto iriam roçar cotovelos enquanto ajudavam a transformar o cenário intelectual. Por fortuito que pareça (e é); essa sincronia de personalidades e talentos tão distintos ajuda Elvia a construir — por meio de poemas, cartas, crônicas; rememorações — uma espécie de biografia coletiva tendo Bandeira como centro irradiador. Mas também, a certa altura, a autora pede passagem e relembra a sua própria convivência, décadas mais tarde, com Nise, já uma personalidade quase legendária em nossas ciências. Pois esta é, como já reza o seu subtítulo, uma história de afetos. A reedição revista e ampliada pela editora Todavia. Você pode comprar o livro aqui.

Pela primeira vez no Brasil em tradução direta do russo daquela que é considerada a Magnum Opus de Mikhail Bakhtin.

É em A obra de François Rabelais e a cultura popular na Idade Média e no Renascimento que o pensador mobiliza os conceitos desenvolvidos por seu círculo nos anos 1920 e 1930 para chegar a uma compreensão magistral sobre as relações entre linguagem e sociedade. Ao analisar a cultura popular, não oficial, cuja expressão-chave são os romances de Rabelais e a utopia libertária do carnaval ― que subverte hierarquias, desconstrói certezas e abre alas para um novo tempo social ―, Bakhtin revolucionou os estudos da língua e da literatura. A introdução de Sheila Grillo, tradutora da obra com Ekaterina Vólkova Américo, analisa o percurso do texto, desde os anos 1930 até a década de 1960, detendo-se no doutorado de 1946, e reproduz páginas inéditas de Bakhtin sobre Gógol, excluídas da tese a mando das autoridades soviéticas. Publicação da Editora 34. Você pode comprar o livro aqui.

A história do comunista francês envolvido na luta pela independência da Argélia que foi o único cidadão do seu país a ser guilhotinado durante o conflito, desafiando a ideia de que a França não executaria um dos seus. 

Argélia, 1956. Fernand Iveton, um jovem comunista e pied-noir, planta uma bomba numa usina de gás em apoio à causa independentista. O artefato, planejado para não ferir ninguém, é desarmado antes da explosão. Enquanto a opinião pública debate seu caso, Iveton é preso, torturado e condenado à morte, pois o governo tem pressa em julgar um anticolonialista. Entre terrorista e herói, Joseph Andras narra o lado humano por trás do julgamento de Fernand Iveton, revelando a história de um homem simples e seu idealismo movido pelo amor à terra, à esposa e à liberdade. Amanhã não ousarão nos assassinar sai pelo Selo Manjuba/ Mundaréu; tradução de Letícia Mei. Você pode comprar o livro aqui.

REEDIÇÕES 

Uma nova edição da tradução de Herbert Caro de A montanha mágica, de Thomas Mann

Considerada a obra-prima de Thomas Mann, o romance narra, a partir da permanência de um jovem engenheiro em um sanatório nos Alpes suíços, os dilemas intelectuais e filosóficos que agitavam a Europa às vésperas da Primeira Guerra. Acompanhamos os sete anos em que Hans Castorp passa num sanatório para tuberculosos. Doença, sociedade, religião, ciência, humanismo: estes são alguns temas de debates acalorados entre pontos de vista divergentes, que se desenrolam enquanto o protagonista busca construir sua própria visão de mundo. Publicado originalmente em 1924, A montanha mágica cimentou o gênero do romance de ideias, e na lendária tradução de Herbert Caro apresentada aqui mostra como suas discussões seguem inesgotáveis. O livro ganha nova edição pela Penguin/ Companhia com posfácio de Marcus Vinicius Mazzari. Você pode comprar o livro aqui.

Nova edição de E se eu morrer amanhã, de Filipa Fonseca Silva.

Helena é uma viúva de quase oitenta anos que leva os dias entre chás com velhas amigas e outras atividades típicas da terceira idade, ou ao menos é isso que seus filhos e neta pensam. Até um incêndio no apartamento dela revelar a vida secreta de uma experiente mulher que, desde a morte do marido, aproveita a vida ao máximo entre variados drinques e amantes. Com uma narrativa tão descontraída e despudorada quanto a protagonista, Filipa Fonseca Silva convida a tocar, com prazer e sem tabus, num ponto ainda pouco explorado: o sexo geriátrico. O livro é reeditado pela editora Dublinense. Você pode comprar o livro aqui.

A edição de A falência, principal obra da escritora Júlia Lopes de Almeida, na Antofágica.
 
Mais que um romance de costumes, A falência é o retrato de um país em ebulição que revela e questiona os jogos de poder das elites do café, os papéis impostos às mulheres e, principalmente, as profundas contradições de uma época decisiva para o Brasil. Francisco Teodoro é um português que vem moço para o Brasil e, após anos de esforço, constrói uma sólida fortuna como eminente comerciante do café. Para selar a felicidade e o respeito que sempre almejou, casa-se com Camila, uma jovem bela e dócil, e ergue, como um império, sua própria família.  No entanto, por baixo da aparência de uma união perfeita e estruturada escondem-se tensões e desejos que colocam em evidência as fissuras morais de uma sociedade em busca desenfreada por status, luxo e poder. Aos poucos, os personagens são levados à bancarrota financeira, social e ética; à falência, por fim, de uma ordem patriarcal. Escrito no início do século XX, A falência é considerado um dos romances mais importantes de Júlia Lopes de Almeida. Ao combinar os olhares realista e naturalista, a autora desenvolve os acordos tácitos dos papéis de gênero e, com argúcia, trava um debate acerca da modernização do Brasil, das tensões conservadoras existentes à época, e dá voz, de maneira pioneira, aos desejos de autonomia e liberdade das mulheres. A edição da Antofágica conta com estabelecimento de texto e notas de Gabriela Trevisan, mais de 30 ilustrações da artista Giulia Bianchi, apresentação assinada por Ana Lima Cecilio e posfácios de Ligia Gonçalves Diniz, Geni Nuñez e da própria Gabriela Trevisan. Você pode comprar o livro aqui.


Esta é uma edição de recesso, por isso o Boletim Letras 360º é apresentado sem as seções complementares desta publicação.


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