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Mostrando postagens com o rótulo Márcio de Lima Dantas

A Via Dolorosa de Iaperi Araújo

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Por Márcio de Lima Dantas  Uma geração vai, e outra geração vem;  mas a terra para sempre permanece. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu  lugar, de onde nasceu. — Eclesiastes, 1:4  1. O artista Iaperi Araújo (São Vicente, 21.07.1945) contribuiu para a tradição das imagéticas relacionadas à Via Crucis — conjunto de imagens-ícone contidas no Novo Testamento — que dizem de um profeta ou deus feito homem, tendo este sido responsável pelas ideias que constituem uma nova maneira de conceber as relações, dentro do que ficou reconhecido como práticas religiosas. Como sabemos, o dia de Pentecostes é considerado a fundação do Cristianismo, e a Igreja Católica sua instituição “oficial”. O artista logrou êxito ao plasmar tais discursos por meio de belas imagens, demonstrando domínio da arte de manusear o código pictórico. Um belo estandarte com cores bastante simbólicas abre o cortejo de estações: azul e ocre. Nada rivaliza, no Rio Grande do Norte, com essa obra deixad...

Maria do Santíssimo: a arte como imanência

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Por Márcio de Lima Dantas Se alguém fosse escrever uma história das artes plásticas no estado do Rio Grande do Norte teria que obrigatoriamente dar o seu a seu dono, ou seja, outorgar o real valor ocupado por Maria do Santíssimo. Em matéria de arte há de se buscar categorias que são da disciplina conhecida como Antropologia do Imaginário. Assim sendo, a pintora de São Vicente teria de ocupar o lugar que lhe compete, uma vez que uma honesta e não adulatória análise da sua profícua e bela obra sugere passar por categorias daquele domínio do conhecimento. Com efeito, Maria do Santíssimo teria de ser considerada como nossa mais importante artista plástica. Por quê? Porque sua obra emana de uma necessidade individual e coletiva de expressão, uma imanência que por finda a força teria de se plasmar ante qualquer empecilho ou vicissitude.  Um filósofo de tradição aristotélica talvez dissesse que as pinturas aparentemente ingênuas de Maria do Santíssimo resultam de uma energia social, busca...

A recepção da literatura brasileira na França

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Por Márcio de Lima Dantas  Paulo Coelho. Foto: Niels Ackermann Para nós, estudiosos e professores de literatura brasileira no Brasil, que vivemos e pesquisamos aqui na França, nos é extremamente esquisito o fato de Jorge Amado e Paulo Coelho serem os escritores brasileiros mais conhecidos quando se refere à nossa literatura nacional. Quando se fala em literatura brasileira, são os dois únicos nomes que vêm à memória. Fato que só temos a lamentar, pois somos detentores de uma rica literatura, tanto em ficção quanto em poesia, inclusive os nossos grandes escritores já foram traduzidos para a língua de Montaigne. Inicialmente seria bom separar o joio do trigo. Muito bem, Paulo Coelho não é escritor, nem nunca será. No Brasil, não tem o estatuto de escritor, não é  reconhecido por pessoas com um relativo repertório cultural, nem  muito menos pela crítica especializada, que não o tem em conta — e com razão —, como objeto de estudos. Ninguém perde tempo com a obra deste senhor,...

Auta de Souza: a indelével mediocridade

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Por Márcio de Lima Dantas Et comme il savourait sur tout les sombres choses, Quand, dans la chambre nue aux persiennes closes — Artur Rimbaud Mas perdi-me ao seguir a criançada — Bruno Tolentino 1. Prelúdio: andante Também não gosto. Lendo-a, no entanto, com total desprezo, a gente  acaba descobrindo nela, afinal de contas, um lugar para o genuíno. — Marianne Moore Até parece que a poeta americana escreveu este poema pensando na poeta norte-rio-grandense Auta de Souza (12.09.1876 – 07.02.1901). Poucos são os que a leram com atenção, porém vasto o número dos que apreciam a poesia do seu único livro publicado em vida: Horto . No âmbito da nossa crítica universitária, é unânime o desprezo pela obra da poeta, embora no entourage dos meios indigitados oficiais o nome dela seja citado como uma das potentes vozes da lírica do estado. Contudo, um olhar mais acurado sobre o conjunto da sua obra talvez revelasse coisas para além dos clichés , sem muita reflexão, que lhe são atri...

Jota Medeiros: poesia e poética pansemiótica

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Por Márcio de Lima Dantas  Forma densamente forma como revelar-te se me revelas? — Orides Fontela 1. A obra Ars Poetica  reúne poesias coligidas da participação militante de Jota Medeiros (1958, João Pessoa) no movimento do poema-processo, da poesia concreta e da arte postal. Confere um arco bastante vergado, no sentido de mostrar exemplos de séries e exposições, demonstrando nessa curvatura estética o que foi capaz de produzir em quantidade e qualidade. São trabalhos produzidos entre 1975 e 2007. A coordenação editorial e o projeto gráfico são do competente designer Márcio Simões, pelo selo editorial Sol Negro. O livro é dividido em três seções: “Povis”, “Kinema” e “Documenta”. Ao longo de um folhear atento, constatam-se homenagens a uma série de pessoas, tais como Wlademir Dias-Pino, Augusto de Campos, Haroldo de Campos, Álvaro de Sá, Dácio Galvão, Afonso Martins, John Cage, Erik Satie e Avelino Araújo. Essas homenagens, mais do que simples admiração, funcionam como vet...