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Mostrando postagens de 2026

A crise dos filmes de super-heróis

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Por Michel Goulart da Silva Depois de anos seguidos com grandes bilheterias e elogios por parte da crítica, os filmes de super-heróis inspirados em histórias em quadrinhos parecem ter perdido força. Os poucos filmes lançados no período recente foram recebidos com menos entusiasmo ou mesmo foram duramente criticados, como ocorreu com Aquaman e o Reino Perdido , As Marvels e Madame Teia . Os mais recentes Superman e Supergirl tiveram uma melhor recepção, ainda que longe do auge de outras épocas do gênero. Essa crise pode ser explicada pelo esgotamento comercial desses filmes e pela dificuldade das grandes produtoras em se renovar. Se no começo da franquia Vingadores ou do Universo DC ainda havia espaço para alguma criatividade em suas produções, depois de dezenas de filmes e alguns anos o que se tem são apenas histórias que se repetem até mesmo na forma: o super-herói ou alguém de seu núcleo de pessoas próximas comete algum erro e a história do filme se centra na busca por tentar res...

Entre literatura, imagem e memória em Os emigrantes, de W. G. Sebald

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Por Douglas Sacramento W. G. Sebald. Foto: Basso Cannarsa W. G. Sebald, escritor alemão, nasceu na Alemanha, em 1944, mudou-se anos depois para a Inglaterra, onde permaneceu até sua morte, em 2001. É conhecido por obras como Vertigem  e Austerlitz , nas quais se fazem presentes características marcantes de sua escrita que também reaparecem na obra que é objeto desta crítica: a aproximação entre literatura e memória, mais precisamente com os horrores da guerra e do pós-guerra, que deixaram marcas subjetivas na Europa. Para tratar de um tema tão delicado, o autor recorre ao uso de imagens e à pesquisa arquivística.  Os emigrantes , publicado originalmente em 1992, é composto por quatro narrativas que giram em torno do trânsito de personagens marcados pela guerra, cujos efeitos reverberam em mudanças no cotidiano e em diferentes afetações psicológicas. Sebald se insere como um autor-narrador que revisita o próprio passado e as pessoas que conheceu em sua trajetória. O processo é ...

Traduzi Marco Aurélio sem imaginar que os Red Pill viriam a ler

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Por Felipe Vieira de Almeida O que ainda me justifica escrever para a internet é o eventual contato com leitores que não conhecemos, o e-mail de um desconhecido, o compartilhamento em algum site novo, o encontro fortuito com um leitor na rua, esses sempre foram exemplos felizes de um esforço em geral ingrato. Mal lemos a boa literatura, resta pouca energia para textos despretensiosos online, mas a este espaço permite raros acasos que unem um escritor a um leitor improvável. Dito isso, conheci a tristeza de publicar na web ao reconhecer um público indesejado se abeirando do meu trabalho. Cultivei desde muito cedo o hábito da leitura. Felizmente tive incentivos em casa, na escola e as possibilidades que os livros me ofereciam me arrebataram em uma jornada cujo ponto final só virá com a minha morte ou talvez nem assim. Quando saí de casa aos 19 anos para cursar o ensino superior na UNESP no interior de São Paulo, descobri que além do volume de leitura ao qual eu já vinha me dedicando int...

Boletim Letras 360º #707

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto a custear as despesas com domínio e hospedagem online. A sua ajuda continua essencial. Esses links e os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo Letras . Luis Fernando Verissimo. Foto: Evandro Leal    LANÇAMENTOS Uma seleção dos textos publicados por Luis Fernando Verissimo nos jornais O Estado de S.Paulo e  O Globo entre 2016 e 2020, a maioria ainda inédito em livro . Originalmente, as crônicas reunidas em Crônicas de domingo  foram publicadas aos domingos, dia que Verissimo reservava para temas mais atemporais, dividindo com os leitores um pouco de suas memórias, reflexões e assuntos prediletos. Entre muitos textos saborosos, o leitor encontrará neste livro diálogos entre amigos, casais, pais...

Livro de urgências, de Jonas Leite

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Por George Henrique Jonas Leite. Foto: Heudes Regis Que imagem teria o instante no contemporâneo? Os signos disformes na capa do Livro de urgências , o terceiro volume da poesia de Jonas Leite, parecem oferecer uma pista. É que o contemporâneo é árduo de se decifrar, de se abarcar com acepções encerradas; ele escapa, por mais que tentemos examiná-lo. É um escape irônico, aliás, porque não se trata de um distanciamento; na realidade, estamos tão embebidos nele que, por vezes, ponderar sobre seus efeitos e modulações parece uma tarefa bastante difícil. Todavia, essa parece ter sido uma tarefa que o poeta empreendeu no livro supracitado.  Sua dicção é marcada pela concisão, que parece já nos atentar para a demanda de urgência, uma marca insigne do contemporâneo, ao passo que estabelece um diálogo com o estilo de mestres como Orides Fontela, ou Olga Savary, mas, sobretudo João Cabral de Melo Neto. Isso porque, como caracteriza Lourival Holanda (2026), ao falar da poética de Fontela, os...

O indigente social no conto “Uma vela para Dario”, de Dalton Trevisan

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Por Juliano Pedro Siqueira  Ilustração de Robson Vilalba para a HQ  Uma vela para Dario. Aos amantes da literatura brasileira, não restam dúvidas da sua grandeza. O problema é quando o fetichismo estrangeiro — acreditando ser a tradição literária de lá superior à nossa — rouba a cena. Partindo das nossas raízes mais brasileiríssimas, o panteão literário brasileiro nunca ficou devendo em estilo, prosa, criatividade e profundidade temática. Eis o exemplo de João Guimarães Rosa, que desenvolveu uma prosa metafísica entre jagunços em estilo narrativo, até então, inédito!  Quando decidi escrever sobre a nossa fértil literatura, não quis repetir nomes já consagrados. Buscava uma alma discreta, cuja escrita fosse tão afiada quanto a de tantos outros e me veio o nome de Dalton Trevisan, que nos deixou em 2024. Detentor de um espólio literário invejável, o escritor de Curitiba escrevia ritualisticamente, como se sua missão terrena fosse exclusivamente produzir literatura. E sempre...

Robinson Crusoe e os naufrágios necessários

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Por Marcelo Jungle Daniel Defoe. National Maritime Museum, Greenwich, Londres. Daniel Defoe é o autor de Robinson Crusoe , informação que precisa ser mencionada antes de discutir sua obra mais conhecida. Ele quase se tornou inexistente por conta da fama de Robinson. É um típico caso em que o personagem suplanta o autor e isso diz muito do que este livro se tornou: uma história conhecida de todos e que poucos ainda leem. Um estranho fenômeno transformou-o em literatura infantil, mas é preciso também dizer que esse livro não é apenas isso, nem apenas o relato, repleto de aventuras de piratas e canibais vividas pelo náufrago que passou 28 anos em uma ilha deserta.  Otto Maria Carpeaux resume bem essa dualidade ao chamá-lo de “maior livro infantil da literatura universal” para, na frase seguinte, reconhecer que “aquele espírito poético revelou-se na angústia quase religiosa, inglesamente reservada, do homem perdido nos desertos infinitos do oceano, existência sem horizontes definidos —...