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Mostrando postagens com o rótulo Lucas Paolillo

Pensando os desencantos de um desenvolvimentista — ou Pequeno manual para elaborar reflexões sobre autores que ficaram pelo caminho

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Por Lucas Paolillo Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxílio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada. Assim, Lutero adotou a máscara do apóstolo Paulo, a Revolução de 1789-1814 vestiu-se alternadamente como república romana e como o império romano, e a Revolução de 1848 não soube fazer nada melhor do que parodiar ora 1789, ora a tradição revolucionária de 1793-1795. De maneira idêntica, o principiante que aprende um novo idioma traduz se...

Sobre Gestos utópicos em labirintos distópicos: uma inquietação

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Por Lucas Paolillo Nos laboratórios da criatividade individual, uma alquimia revolucionária transforma em ouro os metais mais vis da vida cotidiana. Trata-se antes de tudo de dissolver a consciência das coações, ou seja, o sentimento de impotência, por meio do exercício sedutor da criatividade: derretê-los no impulso criador, na afirmação serena do seu gênio. A megalomania, tão estéril no plano da corrida por prestígio do espetáculo, representa neste caso uma fase importante na luta que opõe o eu às forças coligadas do condicionamento. Na noite do niilismo que atualmente nos envolve, a fagulha criadora, que é a centelha da verdadeira vida, brilha com maior fulgor. E enquanto o projeto de uma melhor organização da sobrevivência aborta, existe, na multiplicação dessas fagulhas que pouco a pouco se fundem em uma única luz, a promessa de uma nova organização baseada desta vez na harmonia das vontades individuais. O devir histórico nos conduziu à encruzilhada na qual a subjetividade radical...

A agitação turbilhonar de Lady Gaga – apresentando a série Memorandum

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Por Lucas Paolillo As imagens que se destacaram de cada aspecto da vida fundem-se num fluxo comum, no qual a unidade dessa mesma vida já não pode ser restabelecida. A realidade considerada parcialmente apresenta-se em sua própria unidade geral como um pseudônimo à parte, objeto de mera contemplação. A especialização das imagens do mundo se realiza no mundo da imagem autonomizada, no qual o mentiroso mentiu para si mesmo. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo. — Guy Debord, A sociedade do espetáculo  (1967) Montagem em série autoral de Small Torn Campbell's Soup Can (Pepper Pot) , de Andy Warhol (1962). Nos dias que correm, escrever inspirado por algum impulso de suspeita sobre as assim chamadas divas pop não é tarefa das mais simples. O mero anunciar de seus nomes-fantasia, antes mesmo de delineadas quaisquer figurações, magnetiza devoções litúrgicas ou preconceitos imediatos. “O contemporâneo é o intempestivo”, já disseram por aí...

Maria Martins, uma intérprete das expectativas decrescentes

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Por Lucas Paolillo “Havia carvalhos rugosos, enormes, que se contorciam e se esticavam no chão, abraçavam-se uns aos outros, e, firmes sobre seus troncos, parecendo torsos, lançavam com os braços nus apelos de desespero, ameaças furiosas, como um grupo de titãs imobilizados na raiva. Algo mais pesado, um langor febril pairava acima dos pântanos, recortando a superfície de suas águas entre arbustos de espinheiros; os liquens da margem, onde os lobos iam beber, são cor de enxofre, como se queimados pelos passos das bruxas, e o coaxar ininterrupto das rãs responde ao grito das gralhas que volteiam. Em seguida, atravessaram clareiras monótonas, plantadas aqui e ali de árvores jovens não podadas. Ouvia-se um ruído de ferro, pancadas fortes e numerosas: era, no flanco de uma colina, um grupo de exploradores de pedreiras quebrando as rochas. Estas se multiplicavam cada vez mais, e acabavam enchendo toda a paisagem, cúbicas como casas, chatas como lajes, estendendo-se, inclinando-se, confundin...

Caetano Veloso hoje: nos palcos, nos bastidores (parte 1)

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Por Lucas Paolillo Muitos artistas, músicos, cineastas e pensadores compreenderam que estavam em uma situação na qual ideólogos reacionários infamavam — por meio de livros, sites e artigos de jornal — qualquer tentativa de superar a desigualdade, associando políticas socialmente progressistas a um tipo de pesadelo venezuelano, gerando o medo de que os direitos das minorias corroessem princípios religiosos e morais ou simplesmente doutrinando as pessoas na brutalidade através do uso sistemático de linguagens depreciativas. A ascensão do Sr. Bolsonaro como uma figura mítica corresponde às expectativas criadas por esse tipo de ataque intelectual. Não se trata de uma troca de argumentos: aqueles que não acreditam na democracia agem de maneiras insidiosas — Caetano Veloso. em “Dark times are coming for my country” (2018), tradução livre. En la lucha de clases todas las armas son buenas  piedras  noches poemas — Paulo Leminski, Polonaises (1980). Considerando os ecos do meu próprio...

Estamira, insolações contra o descuido — notas sobre o que restou

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Por Lucas Paolillo eu fedo/ tu fedes/ ele fede/ nós fedemos/ vós fedeis/ elas fedem mas que eu não feda no metrô/ que tu não fedas na aliança francesa/ que ela não feda na sanduicherie/ que nós não fedamos na brasserie/ que vós não fedais nos escritórios/ que eles não fedam na hora do sexo fede tu!/ feda você!/ fedamos nós, porra!/ fedei vós/ fedam vocês! eu já fedi/ tu já fedeste/ ela já fedeu/ nós já fedemos/ vós já fedestes/ eles já federam quando eu feder, irei para Paris/ quando tu federes, poderás ser gerente/ quando ela feder, estará pronta para o serviço/ quando nós federmos, acabaremos com a corrupção/ quando vós federdes, acabareis com a guerra/ quando eles federem, abraçarão uns aos outros eu federa um dia/ tu federas pra caralho!/ ela federa, mas dava para aguentar/ vós federeis como cachorros molhados de rua/ eles federam e continuavam fedendo não fedeu!?/ em algum instante da vida eu federei/ tu federás/ ela federá/ nós federemos/ vós federeis/ eles federão — Manuel V...