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Mostrando postagens de março 12, 2026

A palavra-legado de Noemi Jaffe

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Por Gabriella Kelmer Noemi Jaffe. Foto: Zanone Fraissat Em Te dou minha palavra , obra publicada pela Companhia das Letras em 2025, Noemi Jaffe desvela-se, na epígrafe, na figura de um mosquito embevecido pela atração incômoda e perigosa de um vulcão em erupção, do qual consegue se afastar atabalhoadamente. A analogia se torna clara à medida que o texto avança, refigurando-se nos trens, nas menções ao campo de concentração, no cotidiano da família judia e trabalhadora do Bom Retiro, no espraiamento identitário por músicas, filmes e livros da menina filha de sobreviventes do nazismo, para quem a cultura e a rebeldia são réplicas potentes. Remanescente de uma vivência autoficcional reelaborada desde os seis, os oito, os onze, os quatorze anos, funciona o passado de vórtice para uma discussão complexa e refrativa do tempo. O mosquito é ela, autora e narradora, mas também a criança que ela foi; o vulcão é o fascínio exercido simultaneamente pela história da catástrofe que resultou na mudan...