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Mostrando postagens de maio, 2026

Boletim Letras 360º #690

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto. A sua ajuda continua essencial para que o  Letras  permaneça online. Esses links de os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo  Letras .    John Williams. Foto: Paul Child Collection LANÇAMENTOS Com a nova tradução deste livro, os principais romances de John Williams voltam a ficar disponíveis para os leitores brasileiros .  Na década de 1870, Will Andrews desiste de Harvard e resolve abandonar o conforto da sua vida na cidade de Boston para ir atrás de uma forma mais autêntica de viver. Sua busca o leva até Butcher’s Crossing, um pequeno povoado solitário perdido na vastidão da pradaria do Kansas e habitado por uma pequena comunidade de negociantes de peles e rudes caçadores de ...

A morte do girassol

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Por Juliano Pedro Siqueira E tudo, mesmo a negra cor, Parecia polido, irisado; O líquido engastava a glória Naquele raio cristalizado. — Baudelaire, As flores do mal Van Gogh.  Autorretrato com chapéu de palha , 1887. A história de um grande homem nem sempre dialoga com sua arte. Repleta de infortúnios e contradições, a vida de Vincent Van Gogh foi mergulhada em turbilhões de sentimentos obscuros, radicalmente contraproducentes às flamejantes cores reproduzidas em suas pinturas. Paralelamente às pinturas e desenhos, ele arriscou algumas profissões em resposta às cobranças familiares. A exemplo, quando foi enviado missionário, em 1879, ao vilarejo de Borinage, para pregar aos pobres mineradores. Contudo, em pouco tempo, fracassou miseravelmente, sendo destituído do ordenamento.  Vincent se considerava o degenerado da família. Aquele que atraía sobre si toda sorte de agouro, de modo que todos em sua volta acabavam inevitavelmente prejudicados. Foi o que ocorreu quando conheceu P...

Corsária, de Marilene Felinto

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Por Gabriella Kelmer Marilene Felinto. Foto: Antonio Scarpinetti Não é desconhecida a narrativa de retorno ao interior semiárido na escrita de Marilene Felinto, cuja notoriedade foi alcançada com a publicação de As mulheres de Tijucopapo , de 1982. Seu novo romance, Corsária , publicado em 2025 na parceria entre a Fósforo e a Ubu Editora, segue as trilhas temáticas e composicionais daquele primeiro sucesso, embora sejam suas soluções ligeiramente menos satisfatórias quando comparadas àquela outra realização. É uma narradora-protagonista “semiárida, corsária, beligerante” (Felinto, 2025, p. 12) a que fala no romance, estabelecendo sua narração no condicional e no futuro do pretérito: “Se isto fosse uma história [...]” (Felinto, 2025, p. 12), começa ela, “seria a narrativa de uma inexistência” (Felinto, 2025, p. 12), “seria no linguajar local, dicção do tempo dos meus avós” (Felinto, 2025, p. 19), “pois eu escreveria direito” (Felinto, 2025, p. 26). Estabelece-se, assim, desde o início, ...

Razão e ceticismo em The Mentalist

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Por Michel Goulart da Silva Em 2008, no mês de setembro, o charmoso personagem Patrick Jane estreava sua série The Mentalist na televisão estadunidense. Nos primeiros episódios, mesmo sem saber naquele momento, os espectadores que assistiam à série foram apresentados ao perigoso serial killer Red John. O vilão, cuja identidade foi revelada apenas muitas temporadas depois, havia assassinado com crueldade a esposa e a filha pequena de Jane, que se dizia um vidente, à época ajudando a polícia em sua caçada por Red John. Em meio a uma pilha da cadáveres que foram se acumulando durante os muitos anos de atividade do perigoso assassino, Jane, deixando de lado o personagem do vidente que havia criado para ganhar dinheiro, passou a viver em função de perseguir seu grande oponente. Contudo, embora centrasse sua narrativa no embate entre Jane e Red John, a série sempre conseguiu levantar questões filosóficas de grande relevância tanto para seus personagens como para os espectadores. Logo na pri...

Os caminhos trôpegos e regados à bebida em Suttree, de Cormac McCarthy

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Por Douglas Sacramento Cormac McCarthy. Foto: Gilles Peress I Rebecca Solnit, no livro A história do caminhar , apresenta um compilado literário e cultural sobre o ato de andar nas suas mais variadas acepções. Num determinado momento, a autora dedica sua escrita às pessoas que andam na rua e aborda como a cidade pode ser um espaço labiríntico, marcado por indivíduos de múltiplas ocupações, caracterizando-se, assim, como um território ambíguo. A cidade ora remete à liberdade de circular pelas ruas, becos e vielas, ora revela seu lado negativo, como um lugar onde se mata e onde constantemente circulam sujeitos de atitudes duvidosas.  Mas algo me chama atenção nesse texto de Solnit: a rua é associada ao sujo e ao baixo. Mesmo quando são mobilizadas representações positivas da urbe, parece haver sempre algo à espreita, capaz de acabar com essa energia. Então, chega-se à conclusão de que, na cidade, tudo pode acontecer, e o sujeito pode se deparar com outros tão diversos quanto ele...

Transgressão, êxtase e sonho: a irrealidade de Max Blecher

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Por Felipe Vieira de Almeida  A literatura é uma arte que, me parece, nunca abandona sua essência; é a arte cuja matéria-prima é a linguagem e ainda que se trate de um ponto de partida coletivo me descubro fascinado com usos dessa linguagem que de tão peculiares parecem nos ensinar uma humanidade diferente de nós. Blecher foi um escritor romeno de origem judaica que passou os últimos dez anos de sua vida (dos 18 aos 28 anos) sofrendo com as limitações do Mal de Pott, a tuberculose vertebral, confinado a um leito pela impossibilidade de sobrecarregar sua coluna vulnerabilizada pela doença. Seria uma indiscrição introduzir um autor junto de sua doença, seria se essa doença não tivesse alterado tanto os rumos de sua vida e, por conseguinte, de sua escrita, mas Blecher escreveu com brilhantismo textos intrigantes a partir da posição ingrata em que se encontrava. Acontecimentos na irrealidade imediata é uma pequena joia da literatura romena publicada no entreguerras e que à época era u...

Boletim Letras 360º #689

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto. A sua ajuda continua essencial para que o  Letras  permaneça online. Esses links de os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo  Letras .  Rosa Montero. Foto: Ivan Giménez LANÇAMENTOS Neste romance profundo, erótico e irresistível, Rosa Montero fala da passagem do tempo, do medo da morte e do fracasso — mas também da esperança. Um hino à necessidade de amar e da gloriosa tirania do sexo . “No fim, tudo acabava desembocando no amor. E no sofrimento.” Soledad contrata um gigolô para acompanhá-la à ópera e provocar ciúmes no amante que a abandonou. Mas, na saída, um acontecimento inesperado e violento vira subitamente o jogo e marca o início de uma relação turva, vulcânica e não desprovida de perig...

Lua na jaula, de Ledusha Spinardi

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Por Luiza Perez Ledusha Spinardi. Foto: Renato Parada Leda Beatriz Spinardi, ou Ledusha Spinardi, nasceu em 1953, em Assis, interior de São Paulo. Após se mudar para o Rio de Janeiro, a poeta se integra à cena literária carioca e publica o marcante projeto Risco no disco (1981) na Coleção Capricho, ao lado de nomes como Ana C. e Francisco Alvim. Mais adiante, lança Finesse & fissura (1984), que compõe a celebrada “Cantadas Literárias” da Editora Brasiliense, que reuniu poetas como Paulo Leminski, Alice Ruiz e Chacal. As obras dialogam com a chamada poesia marginal (à margem editorial), especialmente pela experimentação e teor crítico afiado. Apesar do diálogo, há, já nos primeiros livros, algumas particularidades da poesia de Ledusha que chamam a atenção, como a construção própria da ironia subversiva: Deslavada Meu caro Antônio Não pude ir Pneu furou Não sei trocar (Spinardi, 1984, p. 45)  Para contar uma mentira deslavada , a voz poética se apropria, com cinismo, do discurs...