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A verdade sobre a bala perdida de Burroughs

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Por Juan Tallón


Jorge García-Robles é a pessoa que melhor sabe o que aconteceu no dia 6 de setembro de 1951 no apartamento da rua Monterrey, 122, México DF, onde William Burroughs matou com um tiro sua companheira, Joan Vollmer. Investigou o escritor durante quatro anos; primeiro, com o seu agente literário, James Grauerholz; e, depois, sozinho. O resultado é A bala perdida (tradução livre), obra de culto sobre os dias no México do autor beat publicada há 24 anos. O retorno à obra traz consigo a notícia de que os seus direitos foram adquiridos por uma das produtoras de Narcos para uma série sobre Burroughs, o escritor que levou mais longe a relação entre literatura e drogas.
No capítulo mais intenso do livro, García-Robles relata que aquele dia fatídico, quando o escritor e sua companheira chegaram ao apartamento da rua Monterrey, se passava uma animada reunião de amigos. O lugar estava cheio de garrafas de gim e de refrigerantes vazias. Depois de duas horas e meia, e muita bebida, Bu…

Boletim Letras 360º #323

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Começo de semana de riquezas para os leitores do Letras in.verso e re.verso. Em nossa conta no Instagram realizamos o sorteio da nova edição de Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa (Companhia das Letras); foi o segundo sorteio deste livro entre os que acompanham o blog a partir das redes sociais, o primeiro foi em nossa página no Facebook. Bom, e nesse espaço realizamos outro sorteio: há muito estávamos com uma enquete que perguntava aos leitores sobre o conteúdo disponibilizado na página e os interessados em concorrer a um livro surpresa bastavam deixar um comentário na enquete depois de votarem. Noutra ocasião, quando o livro chegar às mãos da ganhadora (foi uma leitora do Rio de Janeiro) divulgaremos qual era o título em questão. Agora, vamos às notícias da semana por lá.


Segunda-feira, 13 de maio
Escritora conhecida por seus cordéis, Jarid Arraes estreia no gênero dos contos.
Redemoinho em dia quente foca mulheres da região do Cariri, no Ceará; os contos de Jarid desafiam …

O erudito, o popular e a doce virtude da ignorância

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Por Rafael Kafka


Sempre tentei entender por que as pessoas são tão apaixonadas pelos filmes de super-heróis. Mesmo em minha fase adolescente tendo sido um entusiasta dos desenhos animados japoneses, certas condutas típicas de geeks e otakus me aborreciam, como essa vontade de fazer cosplays. Ao mesmo tempo, porém, havia em mim uma certa sensibilidade imaginativa provocada em demasia pelos temas discutidos dentro de animes e mangás e muitas vezes me peguei envolvido com personagens desse universo em um grau maior do que com o tido com pessoas do mundo real.
Mas o meu purismo prevaleceu sobre meu bom senso e durante anos eu julguei pessoas que gostavam de filmes de super-heróis como tolas e infantis. Demorei a me libertar dele e demorei mais ainda para decidir ver um filme e avaliar por conta própria o charme dessas obras de arte. Por mais que nunca tenha lido nada dos autores os quais se utilizam do conceito de indústria cultural, esta foi uma noção muito utilizada por mim para critica…

Uma foto, Salinger!

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Por Juan Tallón


Passavam-se os anos e J. D. Salinger, assediado pelo sucesso de O apanhador no campo de centeio (1951), não dava sinais de vida; nem publicava, nem se deixava ser visto. Mas, sabia-se que escrevia e o resultado era guardado a sete chaves. Admitiu em algumas das poucas entrevistas que concedeu aos jornalistas que aprenderam ao longo dos anos como falar com o escritor em New Hampshire. “O que importa é apenas a literatura”, disse a Betty Eppes em 1980, quando aceitou falar com ela depois que a jornalista lhe deixou uma nota explicando que estaria num Pinto azul celeste parado próximo da ponte coberta que havia ao lado da casa dele.
Em 1977, ante o silêncio literário que começava a durar demasiadamente, o editor de ficção da revista Esquire, Gordon Lish, ouviu dizer de seu chefe que não seria mal publicar uma bomba. Lish era um tipo ágil e tão logo pode – e pode nessa mesma noite – embriagou-se e escreveu “A Rupert, sem remorsos”; era um conto cujo título se inspirava em …

Shane: um olhar sobre a violência no cinema western

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Por Davi Lopes Villaça


Um dos momentos-síntese do clássico cinema faroeste, Shane (1953), do diretor George Stevens, ajudou a compor aquele vasto universo ficcional, livremente inspirado na história da colonização do oeste dos Estados Unidos, que se enraizou no imaginário do público (não só do americano) como mito fundador de toda uma nação. O filme aborda uma questão bastante delicada, referente à contraditória relação de dependência entre civilização e violência.
Uma pequena colônia de fazendeiros é hostilizada por um bando de vaqueiros que deseja expulsá-los da região para dar mais pasto a seus rebanhos. Os dóceis colonos não têm força nem coragem para medir-se com seus inimigos. Além disso, recorrer à violência implicaria trair aquilo que eles mesmos representam: o ideal de uma sociedade pacífica, baseada na justiça e não na lei do mais forte.
Como pode o civilizado derrotar o bárbaro, que justamente por ser bárbaro é mais forte do que ele? Mais ainda, como pode derrotá-lo, sem p…