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Boletim Letras 360º #508

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DO EDITOR   1. Caro leitor, continuam abertas as inscrições para o clube de apoios ao Letras no mês de dezembro. Esperamos realizar o sorteio no dia 17. Disponibilizamos quatro livros e queremos sortear quatro leitores: a edição de luxo da Ed.ufpa com os poemas inéditos de Max Martins  Say it (over and over again) ;  Mobiliário para uma fuga em massa , de Marana Borges (Dublinense); a edição especial de  Ensaio sobre a cegueira , de José Saramago (Companhia das Letras); e Sátántangó , de László Krasznahorkai (Companhia das Letras).   2. Para participar é simples: colabora com R$20 e depois entrega o comprovante via blogletras@yahoo.com.br — este e-mail é também a chave do PIX. Para mais detalhes visite aqui ou escreva para o Letras .   3. Outra forma permanente de ajudar ao Letras  com o pagamento das despesas anuais de domínio e hospedagem na web  é na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste Boletim: você pode garantir um bom desconto sem pagar nada mais po

Os jogadores de cartas

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    Por Gabriel Bernal Granados   Talvez a sensação de irrealidade, de desconexão, venha simplesmente do hábito diário, transformado em crônica, do chá de menta e tília.   — Peter Handke, O peso do mundo     Paul Cézanne. Les joueurs de cartes (Os jogadores de cartas). Museu de Orsay.   Catorze anos depois de Thomas Eakins terminar de pintar seu quadro sobre dois jogadores de xadrez, Cézanne começa uma série de pinturas, de tema afim, sobre jogadores de cartas.   Na tela do Museu d’Orsay, a mais emblemática das cinco pintadas por Cézanne, dois homens sentados, vistos de perfil, jogam cartas. Entre o xadrez e as cartas, no entanto, existem diferenças substantivas: o xadrez responde às exigências do cálculo e da estratégia; em vez disso, o jogo de cartas abrange os imperativos do acaso e da malícia.   A pintura de Cézanne envolve uma sublimação do espaço que na pintura de Eakins se torna enunciado e história. Na visão de Cézanne, o importante é a escolha das cores e sua disposição harmo

Encruzilhadas de caminhos: o novo romance de Jonathan Franzen

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Por José Homero Jonathan Franzen. Foto: Ian Allen   “Todas as famílias felizes se parecem...”, diz um incipit tão famoso quanto aquele do lugar cujo autor não consigo me lembrar. Desde seu segundo romance, Tremor (1992), a concepção romanesca de Jonathan Franzen (1962) está enraizada, principalmente, na configuração de famílias cujos infortúnios se tornam socialmente emblemáticos. Se tal interesse poderia sugerir intimismo, a verdade é que o desmesurado nativo de Chicago persegue essa obsessão que angustia todo romancista estadunidense: escrever “o grande romance americano”, figura de uma época e espelho de seu tempo, refletindo sobre o microcosmo familiar. Atualmente considerado o melhor romancista estadunidense — Wallace e Roth morreram — conseguiu isso em As correções (2001) e, em menor medida, Liberdade (2010).   A Encruzilhadas (em tradução portuguesa), o primeiro de uma trilogia que cobrirá os últimos 50 anos, enfoca os Hildebrandt que durante o Natal e a Páscoa de 1971 e 19

Os livros de Gabriel García Márquez adaptados para o cinema e para a televisão

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Por Luis Manrique Rivas O universo literário de Gabriel García Márquez não teve muita sorte no mundo audiovisual. Traduzir não tanto suas histórias-roteiros, mas a maneira poderosa, original e exuberantemente literária como são contados é uma tarefa difícil porque, além disso, suas narrativas fazem com que cada leitor crie seu próprio mundo imaginário. A penúltima adaptação é Notícia de um sequestro , apresentada em 13 de agosto de 2022 como uma minissérie de seis episódios transmitida para 240 países (Prime Video da Amazon), dirigida pelo chileno Andrés Wood, com o apoio dos filhos do escritor. Este talvez seja o livro do Prêmio Nobel colombiano menos complicado de levar às telas, no sentido de que tem menos da imaginação maravilhosa de García Márquez e está mais próximo de uma realidade terrível de seu país relacionada ao narcoterrorismo entre as décadas de 1980 e 90. Foi publicado em 1996 e sua história real parece uma ficção vivida por todo um país onde o autor foi mais um jornalis

As aventuras arqueológicas de Agatha Christie... também acabaram com um crime

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Por David Barreira Em Ur, cidade da antiga Mesopotâmia, no atual Iraque, em 1931. Max Mallowan, Agatha Christie e Leonard Wooley.   Além de estar protagonizado pelo famoso detetive particular Hercule Poirot e ambientados no Oriente Médio, três dos romances mais notáveis ​​de Agatha Christie (1890-1976) expõem o fascínio da dama do crime pela arqueologia. Em Assassinato na Mesopotâmia (1936), a trama se passa durante as escavações no sítio de Ur, no Iraque; grande parte do suspense em Encontro com a morte (1938) ocorre nas ruínas de Petra; e entremeada à narrativa, para Morte no Nilo (1937), a escritora britânica criou um vilão disfarçado de arqueólogo, o Signor Richetti.   Todas estas ficções de Christie, tríade a que se deve acrescentar Aventura em Bagdá (1951), beberam de um substrato real, da sua própria experiência no terreno referido. Durante sua visita a Bagdá em 1930, a já renomada autora conheceu Leonard e Katherine Woolley, que realizavam diversas campanhas de escavação na

A máscara de Dionísio: êxtase e alteridade em “A lenda do santo beberrão”

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Por Berta Ares Yáñez Joseph Roth. Emo Verkerk. O escritor de origem galega Joseph Roth (1896-1939) foi não só um brilhante contador de histórias, mas também um extraordinário estrategista e grande conhecedor das principais fontes da tradição europeia, especialmente da Bíblia e da Grécia antiga. Seus contemporâneos admiravam sua escrita, sóbria, clara e precisa, e seu estilo irônico. A crítica germânica o considera um dos mais importantes escritores da língua alemã, apesar, alguns apontam, de sua narrativa ser tradicional e continuadora, ou seja, epigonal. No entanto, estudos narratológicos recentes destacam a ação subversiva do escritor, especialmente por meio do uso da ironia e da ambiguidade. Aliás, esta qualidade de muitos dos textos de Roth, que também é a marca do seu estilo, poderia responder mais a uma mentalidade criativa mística do que à procura de novas formas de exploração que nascem com o século XX; no entanto, apenas sublinham o enorme potencial criativo deste legado, que