La grazia, de Paolo Sorrentino
Por Pedro Fernandes É possível que com La grazia (2026), Paolo Sorrentino tenha alcançado um filme capaz de disputar entre os espectadores e a crítica o até agora inatacável lugar de destaque ocupado por A grande beleza (2013) em sua filmografia. É uma obra articulada com temas e interesses caros ao cineasta italiano, sóbria e ao mesmo tempo ousada pela maneira como dispõe de elementos tão diversos em um mesmo espaço, conseguindo o estranhamento, mas nunca a desarmonia, mantendo do início ao fim uma rara elegância, para nos referir a um termo pinçado a certa altura de um diálogo entre o protagonista, o presidente Mariano De Santis, com o seu ministro da justiça Ugo Romani. A personagem de Toni Servillo encontra-se a seis meses do fim do mandato e numa ampla encruzilhada de decisões que começam a aparecer em cena com a necessidade de assinar (ou não) o projeto continuamente adiado da lei de eutanásia na Itália. Em um país situado entre acompanhar a abertura progressista do ocidente e ...