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Tchevengur, de Andrei Platônov

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Por Marcelo Jungle Andrei Platônov, Koktebel, 1936.   A Editora Ars et Vita lançou obra fundamental e quase desconhecida da literatura do século XX. Trata-se de Tchevengur , do escritor russo Andrei Platônov, escrita nos anos de 1927–29 e originalmente intitulada Construtores da Primavera . Merecem todos os elogios pela iniciativa os co-editores Luiz Gustavo Carvalho e Maria Vragova, que também assina a tradução, por trazer ao universo lusófono a primeira versão em português desta obra-prima. Que seja a locomotiva que nos traga outras criações do autor, complementando uma séria lacuna do universo editorial da literatura russa no Brasil.   Tchevengur faz parte daquela categoria de livros exilados, sequestrados ou confinados durante o regime soviético e só obteve a liberdade em 1988. Esta lista é extensa e nela se incluem autores como Mikhail Bulgákov, Marina Tsvetaeva, Anna Akhmátova, Osip Mandelstam, Vassili Grossman, Aleksandr Soljenítsyn, Varlam Chalámov, Isaak Bábel e Anatoli Riba

Boletim Letras 360º #492

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    DO EDITOR   1. Caro leitor, aqui encontrará parte das notícias que divulgamos durante a semana em nossas redes sociais. Dessa vez, uma pequena parte. A lista de pré-vendas de duas das mais ativas casas editoriais saiu no mesmo dia e preciso economizar tempo de leitura aqui e notícias para os próximos boletins.   2. Durante a semana, o leitor saberá qual livro substituiu o sorteio da edição especial do Ensaio sobre a cegueira . Relembro que para participar dos sorteios basta apoiar o Letras — todas as informações aqui .   3. E, não esqueça, na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados aqui, você ganha desconto e ainda ajuda ao Letras com as despesas de domínio e hospedagem na web sem pagar nada mais por isso .   4. Agradeço a companhia. Bom final de semana e boas leituras! Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa, setembro de 1967.   LANÇAMENTOS   Dois livros que unem Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa ganham tradução e edição pela primeira vez no Br

Cadernos de delicada loucura (Parte 2)

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Por Antonio Yelo (A primeira parte deste texto foi traduzida aqui )   5 Susan Sontag tinha dezessete anos quando se casou com Philip Rieff, seu professor de sociologia na universidade. Rieff era onze anos mais velho que ela. No dia 3 de janeiro de 1951, a escritora anotou no seu diário:   “Casei com Philip com plena consciência + medo da minha própria vontade apontada para a autodestrutividade.”   A 4 de setembro de 1956 reflete em outro de seus cadernos:   “Quem inventou o casamento foi um torturador astuto. É uma instituição destinada a embota os sentimentos. Toda a questão do casamento se resume na repetição. O melhor que ele almeja é a criação de dependências fortes e mútuas.   Brigas acabam perdendo todo o sentido, a menos que a pessoa esteja sempre pronta a agir sobre elas — ou seja, terminar o casamento. Assim, depois do primeiro ano, a pessoa para de ‘perdoar’ depois das brigas — apenas recai num silêncio irritado, que passa a um silêncio comum, e depois continua outra vez.”  

O verão em que mamãe teve olhos verdes, de Tatiana Ţîbuleac

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Por Sérgio Linard Tatiana Ţîbuleac. Foto: Mario Gi. Quando a pretensão é não traumatizar filhos, o melhor caminho é não os ter. Assim dizem os populares, assim escolheu o nosso Brás Cubas. Mas a mãe de Aleksy o traumatizou e só conseguiu ter uma boa convivência com aquele adolescente em um eterno verão. Este romance da autora moldava Tatiana Ţîbuleac persegue, sob a perspectiva do filho já adulto, justamente aquele verão.   São as férias escolares; a mãe, que já tem uma relação bastante conturbada com sua única prole, encaminha-se até aquela escola destinada a jovens infratores, órfãos ou com algum “problema” que a sociedade autointitulada “normal” vê como suficiente para isolá-los da vida em sociedade. E aqui, já no começo do livro, entendemos o grau de repulsa que o jovem tinha por sua genitora:   “Naquela manhã em que a odiava mais do que nunca, mamãe completou trinta e nove anos. Era gorda e baixinha, burra e feia. Era a mãe mais imprestável que já havia existido. Observava-a pela

Visita ou Memórias e Confissões, de Manoel de Oliveira

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Por Solange Peirão   Visita ou Memórias e Confissões é um filme do cineasta português Manoel de Oliveira, apresentado ao mundo em 2015. Foi realizado em 1982. Porém, por determinação explícita de seu realizador, só poderia ser divulgado após sua morte, que ocorreu naquele ano. Não, segundo ele, porque tivesse algo surpreendente a revelar, ou proibitivo a esconder. Simplesmente, porque tratava-se de um filme autobiográfico, um filme sobre ele e sua família.   O fato é que essa condição já veio derramar sobre a película um certo clima de suspense que, igualmente, acabou por se tornar também uma de suas marcas.   Os principais personagens/atores (ou atores/personagens), quem serão? Manoel de Oliveira e sua família? Os visitantes/fantasmas (ou seriam fantasmas/visitantes?) da casa que, em princípio, vieram agradecer o jantar que os Oliveira lhes haviam oferecido recentemente? Ou, ainda, seria a própria casa?   Sobre documentário e ficção   Ao assistir Visita ou Memórias e Confissões sent