De Tebas às areias de Arrakis: Édipo e Paul Atreides, marionetes do destino
Por Rafael Pontes Max Ernst, Oedipus Rex As profecias sempre fizeram parte do imaginário popular das antigas civilizações espalhadas pelo globo. Algumas previam bênçãos e glórias, ao mesmo tempo que anunciavam pragas, guerras, sangue e morte. Assim como as raízes de uma árvore, essas visões proféticas se espalhavam e penetravam na mente dos povos, moldando decisões, alimentando esperanças e despertando medos. Não eram simples palavras proferidas pela boca de um sábio, mas forças capazes de trazer o auge e a queda ao mesmo tempo. Como reflexo das inquietações humanas, a literatura apropriou-se desse imaginário profético por meio de icônicas obras, como a tragédia de Macbeth (1623), de William Shakespeare, na qual a ambição do protagonista é despertada pelas previsões proferidas pelas três bruxas. Suas ações e seus ideais foram simplesmente abandonados ao ouvir o futuro dito por elas. A partir desse momento, o protagonista se transforma em um ser irreconhecível, um homem diferente...