Objetivação e metaficção no romance de Andrea Jeftanovic
Por Gabriella Kelmer Andrea Jeftanovic. Foto: Guillermo Barquero Há uma medida em que a literatura suspende a vida. Em que ela nos arrebata do mundo, da realidade, da sensação física das coisas. É nesse estado de letargia, de entrega a um limiar outro que não o nosso, não mais aquele que nos foi relegado por circunstâncias, irremovíveis ou escolhidas, que é gerado o desprendimento, a confusão, a necessidade de nos recolocarmos em um corpo vivo. A literatura também gera desconhecimento. Ao menos tem sido assim na minha vivência. Habito por vezes um estado de desconexão, ora maravilhada, ora apática e entorpecida, que momentaneamente afrouxa meus laços com quem eu sou, com o que eu prezo, com tudo aquilo que não é a experiência imediata do simbólico, do linguístico, do ficcional. Escolher a literatura tem sido muitas vezes ver a mim mesma através de uma lente que conserva as distâncias, objetiva meus desafios e a minha vida, enquanto estabelece com maior generosidade os contornos di...