Percursos fluviais para chegar ao mar em O rio que me corta por dentro, de Raul Damasceno
Por Douglas Sacramento Raul Damasceno. Foto: Arquivo do escritor. Existem inúmeros filmes e livros que retratam os períodos de descobertas e primeiros amores de adolescentes, jovens e adultos. Sempre fui muito afetado por esse tipo de estrutura narrativa. Acredito — e, depois de muitos anos de terapia, entendo melhor — que, por não ter vivido essas descobertas no tempo esperado, acabei suprindo a falta e descompasso consumindo enredos juvenis, ora felizes, ora nem sempre bem resolvidos. Quando analisamos obras centradas em questões LGBT+ e recortamos seus enredos — e o leitor que parar para pensar com certeza encontrará — sobram bons exemplos que não apresentam o tão esperado “final feliz” recorrente nas histórias que aqui me refiro. Essas elucubrações me vieram quando estava imerso nos rios narrativos de Raul Damasceno, escritor cearense formado em História, que, depois de se aventurar na escrita compondo roteiros, apresenta o seu primeiro romance: O rio que me corta p...