Doze poemas de Wendell Berry
Por Pedro Belo Clara (Seleção e versões)* Wendell Berry. Foto: Kate Mount CÂNTICO (para Robert Hazel) ( Broken Ground , 1964) Não é isto o que a morte significa — o espírito, triunfante na queda do corpo, louvando a sua ausência, alimentando-se de música. Se a vida não consegue justificar-se e explicar-se, a morte não o poderá fazer. Uma crença e um túmulo nunca igualaram a vida do que quer que seja. Flores amarelas despontam nas fendas de pedras antiquíssimas no começo de abril. Os trajes negros dos sacerdotes voltam-se contra o frágil amarelo da luz e das pétalas; esperam na sua negritude obter alegria pela morte. Confiam que nada de sagrado é gratuito, e assim pagam pelas suas vidas. Caixas com ranhura no gradeamento do altar são a jukebox do mundo, a mente deixando moedas gastas em troca do conforto da ignorância. POEMA DUMA NOITE DE INVERNO PARA MARY ( Farming: A Hand Book , 1970) Começava a regressar a casa, depois do anoitecer, olhei para o céu e vi a no...