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Entre literatura, imagem e memória em Os emigrantes, de W. G. Sebald

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Por Douglas Sacramento W. G. Sebald. Foto: Basso Cannarsa W. G. Sebald, escritor alemão, nasceu na Alemanha, em 1944, mudou-se anos depois para a Inglaterra, onde permaneceu até sua morte, em 2001. É conhecido por obras como Vertigem  e Austerlitz , nas quais se fazem presentes características marcantes de sua escrita que também reaparecem na obra que é objeto desta crítica: a aproximação entre literatura e memória, mais precisamente com os horrores da guerra e do pós-guerra, que deixaram marcas subjetivas na Europa. Para tratar de um tema tão delicado, o autor recorre ao uso de imagens e à pesquisa arquivística.  Os emigrantes , publicado originalmente em 1992, é composto por quatro narrativas que giram em torno do trânsito de personagens marcados pela guerra, cujos efeitos reverberam em mudanças no cotidiano e em diferentes afetações psicológicas. Sebald se insere como um autor-narrador que revisita o próprio passado e as pessoas que conheceu em sua trajetória. O processo é ...

Traduzi Marco Aurélio sem imaginar que os Red Pill viriam a ler

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Por Felipe Vieira de Almeida O que ainda me justifica escrever para a internet é o eventual contato com leitores que não conhecemos, o e-mail de um desconhecido, o compartilhamento em algum site novo, o encontro fortuito com um leitor na rua, esses sempre foram exemplos felizes de um esforço em geral ingrato. Mal lemos a boa literatura, resta pouca energia para textos despretensiosos online, mas a este espaço permite raros acasos que unem um escritor a um leitor improvável. Dito isso, conheci a tristeza de publicar na web ao reconhecer um público indesejado se abeirando do meu trabalho. Cultivei desde muito cedo o hábito da leitura. Felizmente tive incentivos em casa, na escola e as possibilidades que os livros me ofereciam me arrebataram em uma jornada cujo ponto final só virá com a minha morte ou talvez nem assim. Quando saí de casa aos 19 anos para cursar o ensino superior na UNESP no interior de São Paulo, descobri que além do volume de leitura ao qual eu já vinha me dedicando int...

Boletim Letras 360º #707

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto a custear as despesas com domínio e hospedagem online. A sua ajuda continua essencial. Esses links e os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo Letras . Luis Fernando Verissimo. Foto: Evandro Leal    LANÇAMENTOS Uma seleção dos textos publicados por Luis Fernando Verissimo nos jornais O Estado de S.Paulo e  O Globo entre 2016 e 2020, a maioria ainda inédito em livro . Originalmente, as crônicas reunidas em Crônicas de domingo  foram publicadas aos domingos, dia que Verissimo reservava para temas mais atemporais, dividindo com os leitores um pouco de suas memórias, reflexões e assuntos prediletos. Entre muitos textos saborosos, o leitor encontrará neste livro diálogos entre amigos, casais, pais...

Livro de urgências, de Jonas Leite

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Por George Henrique Jonas Leite. Foto: Heudes Regis Que imagem teria o instante no contemporâneo? Os signos disformes na capa do Livro de urgências , o terceiro volume da poesia de Jonas Leite, parecem oferecer uma pista. É que o contemporâneo é árduo de se decifrar, de se abarcar com acepções encerradas; ele escapa, por mais que tentemos examiná-lo. É um escape irônico, aliás, porque não se trata de um distanciamento; na realidade, estamos tão embebidos nele que, por vezes, ponderar sobre seus efeitos e modulações parece uma tarefa bastante difícil. Todavia, essa parece ter sido uma tarefa que o poeta empreendeu no livro supracitado.  Sua dicção é marcada pela concisão, que parece já nos atentar para a demanda de urgência, uma marca insigne do contemporâneo, ao passo que estabelece um diálogo com o estilo de mestres como Orides Fontela, ou Olga Savary, mas, sobretudo João Cabral de Melo Neto. Isso porque, como caracteriza Lourival Holanda (2026), ao falar da poética de Fontela, os...

O indigente social no conto “Uma vela para Dario”, de Dalton Trevisan

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Por Juliano Pedro Siqueira  Ilustração de Robson Vilalba para a HQ  Uma vela para Dario. Aos amantes da literatura brasileira, não restam dúvidas da sua grandeza. O problema é quando o fetichismo estrangeiro — acreditando ser a tradição literária de lá superior à nossa — rouba a cena. Partindo das nossas raízes mais brasileiríssimas, o panteão literário brasileiro nunca ficou devendo em estilo, prosa, criatividade e profundidade temática. Eis o exemplo de João Guimarães Rosa, que desenvolveu uma prosa metafísica entre jagunços em estilo narrativo, até então, inédito!  Quando decidi escrever sobre a nossa fértil literatura, não quis repetir nomes já consagrados. Buscava uma alma discreta, cuja escrita fosse tão afiada quanto a de tantos outros e me veio o nome de Dalton Trevisan, que nos deixou em 2024. Detentor de um espólio literário invejável, o escritor de Curitiba escrevia ritualisticamente, como se sua missão terrena fosse exclusivamente produzir literatura. E sempre...

Robinson Crusoe e os naufrágios necessários

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Por Marcelo Jungle Daniel Defoe. National Maritime Museum, Greenwich, Londres. Daniel Defoe é o autor de Robinson Crusoe , informação que precisa ser mencionada antes de discutir sua obra mais conhecida. Ele quase se tornou inexistente por conta da fama de Robinson. É um típico caso em que o personagem suplanta o autor e isso diz muito do que este livro se tornou: uma história conhecida de todos e que poucos ainda leem. Um estranho fenômeno transformou-o em literatura infantil, mas é preciso também dizer que esse livro não é apenas isso, nem apenas o relato, repleto de aventuras de piratas e canibais vividas pelo náufrago que passou 28 anos em uma ilha deserta.  Otto Maria Carpeaux resume bem essa dualidade ao chamá-lo de “maior livro infantil da literatura universal” para, na frase seguinte, reconhecer que “aquele espírito poético revelou-se na angústia quase religiosa, inglesamente reservada, do homem perdido nos desertos infinitos do oceano, existência sem horizontes definidos —...