Folk horror em Animais tropicais, de Javier A. Contreras
Por Douglas Sacramento Javier A. Contreras. Foto: Guaíra Maia Existe um imaginário antônimo do espaço citadino — o chamado lugar da organização cultural. No distanciamento das cidades também existe cultura, mas beirando o estranho e, por vezes, o diabólico. Os filmes de terror pontuam constantemente essa relação dicotômica e a literatura apresenta ótimos exemplos em que o distanciamento do urbano se relaciona com o encontro do mal, do transgressor e do selvagem. Lembro-me de um conto de Stephen King em que um casal, ao se afastar da cidade, encontra uma pequena comunidade no interior circundada por um grande milharal. O resultado é o encontro das personagens com uma sociedade governada por crianças que mataram todos os adultos e adoram uma divindade que vive no milharal alimentando-se dos jovens quando começam as transformações da adolescência. O sacrifício humano ocasionava num bem-estar comunitário e uma vida tranquila para aquelas crianças que organizavam e controlavam o poder ...