Anne Carson, prêmio Nobel de Literatura
Por Ernesto Hernández Busto Anne Carson. Foto: Pontus Lundahl Quem procura informações a respeito de Anne Carson nas capas dos seus livros encontrará apenas uma breve menção: “Nasceu no Canadá e ganha a vida ensinando grego antigo”. A escritora cultivou essa discrição com o mesmo cuidado que outros se dedicam a nutrir uma florida reputação. Concede poucas entrevistas, e as que dá costumam ser evasivas e, por vezes, desconcertantes. Por trás dessa autobiografia mínima, porém, reside uma extensa trajetória: um doutorado em Línguas Clássicas, anos de ensino em McGill, Michigan e Nova York, e uma obra que jamais separou os estudos acadêmicos da escrita criativa. Essa fusão é sua característica definidora. Tudo começa com Eros, o doce-amargo (1986), um ensaio sobre o desejo na Grécia Antiga que se lê como um poema. Nele, Carson propõe que o eros nasce de uma carência, e que essa falta só se torna visível em um triângulo. O glukupikron de Safo (“agridoce”, ou melhor, “doce-amargo”) não des...