Corsária, de Marilene Felinto
Por Gabriella Kelmer Marilene Felinto. Foto: Antonio Scarpinetti Não é desconhecida a narrativa de retorno ao interior semiárido na escrita de Marilene Felinto, cuja notoriedade foi alcançada com a publicação de As mulheres de Tijucopapo , de 1982. Seu novo romance, Corsária , publicado em 2025 na parceria entre a Fósforo e a Ubu Editora, segue as trilhas temáticas e composicionais daquele primeiro sucesso, embora sejam suas soluções ligeiramente menos satisfatórias quando comparadas àquela outra realização. É uma narradora-protagonista “semiárida, corsária, beligerante” (Felinto, 2025, p. 12) a que fala no romance, estabelecendo sua narração no condicional e no futuro do pretérito: “Se isto fosse uma história [...]” (Felinto, 2025, p. 12), começa ela, “seria a narrativa de uma inexistência” (Felinto, 2025, p. 12), “seria no linguajar local, dicção do tempo dos meus avós” (Felinto, 2025, p. 19), “pois eu escreveria direito” (Felinto, 2025, p. 26). Estabelece-se, assim, desde o início, ...