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Bela é a verdade – notas sobre o romance histórico

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Por Thiago Teixeira Catherine M. Wood. Livros antigos Precisar o começo do romance histórico não é tão simples, pois isso depende da concepção que temos de romance e, claro, do tipo histórico em si mesmo. A depender do que consideramos romance, podemos dizer que o tipo histórico começa com Walter Scott, ou com Madame de La Fayette. Em nosso ensaio, como não acreditamos haver uma linha divisória tão clara entre romance e novela, ainda mais em textos escritos antes do século XVIII, consideraremos Madame de La Fayette como a pioneira, graças ao La Princesse de Montpensier . E o assunto fica ainda mais interessante quando incluímos, pelas mesmas razões, o Dom Carlos , de César Vichard de Saint-Réal, e o fascinante A princesa de Clèves , também de Madame de La Fayette.  E A princesa de Clèves não é apenas um dos primeiros do gênero histórico, é também o primeiro do gênero psicológico. Aliás, uma das maiores belezas da obra está justamente nesse encontro. Ocorre que a trama se passa em...

Boletim Letras 360º #695

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto. A sua ajuda continua essencial para que o Letras permaneça online. Esses links de os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo Letras .  Valter Hugo Mãe. Foto: Bruno Alves    LANÇAMENTOS Novo romance de Valter Hugo Mãe é uma alegoria sobre os vícios, as virtudes e as contradições humanas . Em O século dos imbecis  o premiado escritor Valter Hugo Mãe constrói uma fábula tão divertida quanto inquietante sobre o mundo em que vivemos. Entre o riso e a reflexão, o autor investiga as contradições humanas e questiona quais valores ainda podem nos salvar em tempos de excessos, intolerância e desorientação. No alto das montanhas ergue-se a Malandrinha, palacete que domina a paisagem de um pequeno vilarej...

A Via Dolorosa de Iaperi Araújo

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Por Márcio de Lima Dantas  Uma geração vai, e outra geração vem;  mas a terra para sempre permanece. E nasce o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu  lugar, de onde nasceu. — Eclesiastes, 1:4  1. O artista Iaperi Araújo (São Vicente, 21.07.1945) contribuiu para a tradição das imagéticas relacionadas à Via Crucis — conjunto de imagens-ícone contidas no Novo Testamento — que dizem de um profeta ou deus feito homem, tendo este sido responsável pelas ideias que constituem uma nova maneira de conceber as relações, dentro do que ficou reconhecido como práticas religiosas. Como sabemos, o dia de Pentecostes é considerado a fundação do Cristianismo, e a Igreja Católica sua instituição “oficial”. O artista logrou êxito ao plasmar tais discursos por meio de belas imagens, demonstrando domínio da arte de manusear o código pictórico. Um belo estandarte com cores bastante simbólicas abre o cortejo de estações: azul e ocre. Nada rivaliza, no Rio Grande do Norte, com essa obra deixad...

Uma viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares

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Por Pedro Fernandes Gonçalo M. Tavares. Foto: Mariline Alves Se recordamos o périplo de Ulisses na Odisseia , um dos poemas que constitui os grandes pilares da literatura, podemos afirmar que o motivo da viagem surgiu com a própria literatura. O termo que enfeixa as várias narrativas do grande épico grego chegou mesmo a se estabelecer no vocabulário da língua portuguesa como substantivo figurado para designar qualquer trajetória extraordinária ou de grandiosos feitos, assim como epopeia, que antes caracteriza esses poemas em que são narradas os feitos excepcionais de um herói.  Na literatura portuguesa, um dos seus livros fundadores, recorre ao modelo épico e ao tópos da viagem. Os Lusíadas , composto por Luís de Camões e publicado em 1572, narra a viagem de Vasco da Gama que serviu à descoberta de uma nova rota para a Índia e mais adiante com outros exploradores o estabelecimento de outras fronteiras para o império português no que a Europa passou a chamar de Novo Mundo. Esses iti...

Werner Herzog: em busca de fantasmas

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Por Luis Reséndiz Poucos cineastas se expressam com tanta precisão quanto Werner Herzog. Talvez seja seu forte acento bávaro, seu constante distanciamento irônico ou a maneira brilhante como articula e estrutura seus pensamentos, mas o fato é que, desde os documentários em que sua narração é a espinha dorsal até suas palestras, entrevistas e apresentações, ouvir Werner Herzog falar é sempre uma experiência enriquecedora. Como prova, apresento uma entrevista de mais de quarenta anos atrás. No final de 1982, Herzog apareceu pela primeira vez em um talk show noturno, o Late Show with David Letterman , para promover um de seus dois épicos amazônicos, Fitzcarraldo (1982). Entrevistador implacável e persistente, Letterman, como dizemos por aqui, pressionou o diretor por diversos ângulos, incluindo os inúmeros contratempos enfrentados pela produção — relatados em Burden of Dreams  (1982), de Les Blank, sobre a tortuosa realização de Fitzcarraldo  —, os perigos aos quais Herzog se e...

Sem despedidas, de Han Kang

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Por Sérgio Linard  Quando foi informada de que havia sido escolhida como vencedora do Nobel de literatura em 2024, Han Kang disse que seu maior objetivo para o momento seria a conclusão do novo romance no qual trabalhava há um tempo. Esta obra é Sem despedidas e falo dela aqui. Embora a autora defenda que o prêmio não acelerou a publicação do romance, o sentimento que se tem durante a leitura é justamente o contrário, o inacabamento do texto ou da ausência de uma lapidação maior e melhor do material literário. Um triste acontecimento que surpreende negativamente, porque um dos maiores elogios a serem feitos para a obra de Kang é o do minucioso cuidado com os detalhes de seus textos, algo visto em Atos humanos e elevado à excelência em A vegetariana .  Com  Atos humanos , a ideia de revisitar grandes e chocantes acontecimentos da sociedade coreana e utilizar esse processo como forma de ampliação da contação de traumas pessoais e coletivos começa a ser um espaço comum que...