Nos tempos de Casanova
Por Thiago Teixeira A fuga de Giacomo Casanova da prisão de Piombi em 1756. Ilustração do século XIX da revista Scribner's Monthly . Iniciei, não há muito, um percurso pelas quase quatro mil páginas das Memórias de Casanova ( ou História da minha vida) . O fim desse caminho ainda está bem distante, mas por ora o viajante já tem lá suas impressões de viagem, versando principalmente sobre a questão da memória humana e sobre o mundo representado pela obra. Pois uma das coisas que me surpreendem até agora é a capacidade daquela mente em juntar tantos acontecimentos, detalhes, nomes — claro, desde que, inocente e provisoriamente, contemos com a boa-fé do pacto não ficcional. A memória do autor é surpreendente: quase quatro mil páginas de relatos, descrições minuciosas, reconstituição de diálogos, uma miríade de nomes. Por ela simplesmente conhecemos o século XVIII europeu, seus costumes, classes sociais, códigos, valores, cultura, o que levou Blaise Cendrars a dizer que as...