O bordel e a fazenda
Por Henrique Ruy S. Santos José Donoso. Foto: Arquivo da revista Santiago (Reprodução) Partindo de uma leitura que força um pouco certas conexões literárias e extraliterárias, o título O lugar sem limites , do segundo romance do chileno José Donoso, poderia muito bem se referir à própria concepção do Boom latino-americano como fenômeno literário. Uma categoria que já nasce a partir de (e para servir a) interesses mercadológicos e que apenas subsidiariamente serve a fins literários, geralmente com imprecisões semânticas e de fronteiras mal delimitadas. Um roteiro pelo qual o viajante leitor transita sem saber se o próximo passo (a próxima obra) guarda algo de familiar com o passo que o precedeu e assim por diante. E é curioso pensar que o próprio Donoso teve um lugar periférico nesse processo, mas foi quem se dedicou a entendê-lo retrospectivamente e de maneira particular em seu Historia personal del Boom . Não pretendo, aqui, fazer uma radiografia daquele momento, nem...