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Trezentos anos viajando com Gulliver

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Por Javier de Lucas  Peter László Péri. Viagem ao país dos Houyhnhnms: Gulliver e um Yahoo. The Trustees of the British Museum Swift, mestre da ironia, da sátira política e da linguagem A comemoração do tricentenário da publicação de As viagens de Gulliver (1726) é uma boa oportunidade para apreciar a abrangência desta obra e sua contínua relevância. No que diz respeito à sua abrangência, é importante abordar um mal-entendido muito comum: seu sucesso na literatura popular e, mais recentemente, em diversas adaptações para o cinema e a televisão, contribuíram para obscurecer o fato de que não se trata, de forma alguma, de um livro infantil. Na realidade, não é apenas um ápice do gênero no qual Swift se destacou — a sátira política — e de seu domínio e uso inovador da linguagem, mas também um dos melhores livros de filosofia política já escritos; um livro que influenciou outros grandes mestres da sátira política, como George Orwell, particularmente em sua obra A revolução dos bichos ...

Boletim Letras 360º #708

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DO EDITOR Na aquisição de qualquer um dos livros pelos links fornecidos neste boletim, você pode obter um bom desconto e ainda ajuda a manter este projeto a custear as despesas com domínio e hospedagem online. A sua ajuda continua essencial. Esses links e os que postamos em publicações de nossa página no Facebook ou em outras redes são seguros. Em hipótese alguma, use links apresentados por terceiros passando-se pelo Letras .   Gonçalo M. Tavares. Foto: Ana Baião   LANÇAMENTOS O novo épico de Gonçalo M. Tavares Uma peste nos Estados Unidos da América. Uma segunda guerra civil que vai tomando forma. Dois extremistas em lados opostos do grande colapso. Um improbabilíssimo herói que surge para salvar a nação. Nesta epopeia satírica e distópica, testemunhamos o mais novo triunfo de um gênio da literatura mundial. O fim dos Estados Unidos  chega ao Brasil pela Dublinense.  Você pode comprar o livro aqui . Mais três títulos de William Blake no projeto que une texto e image...

Nunca foi tão difícil voltar para casa: Christopher Nolan, Uberto Pasolini, Mario Camerini e a Odisseia, de Homero

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Por Michele Soares “Um bom filme e uma adaptação da Odisseia apenas razoável” é a conclusão a que chego, remoendo o assunto na volta para casa após ver pela segunda vez o filme The Odyssey ,¹  de Christopher Nolan. Também percebo que não há como evitar a conclusão dupla e penso em como ela reflete o modo como venho observando a recepção do longa. Por um lado, chegam até mim as opiniões dos colegas da área de Letras Clássicas, que já dissecaram, formal ou informalmente, todas as falhas, incongruências, limitações e pontos indigestos da mais recente adaptação do épico homérico; por outro, chegam as notícias do sucesso de bilheteria e da recepção acalorada do público geral, que alçam The Odyssey ao rol dos filmes não menos que excelentes. Após pouco mais de duas semanas em cartaz, o filme foi marcado como visto por 3 milhões de pessoas e conta com média 4,4 no Letterboxd , rede social para amantes da sétima arte e espaço on-line que muito frequento, sendo eu mesma uma não espec...

Córidon, de André Gide

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Por Pedro Fernandes André Gide. Foto: Laure Albin Guillot André Gide se situa entre os mais importantes autores da literatura moderna no entresséculos XIX-XX e uma das razões para merecer esse lugar se encontra na própria obra, marcada por um estilo idiossincrático e capaz de capturar as complexidades e contradições do seu tempo e plasmar de maneira original as questões de corte íntimo em contraste com a ordem vigente. Aliás, uma parte dessas qualidades foi mesmo sublinhada pela Academia Sueca aquando da atribuição do Prêmio Nobel de Literatura “pelos seus escritos diversificados e artisticamente significativos, nos quais os problemas humanos e as suas condições são apresentados com destemido amor pela verdade e com um apurado discernimento psicológico.” Córidon é um bom exemplo. Está na sua base um traço próprio do escritor: sua nem disfarçada ou nem desconhecida homossexualidade. Este é um tema que encontramos diversamente na sua literatura, mas com este livro que, depois de circula...

A crise dos filmes de super-heróis

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Por Michel Goulart da Silva Depois de anos seguidos com grandes bilheterias e elogios por parte da crítica, os filmes de super-heróis inspirados em histórias em quadrinhos parecem ter perdido força. Os poucos filmes lançados no período recente foram recebidos com menos entusiasmo ou mesmo foram duramente criticados, como ocorreu com Aquaman e o Reino Perdido , As Marvels e Madame Teia . Os mais recentes Superman e Supergirl tiveram uma melhor recepção, ainda que longe do auge de outras épocas do gênero. Essa crise pode ser explicada pelo esgotamento comercial desses filmes e pela dificuldade das grandes produtoras em se renovar. Se no começo da franquia Vingadores ou do Universo DC ainda havia espaço para alguma criatividade em suas produções, depois de dezenas de filmes e alguns anos o que se tem são apenas histórias que se repetem até mesmo na forma: o super-herói ou alguém de seu núcleo de pessoas próximas comete algum erro e a história do filme se centra na busca por tentar res...

Entre literatura, imagem e memória em Os emigrantes, de W. G. Sebald

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Por Douglas Sacramento W. G. Sebald. Foto: Basso Cannarsa W. G. Sebald, escritor alemão, nasceu na Alemanha, em 1944, mudou-se anos depois para a Inglaterra, onde permaneceu até sua morte, em 2001. É conhecido por obras como Vertigem  e Austerlitz , nas quais se fazem presentes características marcantes de sua escrita que também reaparecem na obra que é objeto desta crítica: a aproximação entre literatura e memória, mais precisamente com os horrores da guerra e do pós-guerra, que deixaram marcas subjetivas na Europa. Para tratar de um tema tão delicado, o autor recorre ao uso de imagens e à pesquisa arquivística.  Os emigrantes , publicado originalmente em 1992, é composto por quatro narrativas que giram em torno do trânsito de personagens marcados pela guerra, cujos efeitos reverberam em mudanças no cotidiano e em diferentes afetações psicológicas. Sebald se insere como um autor-narrador que revisita o próprio passado e as pessoas que conheceu em sua trajetória. O processo é ...