Lembrar também é inventar em Keith Jarret no Blue Note, de Silviano Santiago
Por Vinicius de Silva e Souza Silviano Santiago. Foto: João Rangel Há livros que contam uma história e há livros que parecem tentar descobrir, enquanto são escritos, o que exatamente significa contar uma história. Keith Jarrett no Blue Note , de Silviano Santiago, pertence a essa segunda espécie. O romance não se entrega facilmente à distinção entre memória e invenção, entre experiência vivida e experiência narrada, entre o acontecido e que só pode existir porque alguém decidiu contá-lo. Mais do que narrar uma história, o autor parece interessado em observar o que acontece quando a memória se transforma em matéria literária — e quando a literatura, por sua vez, passa a interferir na própria memória. O título já anuncia uma espécie de chave de leitura. Keith Jarrett, o grande pianista de jazz, está no Blue Note, mas sua presença não funciona apenas como referência musical ou como elemento decorativo. O jazz funciona como um princípio de composição do romance. Há improvisação, repetição,...