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Entre o gesto cotidiano e aquilo que permanece quando tudo passa, está o livro Risque esta palavra, de Ana Martins Marques

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Por Weyna Moreira Macêdo  Estamos todos reunidos na praia da palavra infância (Marques, 2021, p. 19). Ana Martins Marques. Foto: Rodrigo Valente de Noronha Risque esta palavra  (2021) é o sétimo livro de poemas de Ana Martins Marques. Dividido em quatro partes — “A porta de saída”, “Postais de parte alguma”, “Noções de linguística” e “Parar de fumar” —, o volume reúne poemas marcados por diferentes formas de despedida: a morte, o fim de um amor, a passagem da infância, o abandono de um hábito e, também, a própria possibilidade de que um poema chegue ao fim. Assim, a unidade do livro está expressa justamente no modo como experiências tão diversas são submetidas a uma mesma atenção à linguagem. Diante disso, o próprio título anuncia uma dessas tensões: “riscar” pode remeter tanto ao gesto de apagar uma palavra quanto ao movimento de riscar um fósforo e, assim, fazê-la iluminar. Entre o apagamento e a aparição, o livro parece investigar aquilo que permanece quando alguma coisa de...