Cegueira - um ensaio, de Fernando Meirelles



Cegueira, um ensaio, de Fernando Meirelles. Foto de Alexandre Ermel e Ken Woroner

Ao espectador comum, os muitos fatores envolvidos na produção de um filme costumam passar despercebidos. Da elaboração do roteiro, passando pela escolha do elenco, até minúcias de ordem técnica, tudo fica oculto quando se assiste ao resultado final. O livro Cegueira - um ensaio, de Fernando Meirelles, é uma rara oportunidade de olhar por dentro os bastidores de um longa-metragem.

O livro foi idealizado por Silvinha Meirelles, irmã do cineasta, a partir do conjunto de textos publicados por ele num blog no período em que trabalhava na produção e filmagem de Ensaio sobre a cegueira, título inspirado na obra homônima de José Saramago.

O leitor tem contato, portanto, não apenas com os bastidores, mas com as confidências do diretor porque os textos ora mostram suas dúvidas, inseguranças, decisões e lições aprendidas no set e sobre o exercício de adaptar uma obra literária do nível que é a obra do escritor Prêmio Nobel da Literatura. Detalhe: depois de muitas relutâncias do próprio Saramago que, dizem uns, decepcionado com a adaptação de seu livro A jangada de pedra, e, incapaz de conceber com seria ver o rosto de suas personagens no papel de um ator, dizem outros, não tinha qualquer interesse em ver uma obra sua para a sétima arte.

Além das 285 fotografias de Alexandre Ermel especialmente tratadas para manter a identidade com o filme, cuja marcante claridade remete à cegueira branca, há dois destaques emocionantes sobre a obra: um é o relato de Fernando Meirelles de quando assistiu pela primeira vez o seu trabalho junto com Saramago; outro é o texto redigido pelo escritor português.

Edição de colecionador, a obra editada pela Master Books traz um encarte com o roteiro do filme. A seguir copiamos o vídeo em que Saramago se emociona ao ver seu romance na tela; é um pequeno vídeo de bastidor com menos de dois minutos.




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