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Mostrando postagens de Maio 13, 2021

Apague a luz se for chorar, de Fabiane Guimarães

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Por Pedro Fernandes   “Nós te viciamos em cuidar e, quando pareceu que seu coração estava irremediavelmente partido, o melhor a fazer foi deixar que você descobrisse outra modalidade de carinho. O cuidado consigo mesma.” A passagem está numa carta de despedida escrita pelos pais de Cecília só descoberta tempos mais tarde depois de a filha se envolver num rol de situações em parte fabricado por uma consciência perturbada justamente porque se encontra, pela primeira vez, lançada à própria sorte para o mundo.   Fabiane Guimarães soma-se, assim, a uma extensa lista de escritores preocupados em discorrer os traumas de uma geração cujas estruturas individuais são extremamente frágeis porque educadas pela força da superproteção da família. Extensão de um drama burguês com marcas que se estendem para fora de suas redomas, afinal, estamos condenados, por mais que nos esforcemos negar, ao coletivo, porque somos animais sociais, diferentes em tudo, por exemplo, dos cães que entram e saem da narr