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Mostrando postagens de Maio 12, 2009

Castro Alves

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Parece que os astros são anjos pendidos Das frouxas neblinas da abóbada azul, pendidos A filha morena dos pampas do sul.
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Sicambros do sol da gloria Ergamos a fronte ao sol, Condores, tingi as azas Morno é o banho do arrebol.
Como bardos inspirados, Quando palpita a victoria O vento canta epopéas, Quando o tempo d’entre os dedos Debalde raio impotente Assim foi... E ha tantas per’las Já de horror prorompe um grito Nos pampas dormido tremes – Que sombra é aquella no norte? Silencio. Calle-se o canto D’esses que alteiam as frontes,
(este poema foi publicado no Jornal Do Recife, n. 213, de 14 de setembro de 1865, p. 1)

É preciso apostrofar este Pernambuco de 63, apenas interessado em vender açúcar. Voltar o látego da poesia contra os barões do engenho. É preciso compor um painel onde a infâmia fique estampada: os navios negreiros atravessando o oceano, as senzalas imundas, a mãe cativa a amamentar o filho sem futuro, os mercados de negros e o trabalho de sol a sol no eito dos engenhos,…