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Mostrando postagens de Setembro 30, 2019

Witold Gombrowicz e a arte de morder a realidade

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Por Mary Carmen Sánchez Ambriz





Em seu Diário, Witold Gombrowicz apresentou uma síntese de seu plano de trabalho para Cosmos, seu último romance, publicado em 1967. Aí, ele deixa claro que é um “romance sobre a formação da realidade”, e enfatiza: “Será um tipo de romance policial”. É importante destacar essa comparação porque o romance tem sido definido como uma história policial –possivelmente por fins comerciais –quando, na realidade, é um pouco mais complexo. Ele continua: “Ritmos furiosos, abruptamente acelerados, de uma Realidade desencadeada. E isso explode. Catástrofe. Vergonha. A realidade que de repente transborda devido a um acontecimento excessivo. Criação de tentáculos laterais… de cavidades escuras… de rupturas cada vez mais dolorosas”.
Mas dizer que o último romance que Gombrowicz escreveu é um romance policial é limitar-nos a uma visão fragmentada da trama e não procurar mais considerar outras possibilidades. Como é esse Cosmos que ele descreve e por que se apega tanto à…