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Mostrando postagens de Setembro, 2021

Os desvalidos, de Francisco J. C. Dantas

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Por Pedro Fernandes   Tanto tempo passado e com uma recorrência tão marcante que podemos falar de uma tradição do romance sobre o cangaço na literatura brasileira: O Cabeleira , de Franklin Távora; Coiteiros , de José Américo de Almeida; Os cangaceiros e Pedra Bonita , de José Lins do Rego; Seara vermelha , de Jorge Amado; Grande sertão: veredas , de João Guimarães Rosa. Estes e Os desvalidos , de Francisco J. C. Dantas são os que trabalham o tema como objeto principal da narrativa. São os mais conhecidos, mas certamente existem outros. E, se considerarmos aqueles títulos que em alguma passagem façam referência à questão, a lista se amplia; com os romances existem ainda contos, crônicas e outra variedade de formas e expressões literárias que figuram, positiva ou negativamente, a vida e as atitudes no-do cangaço.   É simples pensar no assunto como sobressalente em Os desvalidos , afinal é o que se encontra à superfície da narrativa. Mas, comecemos por aqui até alcançar outra camada,

A crítica dos escritores

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Por Kim Nguyen Baraldi Ilustração: Jungho Lee.   Minha passagem pela Sorbonne foi um fiasco. Cursei letras modernas e literatura comparada e me senti decepcionado. Embora aqueles anos de universidade tenham sido até certo ponto proveitosos, deles ficou um resíduo amargo: tudo ali era demasiado acadêmico, árido e frio. Demasiadas estátuas de mármore, demasiadas mesas de madeira e nenhum bar onde pudesse conversar com os colegas. As aulas não eram estimulantes, os professores não conseguiam se conectar com os alunos, e era possível sentir que, quanto mais horas absorto em livros de crítica especializada, mais distante me achava da literatura. Estudar desse modo não tinha qualquer atrativo para mim. Hoje, sigo perguntando-me, um pouco entristecido, em que momento a universidade, desorientada pelos quatro cantos, decidiu anestesiar o prazer de ler. Por volta dessa época, registrei em um de meus cadernos esta breve anotação: “Propósito: ler como um escritor”. Não me julgava escritor, é cla

A eternidade de Dante Alighieri

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Por que lemos Dante Por Matthew Pearl Domenico di Michelino.  La Commedia ilumina Firenze . (1465) Catedral de Florença. Santa Maria del Fiore.  Nunca existirá outro Dante. Não apenas porque Dante Alighieri, o poeta florentino do século XIII, foi um gênio irrepetível, mas também porque as condições modernas provavelmente não poderiam levar ao aparecimento de um novo Dante. Considere a personalidade de Dante, que, pelo pouco que sabemos, provavelmente era um tanto intolerante. Estava muito certo de possuir razão, em tudo. Tinha certeza de sua teologia católica idiossincrática e do seu sistema de valores, que diferia o suficiente dos ditames oficiais do Vaticano tanto que alguns de seus escritos foram proibidos; estava certo o suficiente sobre sua própria compreensão dos assuntos religiosos para descrever o território inexplorado do purgatório e nos dizer como a Santíssima Trindade deveria se parecer; tinha certeza de que diferentes religiões estavam erradas ao colocar seus líderes no

Dante e a experiência

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Por Marco Perilli Gustave Doré. Dante. Ilustração para o Canto I de A divina Comédia , 1861.   Embora o rosto meu, qual por um calo, agora pelo frio, qualquer evento estivesse impedido de afetá-lo,   ainda me pareceu sentir um vento¹   Assim é como o peregrino, chegado ao centro da Terra, percebe a presença de um limite tenebroso, algo que atemoriza e o enche de terror. Não ignoro o que acontecerá. Encontro-me a poucos metros de profundidade. Dante, por sua vez, suspeita, deduz, pergunta ao seu guia; seguramente teme alguma coisa. Tem medo, muito medo. Viu alguns gigantes que distante pareciam torres: um deles lhe acenou com a mão, junto com Virgílio, para descer até ao fundo do abismo. Agora sopra um vento frio, que lembra o inefável. Ou algo tão físico e concreto como o espasmo do homem que encara o possível.   pelo que eu: “Mestre, eu sinto algo mover; não é isto aqui de todo sopro isento?”   E ele a mim: “Poderás logo saber; teu próprio olhar vai te dar a resposta […]   A resposta

Boletim Letras 360º #444

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DO EDITOR 1. Caro leitor, copiamos abaixo, as notícias que passaram pela página do blog no Facebook durante a semana e as demais dicas nas outras seções deste Boletim. Em nome do Letras, muito obrigado pela companhia. Boas leituras! Marguerite Duras. Foto: Julio Donoso.   LANÇAMENTOS   O primeiro livro da coleção com obras de Marguerite Duras editada pela Relicário Edições. A casa planeja pelo menos dez títulos ainda inéditos no Brasil .   Escrever  é literalmente o livro dos livros de Marguerite Duras. Um relato-síntese de mais de cinquenta anos de escrita, como aquele último filme da vida em que alguém se revê num apanhado essencial. A escritora e seus amantes, seus amigos, sua infância selvagem na Indochina colonial, seus livros e personagens coextensivos à sua vida, seus filmes rodados a partir dos livros, sua ligação com o PCF, a maternidade, o convívio com o mar de Trouville e os jardins de Neauphle, sua autoestrada de palavras de cronista: tudo está aqui, tudo irradia do coração