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Mostrando postagens de Novembro 25, 2021

Quincas Borba, de Machado de Assis

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Por Pedro Fernandes   A obra romanesca de Machado de Assis constitui um desenho muito bem elaborado, ainda que não deixe de apresentar alguns defeitos; é sobre a quantidade, especificamente, que a afirmativa se refere. Dez é uma unidade perfeita e o pequeno mundo que se ergue desde a Ressurreição ao Memorial de Aires esquadrinha de maneira insuperável as múltiplas feições da alma humana. Desse conjunto, Quincas Borba talvez seja o que melhor consegue esse feito, uma vez que, apesar de situado ainda a três romances do fim desse circuito criativo, reúne alguns dos elementos essenciais das obsessões genuinamente machadianas, quais sejam, o amor incorrespondido ou irresoluto, os jogos de interesses de variada sorte, o assoreamento das relações pela interferência do dinheiro, a ambição desmedida, as compulsões, o ciúme, a inveja, a loucura. As tantas propensões desse romance respingam negativamente na regularidade do edifício ficcional — ainda que seja perfeitamente justificável, como s