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Mostrando postagens de Junho, 2022

Boletim Letras 360º #485

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DO EDITOR   1. Leitores e apoiadores do Letras, já sabem que disponibilizamos um exemplar da edição especial do Ensaio sobre a cegueira , de José Saramago (Companhia das Letras, 2022) para sorteio entre vocês?   2. Então. É possível ajudar ao Letras com valores a partir de R$10 através do PIX blogletras@yahoo.com.br . Mas essa é apenas uma das formas. Você pode saber mais sobre por aqui . 3. Cabe não esquecer que na aquisição de qualquer um dos livros pelos links ofertados neste boletim, você ganha desconto e ajuda ao Letras sem pagar nada mais por isso .   4. Fiquem bem. E tenham um fim de semana de descanso. Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso e Matilde Campilho. Três gerações de escritoras portuguesas chegam em simultâneo aos leitores brasileiros.   LANÇAMENTOS O retorno de Lídia Jorge ao Brasil?   Um memorável é alguém que merece ser lembrado, ou guardado na memória, pelo que fez. Não é necessariamente um herói, já que a vida e os seres humanos são bem mais complexos do que podemo

A arte agonizante do ensino na sala de aula digital

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Por Tim Parks É possível perder uma pedra fundamental de uma cultura sem identificá-la como tal? Este ano será meu último lecionando na universidade; decidi jogar a toalha três anos antes da idade de aposentadoria. Há um certo número de razões por trás dessa decisão, mas a alteração das circunstâncias na sala de aula é certamente uma delas. Mesmo em nível de pós-graduação, está se tornando cada vez mais difícil sentir que se tem a atenção dos alunos ou que algo de realmente útil acontece durante as aulas.   É claro, professores tem reportado perda de controle na sala de aula por décadas. No início da década de 1970, lembro-me de uma professora de colegial, trabalhando em uma área pobre de Boston, me dizer que ela poderia simplesmente ligar o rádio o mais alto possível e passar suas aulas ouvindo música. Amigos em Milão, hoje, lecionando nas chamadas scuole professionali , relatam experiências similares: a impossibilidade quase completa de se fazer ouvir, a necessidade de lançar mão de

La carretera del tiempo — uma leitura da obra de Juan Rulfo por Cristina Rivera Garza*

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  Por Felipe de Moraes     [...] Al fin me encuentro con mi destino sudamericano.   — De Jorge Luis Borges, em “Poema conjetural”     “—¿Qué país es éste, Agripina?”   — De Juan Rulfo, em “Luvina” Ilustração: Santiago Solís   Paul Valéry, em suas Lições de Poética ministradas no Collège de France no ano de 1937, observa que é impossível mensurar as forças envolvidas no ato da escrita (2018, p.11 e ss); isso porque a obra literária não é apenas um reflexo da interioridade do seu autor, vista como um produto exclusivo de suas faculdades subjetivas e racionais, ao contrário, o romance, o conto, o poema, o drama só ganham vida no contato com o mundo externo, ou seja, com os seus receptores e na sua circulação histórica e cultural. O texto literário, portanto, pode e deve ser compreendido como uma forma que abriga tensões constantes entre os elementos contraditórios que o constituem: tradição e modernidade, civilização e barbárie, utopia e conservadorismo, variação histórica e permanência

Alain Resnais: você ainda não viu nada

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Por Álvaro del Amo Alain Resnais no set de filmagens de Hiroshima, mon amour . Foto: Emmanuelle Riva.   “Você não viu nada em Hiroshima, nada”, diz o amante japonês à atriz francesa que foi filmar um filme pacifista. “Eu vi tudo em Hiroshima, vi o museu, o hospital, os jornais, as fotografias, a cidade devastada, vi tudo em Hiroshima, tudo”, ela responde. “Nada, você não viu nada em Hiroshima”, ele insiste.   O primeiro filme de Alain Resnais ( Hiroshima, mon amour , 1959) anuncia e dialoga com um dos seus últimos ( Vous n'avez encore rien vu , 2013). Uma advertência que, em sua ambiguidade muito genérica, proporciona uma possível chave para a obra desse cineasta tão peculiar. Anexado à Nouvelle Vague francesa, mais por coincidência em sua data de início, 1959, o ano de Acossado , de Jean-Luc Godard, do que por qualquer outra afinidade possível, esse cinéfilo que sempre fugiu da ênfase da autoria nunca fora um narrador. Ele se nutriu por textos literários que transformou em filmes