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Joan Didion, a escritora dos instantes comuns

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Por Juan Tallón Joan Didion. Foto: Tina Barney.   Joan Didion (1934-2021) nasceu em Sacramento, no oeste, e morreu no extremo oposto, em Nova York, nas vésperas de Natal, devido ao mal de Parkinson, segundo informou sua editora, Knopf, ao The New York Times . Toda a sua vida foi passada entre mudanças bruscas, às vezes geográficas, às vezes emocionais. No meio, restaram livros e crônicas que fizeram dela uma das jornalistas mais inovadoras e fascinantes, donas de uma prosa objetiva, poderosa, arrumada, fria e ao mesmo tempo comovente. John Leonard, um de seus editores, dizia que suas frases “chegam a você, se não como emboscada, então como pequenos haicais, como picadores de gelo a laser, com a força das ondas”.   As mudanças de cidade, de estado, até as simples mudanças de endereço, dentro de uma mesma cidade, eram uma tônica. Em sua casa, nas décadas de 1960 e 1970, quando era repórter com mais regularidade, havia uma lista colada na porta do armário, com tudo o que sua mala precisav