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Mostrando postagens de setembro, 2013

W. H. Auden

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W. H. Auden foi um dos nomes mais significativos da poesia do século XX. Partindo da experiência do modernismo foi quem melhor soube aproveitar as contribuições de Ezra Pound e T. S. Eliot, mas afastando-se radicalmente pelo seu reacionarismo político para expressar-se numa linguagem extremamente pessoal que nem por isso perde de vista as grandes questões de seu tempo. Não se reduziu ao fenômeno poético; escreveu crítica literária, peças para teatro e ao longo de sua carreira, colaborou com nomes como Christopher Isherwood e Louis MacNeice e junto com Chester Kalman chegou a criar libretos para obras musicais a partir de Stravinsky, Mozart, entre outros. Cresceu em Birmingham, na Inglaterra, e ficou conhecido, antes de sua poesia como alguém de acurada inteligência e sagacidade extraordinária. Seu primeiro livro, Poemas , foi publicado em 1928 com ajuda de T. S. Eliot. Pouco antes de a Segunda Guerra Mundial estourar, Auden emigrou para os Estados Unidos, onde conheceu o poe

Boletim Letras 360 #32

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Esta é a imagem da Catedral de Sagrada Família, em Barcelona, no fim das obras previsto para 2026. Esta semana foi divulgado vídeo demonstrando como será feito as últimas construções para chegar a esse resultado. Mais? Leia o nosso Boletim. A semana foi iniciada com mais um sorteio realizado para os amigos que nos acompanham em nossa página no Facebook; desta vez, voltamos a obra de Paulo Leminski para dar de presente Vida , livro que a Companhia das Letras acompanhando o sucesso de Toda poesia apresentou nesta sexta-feira, 27 de setembro. Já estamos preparando mais uma promoção que deve ir on-line na próxima segunda-feira; desta vez estamos olhando para o centenário de Vinicius de Moraes a ser comemorado no próximo dia 19 de outubro e serão sorteados livros (leram bem, livros) do poetinha. Enquanto o regulamento não sai, ficamos com o que foi notícia por lá. Tem muita novidade bacana, viu? Bacana para se ler e se compartilhar! E detalhe: há uma nota inédita, que não foi postad

O homem revoltado, de Albert Camus

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Por Rafael Kafka O homem revoltado causou polêmica. Pode-se dizer que ainda causa. Na época de seu lançamento foi a pá de cal nas relações amigáveis entre Albert Camus e Jean-Paul Sartre. O primeiro, herói da resistência assim como o autor de O ser e o nada era visto pelos seus pares como alguém isolado do meio político, preocupado demais com a liberdade individual e, pode-se dizer, bastante pândego, ocupando-se mais em gozar a vida do que compreendê-la por meio de sistemas filosóficos bem elaborados. Devido a isso, as divergências com os existencialistas logo passaram a surgir. O ponto principal era o apoio dado por nomes como Sartre, Simone de Beauvoir, Merleau-Ponty ao movimento comunista que imperava na então poderosa União Soviética. De herói da Resistência francesa Camus passou a ser visto como conformado, alienado e outros termos os quais indicavam uma preocupação exclusiva com o seu próprio ser. Nem mesmo o rótulo de existencialista ele aceitava. Mesmo su

Livro de haicais, de Kerouac e áudios do escritor

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Depois de colocar no mercado títulos como Visões de Cody , On the Road , Cidade pequena, cidade grande , a decisão mais acertada da L&PM Editores foi investir numa séria edição do Livro de Haicais , de Jack Kerouac. É uma edição para qualquer leitor de poesia – seja ele um admirador da Beat Generation ou não; que esse conjunto de textos é parte significativa da bibliografia de Kerouac, demonstração sincera da pluralidade inventiva dada aos grandes nomes da literatura. Kerouac entrou em contato com a forma oriental de fazer poesia desde quando de seu interesse pelo budismo sob influência do poeta zen Gary Snyder, ainda no começo da década de 1950, ano em que também esteve no Japão. A viagem terá sido, tal como aquela de Ginsberg à Índia , uma das experiências mais profícuas para a literatura de Kerouac. Basta dizer que, desde a ida ao Oriente, o escritor produziu mais de mil entradas para cadernetas, além  da grande quantidade de notas que redigiu para livros como Os v

Aparição, Vergílio Ferreira

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Por  Pedro Belo Clara Vergílio Ferreira. “Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro” – eis a forma crua, simples e directa com que o preâmbulo desta magnífica obra se inicia, dando o mote à mesma. Convém referir que, a par de Manhã Submersa (1953), Aparição é das mais notáveis e famosas obras do existencialista Vergílio Ferreira, um autor que debruçou o seu grandioso talento maioritariamente sobre a ficção e o ensaio. A prova dessa justa fama encontra-se nas mais de sessenta edições (!) que a obra regista, desde que em 1994 a Bertrand Editora comprou os direitos da mesma. A título de curiosidade, diga-se que o livro foi lançado aos prelos em 1959. Falecido no ano de 1996, aos oitenta anos de idade, Vergílio foi dos vultos maiores do existencialismo que em Portugal se conheceu. Por um lado, poder-se-á considerar o autor como um discípulo de Sartre; mas, por outro, torna-se igualmente válido designá-lo de “embaixador português do existencialismo”. Resta apenas dizer que o

Álvaro Mutis

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No dia em que se cumpriu 40 anos da morte de Pablo Neruda, o mundo da literatura ficou ao menos uma vez mais pobre – morreu António Ramos Rosa. Já um dia anterior foi a morte de outro escritor, Álvaro Mutis, de quem hoje, custa-nos assinalar algumas linhas sobre sua vida e sua obra; noutra ocasião, falaremos igualmente sobre o poeta português. “Não sabemos nada da morte, é inútil falar dela, mas é bom ir-lhe invocando para mantê-la sob controle” – assim dizia Mutis sobre a morte, enigma com o qual se confrontou no fim da tarde de 22 de setembro, no alto de seus 90 anos, na Cidade do México, onde vivia desde 1956. Autor prolífico e conhecido pela série de romances com a personagem Maqroll el Gaviero, Mutis é um dos mais importantes nomes da literatura em língua espanhola na América Latina.  O limite da sua obra, entretanto, não se encerra no romance; foi importante nome também para a poesia. Segundo Bernardo Marín, “poeta da desesperança e do desterro, em sua obra a natureza

O mundo ficcional de J. D. Salinger

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Muito temos falado de J. D. Salinger (ver links no fim deste texto) nos últimos meses dado o alvoroço iniciado com a confirmação de dois trabalhos que trouxeram à tona novas margens para composição da figura reclusa do escritor. Mas, afinal, quem foi o autor, além desse enigma de recluso? A postagem de hoje visa ser um adendo à vida e à obra do romancista, cujo sucesso de O apanhador no campo de centeio mudou em definitivo o rumo de sua vida e se tornou uma obra signo da atmosfera de uma época da história estadunidense. O autor morreu em 2010 e deixou livros tidos como materializações de uma aura de perfeição e mistério que pouquíssimos autores modernos terão conseguido. Na opinião de Andrés Hax, somente Rimbaud estará acima do estadunidense. Não deixou vasta obra (embora, as descobertas recentes tenham dado mostras de uma leva de inéditos deixados com o comando de serem editados a partir de 2015): O apanhador no campo de centeio , de 1951; uma antologia de contos, Nove es