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Mostrando postagens de Junho 14, 2018

Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac

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Por Pedro Fernandes


A liberdade, no sentido mais íntimo que este termo recupera, só existe no estágio mais primitivo de solidão e na nossa existência se manifesta naquelas situações quando somos arrastados para fora de qualquer lei sem qualquer motivo aparente. Pode parecer paradoxal (e é), mas a liberdade se apresenta em parte enquanto realização das forças instintivas, desde que tais forças não se revelem enquanto instinto. Num conto nascido de uma crônica, “As águas do mundo”, de Clarice Lispector, a voz narrativa se interroga: “Por que é que um cão é tão livre? Porque ele é o mistério vivo que não se indaga”. Está esclarecido o paradoxal do ser-livre.
Em Thérèse Desqueyroux, de François Mauriac, se constata o que se esconde no motivo dessa indagação clariceana. Ao perguntar-se por que um cão é tão livre, quem se pergunta compreende que a liberdade se apresenta em graus diferentes, mas o que é, por assim dizer, o mais verdadeiro, é o de um sentimento revelado no vácuo da consciênci…