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Mostrando postagens de Fevereiro 5, 2019

Fortuna de Giovanni Boccaccio

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Por Alberto Manguel


A Fortuna, como os contemporâneos de Boccaccio bem sabiam, faz com que, na posteridade, nossa pessoa seja poucas vezes a que nós imaginamos. Boccaccio se definiu além de tudo como poeta, estudioso das línguas, pensador e só em última instância como narrador: a ficção importava para ele menos que a filosofia e a história, ou importava apenas como veículo para a filosofia e a história.
Foi um precursor iluminado da grande literatura renascentista e pode escrever tanto no latim de seu amado Cícero como na nova língua toscana que compartilhou com Dante e Petrarca. Este último foi seu mestre e o incentivou a conhecer os clássicos pagãos, mas Dante foi seu ídolo. Como crítico literário, e o autor de sua primeira importante biografia, estabelecendo o método de leitura da Comédia (à qual deu o epíteto de “divina”, empregado ainda hoje pelos especialistas na sua obra), que consiste em analisar o poema canto a canto e verso a verso (antes de sua morte em 1375 só chegou a com…